Explosão em armazém da Zona Industrial da Maia assustou população

  Várias explosões, seguidas de uma intensa chama e um denso fumo negro, no armazém de produtos químicos da Expoquímica, no número 142 do sector X da Zona Industrial da Maia, levou os trabalhadores das empresas vizinhas a temer o pior.

O armazém continha vários produtos altamente inflamáveis e estava entre uma empresa de inspecção de redes de gás, que continha “algumas matérias combustíveis gasosas”, e um armazém de vinhos e azeites. Mas ambas as instalações foram devidamente defendidas, evitando consequências ainda mais graves. 

Em consequência da explosão, a cobertura ruiu por completo. Do armazém sobraram apenas as paredes, que também sofreram “danos irreparáveis”, e um amontoado de chapas e ferros retorcidos pelas altas temperaturas. Quanto a danos humanos, há a registar apenas dois feridos ligeiros, um trabalhador e um bombeiro da corporação de Moreira. Ambos sofreram queimaduras ligeiras de primeiro grau. Foram encaminhados para o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos.

Passavam poucos minutos das 15h00 quando ocorreu a primeira explosão. Menos de duas horas depois, às 17h05 o comandante da zona operacional 2 do Porto, Rogério Seabra dava como “completamente resolvido” o incêndio que se encontrava em “fase última de rescaldo”. Por conhecer, estavam as causas deste incidente.

Ernesto Lamas, trabalhador de um dos armazéns em frente, começou por ouvir um “grande estrondo”. “Fomos à janela, e começamos a ver várias explosões simultâneas e um fogo imenso a sair pelo telhado”, lembra. Uma experiência “assustadora”, uma vez que as chamas saíam pelo portão principal do armazém, “muito junto aos automóveis”. Amadeu foi também um dos trabalhadores evacuados. Ouviu uma primeira explosão, e passados alguns momentos os colegas vieram dizer-lhe que a Expoquímica “estava a arder”. “Saímos todos para fora e começamos a tirar os carros”, conta. “Quando aquilo começou a arder ainda tentaram apagar, mas aquilo ganhou grandes proporções e saíram”, acrescenta o gerente de um dos armazéns em frente.

A rápida e eficaz intervenção dos bombeiros contribuiu para que o fogo não chegasse aos armazéns vizinhos. Os Bombeiros Voluntários de Moreira da Maia foram a primeira corporação a chegar ao local. Foram alertados pelas 15h09 e chegaram ao local em apenas seis minutos.

Os trabalhadores e viaturas estacionadas na zona foram evacuados de imediato. Para evitar novas explosões, os bombeiros tiveram ainda a preocupação de proceder ao arrefecimento de vários bidões de produtos inflamáveis que se encontravam no exterior do armazém.

Meios organizados

Ao todo, no combate ao incêndio estiveram 13 corporações de bombeiros e 103 bombeiros apoiados por 30 viaturas, e 15 elementos do INEM que montou um Posto Médico Avançado, que “felizmente” não chegou a ser usado, segundo o comandante operacional Rogério Seabra. Assim como, as forças de segurança, PSP e GNR. Ao nível municipal, foram destacados para o local 10 elementos do corpo de voluntários do Serviço Municipal de Protecção Civil da Maia, Polícia Municipal da Maia, núcleo da Maia da Cruz Vermelha Portuguesa e Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento.

Numa breve declaração aos jornalistas, Rogério Seabra destacou “a capacidade, o esforço e a abnegação que os bombeiros que demonstram em debelar este problema”. E também deixou uma palavra de “reconhecimento” a todas as outras entidades que também colaboraram com os bombeiros. “Este incidente constituiu um exemplo vibrante da capacidade das forças que reagem a estas situações quando se unem e amparam umas às outras. Todas estas entidades que aqui colaboraram foram excepcionais”. Um dos factores que contribuiu para a rápida extinção do incêndio foi, sem dúvida, a “pronta” resposta dos meios de socorro. “Esse foi um dos êxitos. Dada a gravidade da situação, e refiro-me ao tipo das matérias de combustão, a rapidez com que se conseguiu dominar o sinistro é de facto, notável”, sublinhou.

Manuel Carvalho, comandante dos Bombeiros Voluntários de Moreira considerou “excepcional” a operação de socorro e combate. “Todos os meios intervieram de forma muito organizada. E só por isso, isto não teve maiores danos”, comentava.

Armazém cumpria normas de segurança

O vereador responsável pelo Serviço Municipal de Protecção Civil da Maia, Hernâni Ribeiro, esteve no local a acompanhar a fase de rescaldo. E garantiu que o armazém “está perfeitamente licenciado em termos de construção e obedece às regras de segurança que estão definidas na legislação para armazéns deste tipo”. Realçou ainda a eficácia do sistema de bocas-de-incêndio implementado na Zona Industrial da Maia, que neste caso concreto, contribuiu para que o fogo fosse rapidamente debelado. “A rápida e pronta intervenção dos bombeiros e por outro lado, a segurança do local e o acesso a água, permitiram este desfecho, que a meu ver é 100 por cento positivo”, finalizou.

Fernanda Alves