Projectos para combater problemas sociais devem arrancar em Fevereiro

O projecto da Santa Casa da Misericórdia da Maia no âmbito do Programa de Respostas Integradas (PRI) do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) já está em fase de preparação. Vai trabalhar as áreas da prevenção e reinserção.

O núcleo da Maia da Cruz Vermelha da Maia está responsável pelas áreas da redução de riscos e minimização de danos. O projecto deverá avançar no terreno dentro de poucas semanas. Nesta fase, estão a ser constituídas as equipas e preparados todos os meios logísticos que permitam avançar com a intervenção junto da população alvo.

Ambos os projectos terão como área de intervenção o denominado território do Sobreiro, que para além do bairro de habitações sociais, integra a área dos pavilhões municipais em Vermoim, a Escola Secundária e EB 2, 3 da Maia; o Parque Central da Maia; o Monte de Santa Cruz na freguesia de Barca; o Lugar do Rio na freguesia de Nogueira e a área da Cooperativa de Habitação Nortecoope na freguesia de Gueifães.

Serão ambos financiados pelo IDT, parcialmente. Os acordos de financiamento e de parceria foram assinados no passado mês de Dezembro.

A Vila do Castelo, um dos territórios também identificados no âmbito dos diagnósticos territoriais do Programa Operacional de Respostas Integradas (PORI) também vai ser alvo do mesmo tipo de intervenção, embora, sem o financiamento do IDT, uma vez que este território não foi alvo de concurso. Os custos serão suportados pela Câmara Municipal da Maia e restantes parceiros.

Situação do país pode agravar problemas sociais

No que se refere ao projecto da Santa Casa da Misericórdia da Maia, “na área da reinserção estamos a fazer o levantamento exaustivo dos indivíduos que podem ser beneficiários deste projecto e a fazer o cruzamento de dados com o IDT para saber se estão ou não a fazer tratamento, de forma a podermos fazer uma abordagem o mais rigorosa possível”, adiantou Mário Figueiredo, coordenador do projecto.

O técnico social espera que durante o mês de Fevereiro seja possível trabalhar directamente com a população alvo.

Na área da prevenção estão já agendadas reuniões com as escolas abrangidas pelo projecto, “no sentido de lançar o mais rapidamente possível os trabalhos com os jovens, que é o nosso público-alvo”. Este trabalho será efectuado em parceria com os técnicos do IDT. O objectivo será estabelecer estratégias de divulgação de riscos e consequência do consumo de substâncias psicoativas, junto do público mais jovem. O projecto tem ainda como parceiros a Câmara Municipal da Maia, o Instituto Superior da Maia, GNR e PSP da Maia, Instituto do Emprego e Formação Profissional, Segurança Social, Centro de Saúde da Maia, juntas de freguesia e todas as escolas da área de intervenção.

O trabalho a desenvolver é fundamental, na opinião de Mário Figueiredo que conhece bem a realidade do território. “Para mim, desde que haja uma pessoa a precisar de trabalho já é importante. Mas para além disso, o diagnóstico feito há um ano atrás, permitiu que o IDT investisse na Maia, o que significa que era importante investir na Maia”.

Com a crise económica, a falência de empresas e o consequente aumento do desemprego, as dificuldades das famílias serão cada vez maiores, assim como os riscos sociais. Por esse facto, este projecto assume ainda uma maior importância.

“Todas as quartas-feiras faço atendimento no GAIL e estou a assistir a pedidos, solicitações de apoio de vária ordem de pessoas que nunca colocaram a hipótese de pedir apoio. Portanto, isto acarreta níveis de desajuste social muito elevados, baixa auto-estima, e pode acarretar efeitos nefastos, que a minha experiência diz, vamos ter de enfrentá-los”, refere Mário Figueiredo. Aliado à situação económica do país e das famílias, está o aumento de depressões e do consumo de anti-depressivos. Situações que levam muitas vezes a estados de dependência, não só de medicamentos como de outras substâncias, como o álcool e a droga. “Para além dos problemas sociais que já estão a sentir-se, vamos ter um aumento destes efeitos colaterais, mas que normalmente estão associados a momentos de crise e de problemas sócio-económicos”, adverte o técnico social.

No que se refere ao projecto do núcleo da Maia da Cruz Vermelha Portuguesa, e conforme já adiantado na edição de 31 de Outubro de 2008, a intervenção passa pela criação de duas equipas de rua. Esta era uma resposta que não existia na Maia e que terá como objectivo “promover a redução de riscos pessoais e sociais nos indivíduos que consomem e não têm ligação a qualquer tipo de serviço de saúde”, referiu na altura a assistente social, Sónia Pereira, uma das responsáveis pela elaboração do projecto.

Parte desse trabalho passará pela promoção da troca de seringas de forma a prevenir a transmissão de doenças infecto-contagiosas, hábitos de higiene diária, prestação de cuidados de enfermagem e socorro, encaminhar e informar os consumidores sobre os serviços que têm à sua disposição. A aproximação das famílias é outro dos objectivos.

O projecto ainda não está no terreno. Só deverá arrancar no decorrer do mês de Fevereiro. Nesta altura, estão a ser ultimados todos os aspectos logísticos, de acordo com fonte ligada ao processo.

Fernanda Alves