O Norte precisa da regionalização e de qualificação

“Outrora uma das regiões mais industrializadas da Europa, é hoje uma das mais pobres”. O cenário foi traçado recentemente, na Maia, por Silva Peneda, eurodeputado do PSD, durante mais um debate promovido pela comissão política concelhia “laranja”, liderada por Paulo Ramalho.

Para o ex-ministro do Emprego, o empobrecimento da região Norte deve-se a um conjunto de factores, destacando “a dificuldade da economia nortenha se afirmar na realidade da globalização e ainda à centralização do poder político e financeiro em Lisboa”.

A regionalização poderá ser uma solução para a região Norte? Silva Peneda adiantou que este processo “só pode ser aceite se significar menos Estado e melhor Estado, mais eficiente, permitindo assim reduzir a despesa pública”. Para ultrapassar as dificuldades e ingressar no caminho do desenvolvimento, o Norte precisa de “mais trabalho, mais inovação e mais ambição”, de forma a conquistar “novos mercados e antecipar as mudanças”. Para além de uma forte aposta na qualificação dos recursos humanos, advoga que é necessário, a nível das relações laborais, fazer um “pacto social capaz de congregar as vontades de trabalhadores, empresários e sindicatos, para que todos se rejam por um espírito de colaboração e não de conflito”.

O ex-ministro defendeu que o Quadro de Referência Nacional (QREN) poderia ter sido “uma mais-valia importante em termos de investimento para o Norte”, mas que, “para além de estar atrasado 14 meses, apenas contempla três obras (de dimensão reduzida) para a região”. A grande parte das verbas do QREN irá “ficar em Lisboa, onde está instalado o poder político e onde, por isso, as empresas querem permanecer”.

A este propósito, o deputado do Parlamento Europeu salientou que uma boa solução que o Estado poderia oferecer, seria a “deslocalização” de alguns dos seus serviços, Secretarias de Estado, direcções gerais e institutos públicos, para o resto do País.

Na sua intervenção final, o presidente do PSD da Maia, Paulo Ramalho, realçou o facto deste debate não poder ser encarado como “sendo contra Lisboa ou a favor da regionalização, mas antes, como uma reflexão livre sobre a actual realidade do Norte de Portugal e um simples contributo para a construção de soluções, que promovam de forma efectiva, um desenvolvimento uniforme do país e combata, verdadeiramente, as assimetrias”.

(Notícia desenvolvida na edição desta semana de Primeira Mão)