GAIL da AVALE é o mais procurado

 

O GAIL da Avale é, sem dúvida, o mais procurado. O pólo funciona na Junta de Freguesia de Pedrouços, possuindo ainda extensões nas freguesias de Águas Santas, Gueifães e Milheirós. Em 2008 efectuou 1409 atendimentos. Dos quais, 968 ocorreram nos GAIL de Pedrouços e Águas Santas, e os restantes, em Gueifães e Milheirós. Em 2007, em apenas meio ano, o número de atendimentos no GAIL da AVALE atingiu os 996. As freguesias de Pedrouços e Águas Santas, dada a sua dimensão populacional, são as que apresentam o maior número pedidos de apoio social.

E foi uma das razões que levou a autarquia a avançar com a abertura de uma extensão em Águas Santas, de forma a tornar mais célere as respostas às solicitações dos munícipes. O apoio económico às famílias é da exclusiva responsabilidade da Segurança Social. De acordo com Luísa Guimarães, de 2007 para 2008 as verbas disponibilizadas nos casos tratados, passaram para o dobro. Com o agravamento das dificuldades das famílias, a autarquia prevê um novo aumento em 2009, e por esse facto, já solicitou um reforço dos apoios financeiros.

Caracterização das famílias

As famílias que recorrem ao apoio dos GAIL são de características diversas. “Dada a crise que estamos a passar, há um pouco de tudo”, diz a responsável pelo Gabinete de Desenvolvimento Social e Acção Social.

Para além das famílias que estão a passar por uma complicada situação económica, em muitos casos, devido ao facto de terem ficado sem emprego, há também uma procura muito significativa por parte dos idosos. Com reformas muito reduzidas e sem apoio familiar, pedem ajuda para a “medicação, fraldas, para entrada em lares, apoio domiciliário, pagamento de prestadores de serviços”. Nos casos em que é necessário voltar a integrar a família no mercado de trabalho, é-lhes possibilitada a frequência em acções de formação e de qualificação. Nesta área, e de acordo com Luísa Guimarães, têm-se conseguido bons resultados.

De um modo geral, porque cada caso é um caso, o trabalho desenvolvido pelos técnicos dos GAIL tem sido um “sucesso”. Por esse motivo, a autarquia mantêm a aposta na continuidade deste projecto.

Trabalho “aliciante”

Marta Ferreira é uma das técnicas ao serviço do GAIL da Vila do Castelo, desde o início deste projecto. Apesar de, constantemente, ser confrontada com diferentes problemáticas, diz que este é um trabalho “aliciante”. “Todos os dias são casos novos, são problemáticas diferentes, que implicam que a pessoas estejam sempre a investir, quer pessoalmente quer a nível profissional, para ter cada vez mais sucesso na resolução desses problemas”, refere Marta Ferreira. Quando necessário, é prestado de imediato o apoio económico, depois, “há todo um trabalho de rectaguarda com a família, de muitos meses”. Numa segunda abordagem, acabam por ser detectados outros problemas, para além dos económicos, como a dependência de álcool, violência doméstica, desemprego e a falta de qualificação profissional.

Conseguir encaminhar a família para um futuro melhor, é para Marta Ferreira, a melhor retribuição que um técnico social pode receber. “Uma criança que estava em casa com a mãe que não conseguia trabalhar, porque estava em casa com ela. Se nessa família, conseguirmos integrar a criança num infantário e a mãe no mercado de trabalho ou na formação, quando há uma melhoria e quando se nota que a auto-estima dessa família melhorou, para nós é gratificante”, diz. “Quer dizer que o trabalho que tivemos com aquela família ao longo de meses, não foi feito em vão”, acrescenta Marta Ferreira.

Um caso de “sucesso”

Entre os vários casos em que foi possível proporcionar um novo projecto de vida, está um que foi acompanhado por Marta Ferreira, no GAIL da Vila do Castelo. Tratava-se de um agregado familiar, composto por um casal com problemas de alcoolismo crónico e uma filha deficiente mental. Um caso que já no decorrer do processo de acompanhamento social, envolveu ainda violência doméstica.

A esposa foi sujeita, em Janeiro a um tratamento de desintoxicação, foi integrada num centro de dia, e a filha na APPACDM da Maia. Só que o marido, que não se tratava, porque não admitia que era alcoólico, não deixava a mulher e a filha saírem de casa para frequentarem as instituições onde tinham sido integradas. Uma situação que obrigou, por diversas vezes, à intervenção da GNR. “Chegamos ao ponto de ter de fazer o internamento compulsivo do senhor. Continua internado, e quando sair de lá irá ser integrado numa estrutura para tratamento, e depois, voltar à família. Para nós foi um caso de sucesso, porque sabíamos que todos os dias havia violência doméstica, conseguimos interná-lo compulsivamente, e agora, a família já tem as condições para, um dia, o receber”, conta Marta Ferreira. Mesmo com o internamento do marido, a família continua a ser acompanhada.

Fernanda Alves