Jamboree será experiência a repetir

Uma autocaravana; uma antena feita apenas com arame e um pequeno rádio. E estavam reunidos os ingredientes para que o agrupamento de escoteiros de Vila Nova da Telha participasse, há cerca de duas semanas, pela primeira vez, no Jamboree Mundial no Ar. Trata-se de uma actividade de radioamadorismo que permite aos escoteiros de todo o mundo comunicar entre si. E em Vila Nova da Telha contaram ainda com a ajuda do presidente de junta, Pinho Gonçalves, também ele radioamador.

Mas não foi só através das ondas da rádio que os jovens comunicaram. Também o fizeram via internet. Para os contactos via internet contaram com a colaboração do pelouro da Juventude da Câmara da Maia que lhes abriu as portas da Loja da Juventude de Vila Nova da Telha. Em frente, ficou estacionada a auto caravana. “O nosso grupo, como não tem sede, tem que ser muito inventivo e vamos encontrando assim soluções”, refere o chefe do agrupamento.

José Araújo acha que a actividade correu “muito” bem. Em todo o mundo, o jamboree realiza-se durante 48 horas mas como o grupo só começou a funcionar há pouco mais de um mês, os chefes entenderam que entre as 09h30 e as 16h30 seria o tempo suficiente para que os jovens entrassem no espírito, percebessem como funciona e darem a entender se gostaram ou não. “Se quiséssemos podíamos estar aqui 48 horas e havia sempre escoteiros do outro lado do mundo a tentar falar connosco. Não sabíamos era se os nossos miúdos iam aguentar tanto tempo a falar no rádio e a conversar na internet e para primeira abordagem achamos que era o tempo suficiente”, justifica o chefe do agrupamento.

Da parte da manhã, conta José Araújo, só contactaram com grupos portugueses porque junto ao rádio estavam os miúdos mais pequenos, que ainda não sabem falar inglês. Portanto, “não fazia muito sentido estar a procurar contactos de outros países e propositadamente só andamos à procura de escoteiros portugueses”. Da parte da tarde, já com os mais velhos, experimentaram chegar mais longe e conseguiram contactos para a Europa, nomeadamente para a Escócia, Inglaterra, Holanda, Alemanha. “E foi engraçado porque o alemão não falava muito bem inglês e até foi interessante porque os nossos miúdos estavam muito inibidos para falar inglês e eu tinha-lhes dito para não se preocuparem com isso porque os outros iriam fazer um esforço para os entenderem e por sorte o segundo contacto que fizemos foi precisamente com um alemão que falava muito mal inglês mas esforçava-se”, conta.

À escuta

A iniciativa foi bem aceite pelos jovens. É essa a opinião da Diana e da Catarina que não esconderam, com o brilho nos olhos, o fascínio que lhes provocou falar no rádio. É que por internet acaba por não ser uma novidade, dado que todos os dias usam o messenger para comunicar com os amigos. A diferença foi que desta vez apenas falaram com escoteiros de outros países e de Portugal.

A Catarina admite que gostou muito da experiência do rádio. “Foi muito giro estar a falar com outros países”. “O Araújo dizia o nosso código e eles do outro lado respondiam”. Segundo a Diana o país com quem conseguiram fazer melhores contactos, apesar de vários pontos de Portugal foi com a Inglaterra e com a Itália. Mas também falaram com a Holanda, “só que foi muito pouquinho.

“Dizíamos que éramos da patrulha esquilo, a idade, o nome e que estávamos a gostar muito e desejávamos um bom jamboree”, contaram as jovens. E do outro lado do rádio as pessoas lá iam respondendo. “Foi muito fixe. Foi diferente. Gostei de estar a falar ao microfone, ouvirmos as pessoas do outro lado, perguntar se podíamos falar com eles, foi muito giro”, referiu a Catarina.

No próximo ano, afirma José Araújo, repetem e “com mais equipamentos, com melhores condições técnicas, com mais computadores, com outros programas porque da parte da internet só usamos um tipo de comunicação e com melhores instalações”. Faz um balanço “extremamente” positivo e acredita que no próximo ano Vila Nova da Telha volta a ter uma estação.

Isabel Fernandes Moreira