Bloco de Esquerda quer acabar com o “regabofe” da Siderurgia Nacional

Os deputados do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, na Assembleia Municipal de Maia, os dirigentes distritais e o núcleo concelhio vão deslocar-se, na próxima segunda-feira, às instalações da Siderurgia Nacional, em S. Pedro Fins. A visita destina-se a “tomarem conhecimento da situação” da empresa, em concreto do seu funcionamento e dos problemas ambientais que esta alegadamente provoca.

Em comunicado, a comissão concelhia da Maia do Bloco de Esquerda (BE) garante que “lutar contra a poluição da Siderurgia Nacional é uma causa, na qual vamos continuar a intervir para que o povo venha a impor o direito a respirar um ar mais puro e saudável”. No longo texto, recordam que desde 2005 assumiram o compromisso de “combater o crime ecológico contra as populações e meio ambiente” que atinge as freguesias da Maia afectadas pela forma como a empresa labora. Foi um compromisso eleitoral, que, para os elementos da Maia, “são questões de honra”.

Os deputados municipais eleitos pelo Bloco de Esquerda protagonizaram, desde Fevereiro de 2006, na Assembleia Municipal da Maia, diversas posições críticas para com a forma de actuação da Siderurgia Nacional. No comunicado fazem mesmo o historial de algumas dessas situações, recordando “mais de dois anos de luta”. “Em quase todas as sessões da Assembleia Municipal, temos insistido para que o poder instituído no concelho da Maia se posicione. Que accione todos os políticos, do concelho, do país e até da Europa, para por termo a esta vergonhosa calamidade”, sublinha.

Assinalam terem contactado todos os deputados municipais, de todos os partidos representados na Assembleia Municipal, residentes nas duas freguesias, para a elaboração de uma proposta “objectivando a formação de uma comissão de trabalhos, para fazer o ponto da situação sobre o processo da poluição da Siderurgia, já que, tanto o executivo camarário, como a Assembleia Municipal desconheciam por completo esta realidade. Esta intenção foi por todos acolhida com muita simpatia mas… como quase sempre não passou disso!”, lamentam.

Uma outra proposta visou a nomeação de uma comissão de trabalho para acompanhar a situação da empresa mas, também aqui, “apesar de todos se manifestarem de acordo com a sua necessidade, a proposta foi retirada por solicitação da bancada da maioria PSD/CDS, ao que anuímos, com a promessa de esta ser discutida na comissão de líderes: Até hoje nada foi resolvido!”. Seguiu-se a ideia de uma Assembleia Municipal descentralizada, a realizar em S. Pedro Fins, além da “passagem simbólica frente à Siderurgia Nacional, para que a sua administração, sentisse que os representantes eleitos pelo povo na Assembleia Municipal, estavam atentos e decididos a pôr termo a este regabofe ambiental”.

Feito balanço destas ideias e propostas consideram que chegou o momento de actuar. “Chega de tanta passividade! Chega de tanta impunidade!”, afirmam, peremptórios. E porque “é necessária uma acção firme”, começam a agir na segunda-feira, com a visita a efectuar às instalações da unidade.