Projecto de despoluição do Rio Leça já está em acção

Já está no terreno o Plano de Acção para a despoluição do Rio Leça. O plano, apresentado pelo Departamento de Ambiente e Planeamento Territorial (DAPT) da Câmara Municipal da Maia, tem como objectivo “a limpeza, desobstrução e despoluição do Leça”. O projecto Corrente Rio Leça envolve a participação de 15 instituições que em Junho passado assinaram os protocolos de colaboração com a autarquia. Para a despoluição do Rio Leça foram criados cinco grupos de trabalho.

Cada um dos grupos terá uma missão a cumprir. Aos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS) da Maia caberá a fiscalização das ligações de saneamento e, posteriormente, a monitorização da qualidade da água. A Câmara Municipal da Maia será responsável pela coordenação das acções de limpeza das margens, resíduos e vegetação – intervenção que terá como objectivo a recuperação ecológica das margens e preservação da fauna local, e pelas acções de sensibilização e educação ambiental. À Lipor caberá a coordenação das acções de voluntariado, com a participação do Ecoclube, patrocinado por aquele serviço intermunicipalizado de gestão dos resíduos do Grande Porto e que terá como objectivo, “contribuir para reaproximar as pessoas ao rio”. O trabalho a desenvolver pelos voluntários passará apenas por andar pelas margens a recolher o lixo depositado. As tarefas mais pesadas estarão a cargo dos técnicos e funcionários da autarquia.

Estão ainda previstas outras acções de sensibilização para o voluntariado, a desenvolver pela autarquia e juntas de freguesia banhadas pelo Leça. Os interessados em participar poderão ainda inscrever-se através da linha gratuita 800 205 310 ou pelo email: semente@semente.com.pt.

No que se refere ao grupo de sensibilização e educação ambiental, foram criados programas específicos para as escolas, famílias e população sénior. Para as escolas, e de acordo com Marta Moreira, do DAPT, estão previstas visitas de estudo ao Rio Leça, desde a Nascente à Foz, com a duração de um dia, estando já agendadas várias datas. E ainda, a adopção pelas escolas de um troço de rio, que terão de cuidar.

Para as famílias, o objectivo passará por convidá-las a inscreverem-se nas acções de voluntariado e a apadrinharem um troço de rio.

No que se refere à população sénior, o trabalho a desenvolver passará por, junto dos seniores que participam nas actividades promovidas pela autarquia, tentar reunir o maior números de fotos onde o Leça de antigamente esteja presente. As imagens serão copiadas e passarão a constar de um arquivo municipal. Depois, será organizada uma exposição com o passado, presente e futuro do Rio Leça.

Mão pesada para os infractores

O presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes, ainda se lembra do tempo em que, com os colegas da escola, ia “tomar banho” nas águas límpidas do Rio Leça. Um cenário bem diferente do que tem acontecido nos últimos anos. Com a instalação de empresas poluidoras a Jusante e a Montante do Leça, “começou a ficar muito poluído e matou muitos peixes”, afastando as populações das suas margens. Antes da chegada das indústrias poluidoras, eram muitas as famílias que ao fins-de-semana se concentravam nas suas margens.

Agora, seguindo o exemplo de Valongo, a Maia quer devolver o rio à população. “Queremos limpar o rio no nosso território, e recuperar as margens do rio, limpando-as e transformando-as em zonas de lazer”, referiu Bragança Fernandes, que não esconde o desejo de voltar a ver o rio repleto de peixes.

Através dos SMAS da Maia serão desenvolvidas acções de fiscalização e sensibilização para a ligação das habitações à rede de saneamento básico. O autarca promete ainda mão pesada para as descargas ilegais, especialmente das provenientes das fábricas e indústrias instaladas ao longo do rio, e também por particulares. “Vamos fazer um levantamento porta-a-porta e vamos atacar duramente para que não aconteçam mais ilegalidades e clandestinidades. Actuaremos muito duro para estas empresas e para os particulares que poluem o rio”, sublinhou. A intervenção implicará um investimento elevado, a suportar pela autarquia.

No troço junto à Ponte de Moreira já se trabalha na despoluição do Leça e limpeza das margens. A acção tem a Sonae como entidade parceira. No local vai nascer uma zona de lazer, que deverá ficar concluída até ao final do primeiro trimestre de 2009.

Fernanda Alves

“Queremos limpar o rio no nosso território, e recuperar as margens do rio, limpando-as e transformando-as em zonas de lazer”, referiu Bragança Fernandes, que não esconde o desejo de voltar a ver o rio repleto de peixes

1 responder
  1. sandra
    sandra says:

    Na minha opinião a população, devia ter mais cuidado com o meio ambiente. Porque o planeta já está a sofre as consequências dos nossos erros.

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