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Autarquia fez a homenagem ao associativismo maiato

A homenagem que faltava a todos aqueles que têm trabalho em prol dos mais jovens, seja esse trabalho de cariz desportivo, recreativo, social ou cultural. Foi assim que o presidente da Câmara da Maia se dirigiu a todos os dirigentes associativos que, no passado sábado, marcaram presença na inauguração da escultura que pretende homenagear todas as colectividades do concelho da Maia. Está edificado na nova rotunda dos Moutidos, junto à escola EB1/JI. No mesmo dia, a edilidade assinou os protocolos com as associações desportivas para a atribuição de subsídios para a época 2008/2009. As da cultura assinam os respectivos protocolos no início de 2009.

Para uma cerimónia que se pretendia com pompa a circunstância, a Câmara Municipal da Maia instalou uma tenda no polidesportivo da escola. Assim, teve condições para acolher todos quantos não faltaram à chamada. Na mesa de honra, para além do presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes, esteve também o presidente da Assembleia Municipal da Maia, Luciano Gomes, o presidente da Junta de Freguesia de Águas Santas e o vereador do Desporto, Nogueira dos Santos. Em representação das colectividades culturais, integrou a mesa o presidente dos Fontineiros da Maia, José Manuel Sampaio, e em representação dos clubes desportivos, o presidente do Castelo da Maia Ginásio Clube, José Martins.

Bragança Fernandes considera que as colectividades “representam o pulsar do concelho e, por isso, acho que fazia falta um monumento às colectividades”, justifica. O edil da Maia acredita que as agremiações e todos os que estão ligados ao associativismo merecem porque “fazem um sacrifício muito grande para tratarem dos filhos dos outros e, muitas vezes, não são reconhecidos”, acrescenta.

E a obra nasceu em Águas Santas porque é a freguesia onde existem mais colectividades quer desportivas, quer culturais. “Resolvemos construir nesta rotunda, junto a uma zona habitacional muito grande, perto de um centro cívico, perto de uma sede, das escolas, portanto, acho que está extremamente bem localizado e foi por essa razão que escolhemos este local”, referiu.

Mas para testemunhar o acto público, marcaram também presença o presidente da Federação das Colectividades do Distrito do Porto. Domingos Martins e o vice-presidente da Associação de Futebol do Porto, (AFP), Silva Pereira. São dois homens que passam muitas vezes pelo município para participar nos aniversários das suas colectividades associadas, por isso, em dia de festa, não quiseram ficar de fora. Para os dois, esta homenagem “é a demonstração inequívoca de que as associações estão de mãos dadas com o poder local”.

Domingos Martins mostrou-se duplamente satisfeito. Por um lado, devido à homenagem da autarquia maiata e em segundo lugar porque recentemente a Federação recebeu a medalha de mérito distrital atribuída pelo Governo Civil do Porto. Recordando que os subsídios são “de extrema importância” para a vida dos clubes, no seu discurso, Silva Pereira destacou duas autarquias que “muito têm feito pelo desporto”. A Câmara Municipal de Gaia “que tem feito um trabalho excepcional” e a Câmara da Maia “que tem sido uma surpresa absoluta”. “A Maia será certamente o concelho maior do país no que toca ao desporto”, acrescentou o dirigente da AFP.

Estátua simbólica

Do lado dos representantes das colectividades também não faltaram elogios àquilo que tem sido a actuação da autarquia. José Manuel Sampaio recordou o trabalho de continuidade que tem tido sustentação de vereador da cultura para vereador da cultura. Por isso, recordou e agradeceu a “Dias Leitão, Sousa e Silva, Mário Pinto, Mário Nuno Neves e Nogueira dos Santos. E uma vez que os Fontineiros são uma colectividade de Águas Santas, também não esqueceu e falecido presidente da Junta, Manuel Correia, “um homem que sempre soube respeitar o movimento associativo”. O dirigente também não esqueceu José Vieira de Carvalho e o trabalho de continuidade de Bragança Fernandes.

José Martins destacou os subsídios atribuídos pela autarquia que “são o combustível essencial para as colectividades chegarem a bom porto”. Em nome das 76 colectividades desportivas do concelho da Maia agradeceu “o carinho, compreensão e apoio prestado”.

Depois dos discursos e da assinatura de protocolos, foi tempo de os convidados irem até à rotunda dos Moutidos descerrar a placa que inaugurou oficialmente o monumento de homenagem ao movimento associativo. Um momento que foi acompanhado de perto pelo artista Xico Lucena

Foi nas próprias colectividades que Xico Lucena foi buscar a inspiração. Cada elemento da obra, conta o escultor, simboliza uma colectividade. Ao todo são 110. Mas a escultura permite colocar peças se o número de associações aumentar ou retirar peças se alguma deixar de existir.

Habitualmente, para criar, Xico Lucena usa granito. “Quando trabalho com peças de grande volumetria uso granitos nacionais”. Este não é granito Caverneira mas é muito semelhante ao Caverneira da região de Águas Santas, adianta o artista.

Admite que não foi fácil fazer a escultura porque “é uma peça que tens uns cortes complicados”. E não consegue precisar quantas horas de trabalho foram aplicadas na elaboração do trabalho, até porque contou com a ajuda de dois colaboradores. “Mas foram várias longas horas”.

Xico Lucena admite que gostou do desafio lançado pela autarquia da Maia. Acrescenta que, por outro lado, foi “fácil” de fazer porque “também é fácil trabalhar com a Câmara da Maia, que lhe deu total liberdade de trabalho. Foi um prazer trabalhar com eles, na montagem da peça facilitaram bastante o trabalho, apareceram bons profissionais para ajudar na montagem”.

A descrição do monumento

“A simbologia inerente a esta obra remete-nos para um figura cultural, cujo valor simbólico evoca a figura humana como parte central da história das colectividades do concelho da Maia. Sugere-se, no entanto, a misericórdia, a miscelânea de valores éticos, culturais e sociais presentes no associativismo.

Analisando de perto a obra, podemos verificar que esta é composta por três partes fundamentais. As duas primeiras são os dois pilares que simbolizam, na estrutura, a base de um todo, e a figura humana colocada propositadamente ao centro simbolizando o homem com mentor e fundador de um património, permitindo a criação das colectividades. O terceiro elemento, evoca as colectividades graças à representação através de elementos sobrepostos, cujo topo é inacabado de uma forma propositada, o que permitirá futuramente o crescimento de novas colectividades e a sua representação nesta obra.

Todo o conjunto evoca o despoletar da criação e desenvolvimento do associativismo do concelho da Maia.

Isabel Fernandes Moreira