Fazer a Festa… na Maia

Depois de 15 anos nos jardins do Palácio de Cristal, no Porto, o festival internacional de teatro "Fazer a Festa", organizado pelo grupo Art’Imagem, muda-se para os jardins da Quinta da Caverneira, em Águas Santas, na Maia. Em causa está um diferendo entre a Câmara Municipal do Porto e a Art’Imagem.
Nos dois últimos anos, o festival esteve em risco, mas acabou por se realizar no local de sempre. Este ano, o grupo de teatro Art’Imagem voltou a pedir apoios à Porto Lazer, a empresa municipal que gere grande parte do panorama cultural da Invicta. O apoio, que se fixava em 15 mil euros, este ano seria, a pedido da companhia teatral, de 20 mil euros. Ainda sem o aumento no apoio, a 16 de Fevereiro a Porto Lazer confirmou à companhia Art’Imagem os 15 mil euros de ajuda. Pouco tempo depois, a 25 de Março, a Art’Imagem é chamada de emergência para uma reunião, onde seria revelado que a Porto Lazer estaria a passar por "dificuldades orçamentais" e que o "Fazer a Festa não teria qualquer apoio financeiro", segundo o Art’Imagem.

O festival internacional muda-se, assim, para a Maia, de armas e bagagens como forma de protesto. O desejo da companhia de teatro Art’Imagem é voltar ao Porto já para o ano que vem, "aos jardins do Palácio de Cristal, seu ‘habitat’ natural, em condições de dignidade que este ano não existiram", refere a nota de imprensa. Não é a primeira vez que a Câmara do Porto e a Art’Imagem encontram problemas. Em 2006, a companhia de teatro colocou a autarquia portuense em tribunal "por incumprimento do apoio financeiro já acordado ao “Fazer a Festa” desse ano". A falha deste ano teve consequências mais graves e o festival mudou de local.
"Fazer de conta"
O teatro é representação. José Leitão, da Art’Imagem, ironiza, em comunicado, com a situação excepcional da edição de 2009 do "Fazer a Festa". "Façamos de conta que, mesmo sabendo que o Festival se realiza, aqui ao lado na Maia, nos belíssimos jardins da Quinta da Caverneira, nada aconteceu de anormal", lê-se no documento divulgado à imprensa. E lança um apelo: "Façamos de conta, façamos de conta! Façamos Teatro!".

De 25 de Abril até 3 de Maio, a "Fazer a Festa" vão estar dezoito companhias que vêm de Portugal, Chile, Itália e Brasil. Um dos destaques vai para o espectáculo residente "Animais Nocturnos", de Renata Portas, que vai estar em cena todos os dias do festival, sempre às 21h35. A peça, uma fábula moderna sobre a imigração, tem a assinatura de Juan Mayorga, um dos grandes dramaturgos espanhóis da actualidade.

No auditório da Caverneira, a partir de 29 de Abril e sempre às 21h30, espaço para quatro companhias estrangeiras e uma das mais antigas companhias portuguesas, o Cendrev – Centro Dramático de Évora. De terras alentejanas chega a peça "Memórias de Branca Dias", que narra as vivências dos portugueses no Brasil no século XVI. Do Chile vem a Compañia Teatral Ventus, responsável pela peça "El Final es Donde Parti", que retrata o complicado mundo da droga. Do Brasil chegam a peças "Candim" e "Soltando os Cachorros".

A novidade deste ano é a 1ª MAD – Mostra Anual de Dramaturgia, a decorrer em paralelo com o "Fazer a Festa". Trata-se de "um fórum teatral", dedicado à divulgação de textos dramáticos portugueses e ainda desconhecidos. O Teatro Art’ Imagem compromete-se, a partir de 2010, a encenar anualmente um dos textos apresentados em cada edição.