“Não se cale, denuncie”

A Juventude Popular da Maia levou a cabo, esta quinta-feira, uma campanha de sensibilização contra a violência doméstica. Duas equipas, uma no Instituto Superior da Maia e outra na Praça do Município, entregaram a quem ia passando um folheto com alguns números, depoimentos e notícias sobre a problemática.

Os números relacionados com a violência doméstica no concelho da Maia fizeram com que a JP desenvolvesse esta campanha. É que a Maia, “não é propriamente um bom exemplo”, afirma o presidente da concelhia da Maia da JP. Diz Eric Rodrigues que o principal objectivo é dizerem às pessoas que “não se calem, que denunciem porque apesar de ser um crime público mas que acontece quase sempre à porta fechada e é muito difícil para uma autarquia ou para a polícia conseguir resolver o problema porque não temos acesso a ele, não é visível”, justifica. Daí que, acrescenta, compete às autoridades com responsabilidades alertarem as pessoas para denunciarem, para se informarem, para não se deixarem levar “por aquele efeito boa de neve”. “Uma pessoa se leva uma vez é capaz de levar a vida toda porque quem cala, consente”. Neste caso, a JP apela às pessoas para que não se calem.

E se tivermos em conta que os números apontam para casos de violência doméstica entre os 15 e os 28 anos, diz Eric Rodrigues, é um problema que “diz bastante respeito às juventudes partidárias”. “É um bocado alarmante de dramático que em casais, mesmo na fase de namoro, já existam esses abusos e essa falta de respeito”, acrescenta o líder da JP da Maia.

Este responsável diz-se preocupado com os números de violência doméstica até porque sendo a Maia uma cidade com ambições “de se tornar um exemplo a nível de qualidade de vida não deve procurar sê-lo apenas a nível de património construído, deve procurar sê-lo em todos os aspectos”.

E a JP alerta porque entende que os números oficiais “não condizem” com a imagem que as pessoas deveriam ter da cidade da Maia. “É uma cidade moderna, virada para o futuro e eu não vejo um futuro onde ainda existem desigualdades entre homem e mulher, vejo um futuro onde todos são tratados da mesma forma, com o respeito e a dignidade que devem ser inerentes ao ser humano”, conclui Eric Rodrigues.

Isabel Fernandes Moreira