Opinião de Marco Martins: “Um mandato perdido…”

A coligação PSD/CDS-PP que venceu as eleições autárquicas em 2005 apresentou-se, à data, a eleições com uma série de propostas que pretendiam continuar a afirmar a Maia, no contexto metropolitano, como um concelho de vanguarda e de futuro.

“Os grandes projectos inovadores que se apresentavam à Maia, em 2005, têm uma taxa de concretização nula. A capacidade de inovação que a Maia necessita e o desenvolvimento sustentável, apoiado em projectos inovadores, que os maiatos, pela forma como caracterizam e vivem o concelho, exigem estão longe de ser uma realidade. Este mandato autárquico revelou, por completo, que a maioria que lidera os destinos do concelho está em fim de ciclo”

Este compromisso com os maiatos assentava sobretudo na criação de infra-estruturas que permitissem a captação de investimentos para o concelho e na realização de “grandes obras” que iriam reforçar a qualidade de vida dos maiatos e transformar o “centro nevrálgico” da cidade.

Passado estes anos, e estando já a sentir-se o “nervosismo” do período pré-eleitoral, está a tornar-se inequívoco que esta aposta apresentada aos maiatos, em 2005, falhou. Prova dessa falha é a atitude de desresponsabilização que o executivo da Câmara está a tentar fazer passar para a opinião pública, relativamente, àquela que foi apelidada de “Obra do Mandato” e que, neste momento, não passa de uma miragem para próximos mandatos – o Hospital do Lidador.

Esta realização vem sendo prometida aos maiatos há já alguns anos, mas a falha de poder negocial que a CMM tem demonstrado, nomeadamente na escolha de parceiros de negócio, tem, sistematicamente, atrasado o processo de implementação de uma unidade de saúde privada no concelho da Maia. As sucessivas falhas negociais que a CMM tem demonstrado não se ficam por aqui. A captação de infra-estruturas de interesse para o desenvolvimento do concelho tem-se demonstrado uma fragilidade deste executivo camarário. Veja-se o exemplo da tão anunciada Escola Superior de Tecnologia da Saúde. Este investimento que chegou a ser apresentado com todo o mediatismo necessário, simplesmente, “fugiu” da Maia para um outro concelho da Área Metropolitana do Porto – Vila Nova de Gaia. Com estas duas grandes apostas falhadas, que a concretizar-se teriam com certeza dado um novo impulso na afirmação da Maia no contexto metropolitano, o executivo da CMM decidiu “apostar tudo” na requalificação do centro da cidade com o projecto Parque Maior. No entanto, este é mais um dos projectos que veio evidenciar as fragilidades negociais do executivo camarário. Os sucessivos atrasos na apresentação da definição da sociedade gestora do projecto, os sucessivos avanços e recuos na constituição do capital social da sociedade, já adiaram esta requalificação do centro da cidade para um futuro, agora, incerto.

Em síntese, os grandes projectos inovadores que se apresentavam à Maia, em 2005, têm uma taxa de concretização nula. A capacidade de inovação que a Maia necessita e o desenvolvimento sustentável, apoiado em projectos inovadores, que os maiatos, pela forma como caracterizam e vivem o concelho, exigem estão longe de ser uma realidade. Este mandato autárquico revelou, por completo, que a maioria que lidera os destinos do concelho está em fim de ciclo. Os desafios que se colocam à Maia e aos maiatos, no futuro, exigem uma diferente implicação dos responsáveis políticos e o redesenhar das formas de desenvolvimento do concelho.

A Maia é, pela sua identidade, um concelho moderno ao qual é exigido que inove, afirmando-se no contexto metropolitano e nacional como um concelho de referência em matérias fundamentais de qualidade de vida. A coligação que lidera os destinos do concelho já demonstrou não estar à altura de redesenhar um novo conceito para a Maia. O maior desafio que se coloca, actualmente, aos maiatos é perceberem este facto. Esta solução de governo está gasta, não tem ideias e vive à custa das realizações do passado. Mas a Maia não pode parar. O maior risco para este concelho é passar mais quatro anos estagnado.

A alternância de poder é necessária para o desenvolvimento harmonioso do nosso concelho. É necessária uma nova visão para a Maia, um novo conceito de desenvolvimento, uma diferente implicação dos responsáveis pelos destinos do concelho, uma implicação que consiga atrair os cidadãos para que seja construída com a participação de todos. Esta mudança só é possível com uma alternância de poder efectiva. Os maiatos têm que perceber que o concelho necessita, desde já, dessa mudança. Passar mais quatro anos a olhar para as realizações do passado vai atrasar a Maia no seu objectivo permanente de desenvolvimento e de inovação. O não perceber que uma solução chegou ao fim é um erro perigoso no contexto do desenvolvimento social e político, havendo vários exemplos, na história nacional e internacional, das consequências do mesmo. Os maiatos têm que perceber que não podem cometer este erro. A bem do concelho, a bem da Maia.

Deputado Assembleia Municipal da Maia – Grupo Partido Socialista