“Cumpri a minha obrigação”

Tal como o molho de alguns pratos da culinária chinesa, a participação de Augusto Cardoso nos Jogos Olímpicos de Pequim pode ser classificada como agridoce. Se marcar presença no maior evento desportivo do mundo é sempre algo que merece ser celebrado, não deixa de ter um travo amargo não poder faze-lo a 100 por cento. Foi o que aconteceu ao atleta maiato.

Quando obteve o passaporte desportivo para alinhar nos 50 quilómetros marcha estava a concretizar um velho sonho. “É o sonho de qualquer atleta que anda a treinar e a sofrer anos e anos”, refere. Mas, como em muitas histórias esta também tem um “mas”, nem tudo correu como desejado.

Na véspera da prova, de grande exigência física e psicológica, Augusto Cardoso ficou doente. Teve febre, parou-lhe a digestão e ficou num estado de ansiedade, agravado pela tensão nervosa sofrida horas antes, no decurso da prova de Nelson Évora, que o atleta maiato acompanhou a par e passo.

No dia seguinte, para a sua prova, que começava às 7h30, Augusto Cardoso levantou-se às 4h30 da madrugada. Admite que o seu estado físico e psicológico era muito fraco, “estava pálido e com suores frios”. Valeu-lhe a medicação aplicada pelo médico da selecção nacional. Valeu isso e a perspectiva de se tornar num atleta olímpico, o que só aconteceria se se apresentasse na linha de partida e fizesse a prova. “Foi só por ser os Jogos Olímpicos que fui à prova”, realça o atleta. Foram os dois tónicos que lhe permitiram marcar presença na partida.

(Notícia desenvolvida na edição desta semana de Primeira Mão)

Ouça o comentário de Augusto Cardoso: