“Reúno a unidade de todos os militantes, sou consensual e um homem de palavra”

Entrevista de Bragança Fernandes a Primeira Mão

Bragança Fernandes quer liderar PSD da Maia. Em nome da unidade do partido, da preparação de um processo eleitoral autárquico tranquilo e do cumprimento de uma promessa que fez há dois anos. O autarca assume ainda, em entrevista a Primeira Mão e à Rádio Lidador, que será recandidato à Câmara da Maia nas próximas eleições autárquicas, dentro de cerca de um ano.

A entrevista pode ser lida na íntegra na edição de amanhã de Primeira Mão e poderá ser escutada na Rádio Lidador, domingo, às 13h00 e às 22h00. Para já, aqui fica um excerto…

PRIMEIRA MÃO – Há dois anos atrás terminou o mandato de líder da Comissão Política Concelhia do PSD Maia. Recordo-me que, numa entrevista, na altura, disse que se os militantes do PSD quisessem e se tivesse saúde, poderia um dia voltar a ser líder da concelhia. Agora, a pergunta é: tem saúde e os militantes do PSD querem?

BRAGANÇA FERNANDES – Eu disse, há cerca de dois anos atrás, quando ia tomar posse o líder da comissão política, que seria candidato em 2008. E portanto, aqui estou a apresentar-me como candidato às eleições da concelhia, porque sou um homem de palavra, os militantes confiaram na minha palavra e continuam a telefonar-me a perguntar se vou ser candidato. Portanto, hoje estou a dizer publicamente que vou ser candidato às eleições da concelhia do PSD, que se realizam a 7 de Novembro.

Porquê?

Porque, como disse, comprometi-me com os militantes há dois anos. Sou cumpridor daquilo que digo e que pratico. E não é só por isso. Acho que o mandato que se aproxima é muito importante. É um mandato em que, em princípio, serei o cabeça de lista à câmara municipal. Ainda não sabemos se vai ser eleição directa, porque a Lei Autárquica ainda está em discussão na Assembleia da República. Ainda não se sabe bem se vai ser o modelo antigo ou algum novo.

Vamos ter pela frente três eleições: as europeias, as autárquicas e as legislativas. Como candidato à câmara municipal acho que devo estar por dentro destas situações, e é lógico que tenho de salvaguardar tudo o que esteja envolvido nas eleições. E também quero que a câmara municipal continue a ser do PSD, quero que o PSD continue a liderar as juntas e ganhar ainda mais juntas. Este é um dos meus grandes objectivos, é conseguir mais juntas de freguesias do que as que já tenho.

Sente necessidade de ser presidente da concelhia? É isso?

Sinto necessidade de servir. Acho que sendo presidente do PSD, tenho mais força para convencer pessoas a candidatarem-se a juntas de freguesia que não são do PSD e que podem ser candidatos ganhadores.

A actual comissão concelhia, na sua opinião, não serviria? Não estaria à altura desse desafio?

Não disse isso. O que eu acho é que esta comissão política fez um trabalho extraordinário. Era uma equipa de consenso, constituída por vários elementos consensuais. Mas acho que nesta altura, como acontece em outros concelhos do país, a maior parte dos presidentes de câmara são presidentes das concelhias. E porquê? Porque quando chegam as autárquicas, temos de estar muito envolvidos na questão, porque toca-nos. Eu sei, porque já fiz umas eleições e lembro-me perfeitamente o que passei e o que trabalhei. É uma responsabilidade muito grande para um presidente de câmara. E sendo eu a controlar todo este sistema, terei, com certeza, muito mais tranquilidade. Não quero dizer que a comissão política actual não seria capaz de o fazer, mas como candidato à câmara municipal acho que devo ser eu a liderar esse processo.

É uma questão de ter também uma maior confiança na gestão de todos os actos que tem a ver com as eleições ou a preparação das eleições?

Acho que também tem a ver com um factor de unidade. Acho que reúno a unidade de todos os militantes. E portanto, sou consensual, sou um homem de palavra. Sou um homem que tenta que haja consenso em tudo o que seja necessário, tento harmonizar. Não se esqueça que estas autárquicas vão ser muito complicadas. Nós vamos ter de arranjar 150 jovens, porque a lei assim obriga. Vamos ter de arranjar pessoas capazes e dialogar com muita gente. Acho que sou a pessoa indicada para fazer este trabalho.

Balanço

Que avaliação é que faz do actual mandato da comissão política concelhia?

Acho que todos eles trabalharam muito bem. Quero salientar e saudar o presidente da comissão política e todos os elementos, e todo o trabalho que desenvolveram em prol do partido. Sempre me respeitaram e elogiaram. Eles próprios, em reunião política e embora a nacional já o tivesse feito, indicaram o meu nome por votação unânime para ser candidato à câmara municipal. Cumpriram bem o seu dever. Foram, de facto, pessoas úteis ao partido, pessoas que trabalharam, sérias e honestas. Paulo Ramalho, como líder partidário, fez o melhor que soube e o melhor que pôde. E fê-lo bem, na minha opinião.

Paulo Ramalho, além de ser o presidente da concelhia, também é um elemento do seu executivo. Não teme que esta sua opção possa vir a causar uma fricção interna no próprio executivo?

Acho que não. Paulo Ramalho é um homem leal, é um homem com ‘H’ grande. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Eu já tinha dito há dois anos que era candidato. Não vejo nenhum problema. Tenho conversado com ele sobre esse aspecto, e está tudo calmo e sereno.

E como é que foi a reacção?

A reacção foi de pessoas ordeiras, homens com ‘H’ grande. Falamos um com o outro e está tudo bem. Eu vou ser candidato, e em princípio, se aceitar o meu convite, vai ser o meu presidente da mesa do plenário.

É presidente da Câmara Municipal da Maia, tem outras tarefas no município, como nos serviços municipalizados, tem missões ligadas com o município, como o metro e Junta Metropolitana. Como é que vai conseguir exercer todas essas missões e, ainda por cima, tratar de matérias que muitas vezes são de ordem burocrática, de ordem estrutural e de planeamento de estratégia política, dentro do PSD da Maia?

Já o fiz entre 2002 e 2005, perfeitamente. Ganhei as eleições num período muito difícil, que não tem nada a ver com este. E, aliás, vou-me rodear de mulheres e homens capazes na comissão política, que me vão ajudar a ganhar a câmara municipal, a manter as juntas de freguesia e a ganhar mais, se conseguirmos, porque é esse o meu desejo.

Vai ter um, dois vice-presidentes?

Não pensei sobre o assunto. Ainda não falei com ninguém. A partir da próxima semana vou começar a falar com pessoas, para fazerem parte da minha lista, tanto homens como mulheres. É importante ter mulheres na minha lista, e não é por uma questão de quotas. Acho que as mulheres são uma mais valia em qualquer grupo de trabalho. Portanto, quero ter duas ou três mulheres na lista para a comissão política.

Está à espera de ter alguma lista opositora?

Não faço ideia nenhuma. Também não estou preocupado com isso. Se houver alguma lista opositora, que venha. Será bem vinda. O partido é aberto e todos os militantes têm direito a concorrer.