Voluntários fazem lista de espera.

Está no limite das capacidades o corpo de voluntários do Serviço Municipal de Protecção Civil (SMPC) da Maia. Na altura em que comemora o segundo aniversário, são 41 os elementos. E não é possível de crescer mais dado o espaço de quartel disponível, o Mercado do Castelo da Maia. Isso mesmo admitiu o coordenador do serviço, António Lopes, no dia 29 de Novembro, na cerimónia evocativa deste segundo aniversário.

De 31, em 2007, para 41 este ano foi o crescimento deste corpo de voluntários. E ainda há 12 em lista de espera, porque “já somos demais para o espaço”, reconheceu António Lopes. A hipótese de crescer só quando houver mais espaço disponível e, nessa altura, o coordenador admite que se possa vir a duplicar o número de voluntários. Juntam-se aos quatro elementos do serviço, entre coordenador, adjunto, técnica de planeamento florestal e administrativa.

Dos que já fazem parte do corpo, pode dizer-se que há vários grupos etários representantes e com formações académicas muito distintas, desde psicólogos a carpinteiros, passando por serralheiros, trolhas, médicos e enfermeiros e até engenheiros informáticos.

Independentemente da formação e da actividade profissional a que se dedicam, são todos voluntários do SMPC da Maia, cabendo-lhes acções como limpeza de vias em situações de acidentes, criação de perímetros de segurança em incêndios, ajudar os bombeiros no que for necessário ou tratar de abatimentos de piso. Sem esquecer o acompanhamento a provas de atletismo ou ciclismo ou mesmo manifestações religiosas, como as procissões. Seja qual for o dia da semana, mas sempre tendo em conta a vida privada e profissional de cada um, bem como o voluntariado que alguns elementos possam efectuar noutros locais.

Por tudo isto, os voluntários receberam crachás, nesta cerimónia, entregues pelas individualidades que preencheram a mesa de honra no salão nobre. Entre elas, o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes, o vereador da Protecção Civil, Hernâni Ribeiro e o presidente da Assembleia Municipal da Maia, Luciano da Silva Gomes,

Para além de um espaço físico de maiores dimensões, António Lopes afirmou que o serviço precisa “no mínimo, do dobro” das viaturas disponíveis. E que é apenas uma. Mas está consciente das limitações orçamentais da autarquia.

Membros honorários

Ainda sobre esta cerimónia, a chuva forte e constante impediu que a formatura decorresse em frente aos Paços do Concelho, como estava previsto. Acabou por ser feita no átrio de entrada do edifício da Câmara Municipal da Maia, seguindo-se a sessão solene, no Salão Nobre. Começou com a atribuição de diplomas aos patrocinadores do corpo de voluntários e ainda a várias individualidades distinguidas como membros honorários. Foram assim denominados o inspector Manuel Veloso, o comandante Manuel Fonseca, o primeiro sargento Carlos Clemente, o sargento Manuel Meireles (ex-comandante da GNR da Maia), o comandante António Freitas, José Manuel Maia e Carlos Pereira, a quem coube intervir em nome de todos estes membros honorários do corpo de voluntários do SMPC.

Confessando “surpresa” e o “privilégio” em ser distinguido, Carlos Pereira apontou António Lopes como “o grande obreiro” desta organização, desejando que seja também um exemplo para outros serviços municipais. Porque “tudo aquilo que fazemos é pouco”, admitiu Carlos Pereira, ex-coordenador distrital do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) do Porto.

Já Artur Teixeira, adjunto de operações do CDOS do Porto, agradeceu em nome da Autoridade Nacional de Protecção Civil “a todos os que têm depositado o seu empenho ao serviço da Maia e do distrito”, considerando “importante esta participação cívica”, sobretudo por implicar um “empenhamento colectivo”. Inclusive das empresas.

O presidente da Câmara Municipal da Maia, a quem coube o encerramento da cerimónia, vê no corpo de voluntários um”uma autoridade” e apelidou os seus elementos de autênticos “mestres na Protecção Civil”

Bragança Fernandes sublinhou ainda que este é o único corpo de voluntários do país. António Lopes clarificou que o é, tendo em conta as suas características, ou seja, o facto de estar dependente do Serviço Municipal de Protecção Civil. O coordenador avançou com a sua criação, na sequência de um projecto sobre o voluntariado apresentado por Carlos Pereira ao Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, e com a ajuda de Artur Teixeira.

E porque o corpo de voluntários que estava de parabéns tem uma parceria com a Protecção Civil de Vigo, marcaram presença na cerimónia o presidente, Epifânio Lemos, e elementos do corpo de voluntários. O responsável máximo defendeu a necessidade de “potenciar ainda mais as relações” entre os dois serviços, reiterando a disponibilidade da Protecção Civil de Vigo.

Marta Costa