Julgamento de corrupção no Aeroporto

Começa na segunda-feira o julgamento de uma rede acusada de furtos e crimes de corrupção no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, em Pedras Rubras. Vai decorrer no Palácio da Justiça, no Porto, tendo em conta a falta de espaço do Tribunal da Maia para acolher os 19 arguidos e cerca de 70 testemunhas.

Na teoria, o julgamento começou na passada segunda-feira, mas uma falha no sistema de gravação da audiência da manhã levou à anulação da sessão. E motivou um pedido de desculpa do juiz-presidente do Tribunal da Maia, Nuno Melo. A repetição foi marcada para segunda-feira de manhã, anulando as audições das duas testemunhas realizadas até ser detectada a anomalia.

No banco dos réus estão 11 funcionários de uma empresa associada à TAP, empresários de sectores como o vestuário, relojoaria e informática e ainda quatro elementos da Brigada Fiscal da GNR. Respondem por crimes de corrupção passiva para acto ilícito, furto e receptação de objectos roubados. Entre 2001 e 2004 terão desviado mercadoria de luxo que passava pelo Aeroporto Francisco Sá Carneiro, daí resultando proveitos contabilizados em mais de 150 mil euros. Na zona do terminal onde são manuseadas as malas e mercadorias transportadas, desviavam vestuário original de marcas, relógios de luxo, objectos em ouro e computadores portáteis.

De acordo com a acusação do Ministério Público da Maia, os militares da GNR conheciam o esquema de furto, mas mantinham o silêncio já que beneficiavam de alguns dos artigos desviados. Neste julgamento, incorrem em penas de prisão até oito anos.

Os arguidos deste processo acabaram por ser detidos em2004, numa operação a cargo da Divisão de Investigação Criminal da PSP do Porto, na sequência de queixas de algumas das marcas prejudicadas que estranharam receber encomendas com menos peças do que o esperado.

Marta Costa