Homicídio à porta de café em Nogueira da Maia

“Ouvi o primeiro tiro e até pensei que tinha sido um pneu a rebentar, depois é que ouvi o segundo e percebi que era um tiro”. Foi então que ouviu uma senhora a gritar: ‘matou a minha prima, matou a minha prima’, conta Bernardino Neves, que mora numa das casas em frente ao local onde, esta terça-feira, assassinaram brutalmente uma mulher.

Tudo aconteceu à porta de um café em Nogueira da Maia. Eram cerca de 19h00 quando o homem, presumível namorado, puxou de uma caçadeira logo após terem saído do estabelecimento. De acordo com um dos proprietários do estabelecimento, no interior não houve qualquer problema. Para a mesa serviu três cafés e uma água e segundo percebeu estariam a ter uma conversa normal. Até que a vítima se preparava para ir fumar um cigarro no exterior e o homicida lhe terá dito para não ir porque queria falar com ela. Entretanto, o proprietário deixou o café e, quando ia na rua, a pé, apenas ouviu os disparos.

Um primeiro disparo atingiu-a numa mão. O impacto terá feito tombar a mulher para o passeio. O indivíduo, “com grande calma”, foi à mala do carro, carregou a arma que, ao que tudo indica seria uma caçadeira de canos serrados, e voltou a disparar, desta vez contra a cara da vítima, causando-lhe a morte, segundo os relatos recolhidos no local.

A mulher, que aparentava ter cerca de 30 anos, estava acompanhada por uma prima e uma criança. Depois dos disparos, a prima, em pânico, terá então corrido para o meio da rua, com a criança. Tentou abrir a porta em mais do que um carro até que conseguiu abrir a porta de um Megane, onde entrou em direcção à Maia, testemunharam Bernardino e Rosa Maria Neves.

De toda a tragédia, o casal recorda ainda o à-vontade e a frieza do agressor. “Entrou no carro, um Honda de cor escura, com os óculos na cabeça, meteu calmamente as mãos nos bolsos para tirar as chaves e seguiu no sentido de Ermesinde com a mala do carro aberta". E a calma era tanta que “até esperou que o semáforo vermelho abrisse”, acrescenta Bernardino Neves.

O homem foi detido, pouco tempo depois, pela Polícia Judiciária e foi presente ao Tribunal Judicial da Comarca da Maia esta quarta-feira de manhã.

Isabel Fernandes Moreira

(notícia com desenvolvimentos na edição de sexta-feira de Primeira Mão)