“Isto não será um até sempre, será um até um dia destes”

Já é certo que Paulo Ramalho não será recandidato à Comissão Política Concelhia da Maia do PSD. Em entrevista a PRIMEIRA MÃO, o ainda presidente diz-se disponível para trabalhar sempre pelo seu partido. Por isso, em final de mandato, não diz adeus. Assume que poderá regressar participando ou liderando um projecto diferente.

PRIMEIRA MÃO – O PSD da Maia vai a votos no dia 7 de Novembro, é o actual presidente. A pergunta natural que se coloca nesta altura é se vai recandidatar ao lugar?

PAULO RAMALHO – Eu não me vou recandidatar ao lugar.

Porquê?

Quando decidi candidatar-me, em 2006, não o fiz por mero exercício de vontade. Fi-lo com base em dois pressupostos, tendo em conta a experiência que tinha acumulado durante quatro anos em que fui vice-presidente de Bragança Fernandes e porque me pareceu que poderia ser útil para o partido. E por outro lado, porque eu tinha uma ideia muito clara para o meu partido. Durante os dois anos do meu mandato penso que consegui, juntamente com os meus colegas, concretizar parte dessa ideia que eu tinha e que assentava em aproximar o partido da sociedade civil, promover uma nova dinâmica no debate político e afirmar o PSD Maia como uma estrutura de referência junto dos órgãos distritais e nacionais do partido. E parte dessa ideia foi concretizada, na minha opinião. Terminada esta etapa um novo ciclo se avizinha e que vai albergar três actos eleitorais muito importantes para o partido, sendo que para o PSD Maia a maior preocupação incidirá sobre as autárquicas. Eu tinha dito há cerca de seis meses que a minha decisão de me recandidatar ou não, estaria dependente daquilo que eu viesse a entender ser melhor para o partido e que não deixaria de fazer essa reflexão em conjunto com Bragança Fernandes, que seria, e é, o candidato do partido às próximas eleições autárquicas. Apesar de sentir que uma larga vontade de militantes queria, e ficou claramente evidenciada no último plenário, que a nossa comissão política se recandidatasse a um novo mandato, também percebemos que Bragança Fernandes sentia vontade, ele próprio, de liderar a próxima comissão política, por entender que tal facilitaria a gestão do próximo processo eleitoral autárquico de que ele será o principal protagonista e responsável. A partir desse momento, atendendo à grande cooperação e lealdade que sempre existiu entre o presidente da Câmara e esta comissão política que tive orgulho de liderar, não poderíamos ter outra atitude, que não fosse a de oferecer a Bragança Fernandes todas as condições para que possa alcançar para o PSD mais uma grande vitória. Tudo aconteceu de uma forma tranquila e serena porque somos todos pessoas com sentido de responsabilidade e o que verdadeiramente nos interessa é que o PSD continue mobilizado em afirmar o seu projecto político na Maia. E recordo que foi por esse sentido de responsabilidade que não aceitei, em Junho, ser número dois de Nuno Morais Sarmento no Conselho de Jurisdição Nacional. Eu tinha um compromisso com os militantes do PSD de cumprir o meu mandato, apesar de me honrar muito esse convite.

O presidente da câmara entende que será melhor ser ele a gerir o processo autárquico, mesmo já tendo sido aprovado em comissão política a sua recandidatura. É também essa a sua opinião?

Tudo aquilo que a comissão política fez em dois anos de mandato, nunca o fez à revelia de Bragança Fernandes. Pelo contrário, sempre o fez em plena cooperação, colaboração e diálogo e quando escolhemos anunciar a sua recandidatura também o fizemos com o seu conhecimento e a sua própria vontade. Agora, tenho consciência que o próximo processo eleitoral tem nuances muito particulares e que não vai ser fácil. Vão surgir algumas dificuldades, por causa da lei da paridade, que veio impor uma regra na constituição das listas que implica uma profunda alteração nas listas do PSD. E eu acredito, depois de ouvir Bragança Fernandes, que ele, atendendo àquilo que são as circunstâncias do processo eleitoral e à forma como pretende gerir esse processo, seria a pessoa adequada para, nessas circunstâncias e com a sua forma de pensar, ser ele próprio o presidente da futura comissão política. Mas faço-o de uma forma perfeitamente tranquila e tenho a certeza que ele fará um bom lugar. Também sempre disse que esta comissão política não estava agarrada ao poder e que pretendíamos que Bragança Fernandes pudesse ter todas as condições para liderar esse processo eleitoral. Não tenho dúvidas que ele saberá, melhor do que ninguém, assumir as suas responsabilidades e defender os interesses do PSD nesse processo eleitoral.

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(Notícia para desenvolver na edição de amanhã de Primeira Mão)

Ouça a declaração de Paulo Ramalho:

Bragança Fernandes diz que o convidou para ser candidato à mesa do plenário, aceitou o convite?

Bragança Fernandes, quando manifestou vontade de regressar para a liderança da comissão política, para poder preparar melhor o processo autárquico de 2009, pediu-me que lhe prestasse toda a colaboração possível na gestão do partido e nesse processo. Eu disse-lhe que, obviamente, não deixaria de o fazer até porque essa é a minha obrigação como militante e como pessoa que sempre manteve com ele uma relação de lealdade, confiança e colaboração. Portanto, isso não deixaria de ser assim. E ele pediu-me que eu pudesse aceitar a presidência da mesa do plenário e o pudesse ajudar em outros dossiers da comissão política e eu disse que sim. Não posso deixar estar disponível para os interesses do meu partido e do futuro presidente da comissão política.

Não ajudaria mais se estivesse na vice-presidência da comissão política?

Eu não disse que não me convidou para uma das vice-presidências. O que eu disse foi que estaria sempre disponível para ajudar na gestão do partido. Essa disponibilidade não significa que eu tenha que ocupar algum lugar em concreto dentro da comissão política ou em qualquer órgão do partido. Não preciso disso. Mas entendi que de tudo aquilo que ele me ofereceu e que eu agradeço e reconheço toda a sua boa vontade e amizade e reconhecimento, eu entendi que a presidência da mesa do plenário seria a mais adequada face a tudo aquilo que envolve este processo.

Isabel Fernandes Moreira

(Notícia para desenvolver na edição de amanhã de Primeira Mão)

Ouça a declaração de Paulo Ramalho: