Lipor incrementa compostagem caseira

A Lipor – Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto já entregou mais de mil compostores a cidadãos dos municípios associados, no âmbito do “Terra à Terra – Projecto de Compostagem Caseira!”, que visa promover a redução dos resíduos orgânicos ao nível das habitações da área de intervenção da Lipor”, pode ler-se no sítio da Internet da Horta da Formiga – Centro de Compostagem Caseira.

A compostagem consiste num “processo biológico em que os micro-organismos transformam a matéria orgânica, como estrume, folhas, papel e restos de comida, num material semelhante ao solo a que se chama composto”

Qualquer cidadão dos oito municípios associados – Maia, Espinho, Gondomar, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo e Vila do Conde – pode solicitar um compostor para produzir, em casa, adubo natural. Desde que tenha habitação permanente com jardim e mais de 18 anos de idade.

Quem o pretender, deve começar por preencher a ficha de inscrição (também disponível na Internet). Segue-se a frequência de um Curso de Compostagem Caseira, gratuito, e com a duração de três horas, que culmina com a entrega do compostor. Para avaliar o projecto e dar apoio aos munícipes participantes, o compromisso a assumir com a Lipor implica a realização de diversas visitas durante o período de um ano.

Até à passada terça-feira, a Lipor já tinha distribuído 1087 compostores, destacando-se o município de Vila do Conde, com 267. Aos munícipes da Maia, tinham sido entregues 117.

Como fazer?

A compostagem consiste num “processo biológico em que os micro-organismos transformam a matéria orgânica, como estrume, folhas, papel e restos de comida, num material semelhante ao solo a que se chama composto”. Actuando como se de um adubo se tratasse, este composto permitirá melhorar a estrutura do solo, através dos fungicidas naturais e evitando o recurso a herbicidas ou pesticidas. E com a vantagem de poder ser armazenado por longos períodos de tempo, “sem odores nem moscas”, salienta a Lipor.

Mas há regras a cumprir neste processo. Desde logo, a escolha do melhor local para colocar o compostor. Deve ficar num espaço onde haja sombra no Verão e Sol no período de Inverno. Seleccionado o espaço, há que preparar o fundo, assegurando uma boa drenagem. No momento da colocação dos resíduos, o cidadão deve manter a preocupação de misturar materiais (verdes e castanhos), revirando-os quando compactados (para garantir o arejamento ideal) e assegurar o nível certo de humidade, regando se necessário. O composto daí resultante pode ser usado em relvados, vasos, canteiros, floreiras e caldeiras das árvores.

Mas, afinal, o que pode ser usado para produzir este adubo natural? No compostor a colocar no jardim podem ser depositados restos de cozinha, de preferência cortados em pequenos pedaços para acelerar o processo de compostagem. Do leque de opções fazem parte os legumes, fruta, cascas (inclusive de ovos), pão, massa, sacos de chá e de café. Do jardim, podem ser colocadas no compostor aparas de folhas, relva, caules, flores, ramos, palha, feno e aparas de madeira. Poderá ainda juntar papel, cartão, palha, madeira (não tratada) e cinzas, neste caso, desde que em pequenas quantidades. E, alerta a Lipor, deve evitar acrescentar gorduras, lacticínios, carne, peixe ou marisco. No site da Horta da Formiga há ainda uma listagem daquilo que não se pode usar no processo de compostagem caseira. Inclui pilhas, vidro, metal, plástico, medicamentos, produtos químicos, têxteis, tintas, excrementos de animais domésticos ou plantas doentes.

Vantagens

Para justificar as vantagens da compostagem caseira, a Lipor salienta que, todos os anos, os municípios associados do serviço contribuem com mais de 500 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos, o correspondente a cerca de 40 por cento de todos os resíduos produzidos. Com os custos “económicos e ambientais consideráveis” que isso acarreta ao nível da recolha, transporte, tratamento e deposição. Recorrendo à compostagem dos resíduos orgânicos, os munícipes contribuem, também, para uma redução dos resíduos enviados para aterro. Estima a Lipor que dez mil compostores possam contribuir para uma redução de três mil toneladas de resíduos orgânicos. Ao mesmo tempo, o aproveitamento destes resíduos contribui para a redução da emissão de gases com efeito de estufa, anualmente, em cerca de 528 toneladas.

Marta Costa