Animais Nocturnos peça residente do “Fazer a Festa”

A peça “Animais Nocturnos”, de Juan Mayorga, é a peça residente da 28ª edição do “Fazer a Festa – Festival Internacional de Teatro” deste ano, que, pela primeira vez deixou o Palácio de Cristal, no Porto e mudou-se para a Quinta da Caverneira, em Águas Santas. O espectáculo, encenado por Renata Portas, teve a estreia nacional no passado sábado, às 21h30 e ainda pode ser visto até dia domingo, dia em que termina a iniciativa organizada pela companhia de Teatro Art’Imagem.

Animais Nocturnos, pretende passar uma mensagem política relacionada com a imigração ilegal, contou a encenadora. “Fala de uma lei que existe em Espanha e é uma lei que incita os naturais do país a denunciar os cidadãos ilegais e um homem, que é o bom vizinho, aproveita-se dessa lei no fundo para ir buscar um amigo. Faz uma chantagem, pede-lhe tempo, pede-lhe que lhe conte uma anedota, uma história”.

Depois, acrescenta a encenadora, a ideia é descobrir se se trata apenas de uma história de solidão, “alguém em busca de uma amizade”, ou o lado político que Renata Portas acredita que o autor “quis acentuar”. “Esta diferença, este abismo que existe entre os imigrantes e os naturais”, ressalva.

Renata nasceu em S. Paulo, no Brasil. É filha de pais portugueses e veio para Portugal muito cedo. Por isso mesmo, afirma estar “completamente enraizada”. No entanto, “muito assustada que vêm aparecendo nos últimos anos nos jornais, sobretudo numa Europa que se quer aberta para os europeus mas que se fecha cada vez mais para os de fora”. Daí ter entendido que tinha chegado a altura de utilizar o palco para abordar a temática. Foi isso que a fez pegar no texto de Juan Mayorga.

E o final da peça “é suficientemente” aberto para que o público faça as suas próprias leituras. “Pelo menos serve para que as pessoas pensem sobre isto. Que gostem, que desfrutem, que gostem das outras coisas, das relações humanas mas que regressem a casa e discutam esse lado mais políticos porque somos todos animais políticos”, sublinha a encenadora.

E como a peça quer fazer passar uma mensagem política, Renata Portas falou, ainda, da questão política que fez com que o local de realização deste festival deixasse de ser o Palácio de Cristal no Porto para passar a realizar-se na Quinta da Caverneira, na Maia. Uma mudança que a deixou triste, até porque foi enquanto espectadora que conheceu “o fazer a festa”. “Eu comecei a ver teatro no Fazer a Festa”, era um dos poucos festivais realizados no Porto, tinha escolas, tinha profissionais, tinha amadores, tinha de tudo e esta ideia é maravilhosa”, afirma.

Nessa altura, sonhava com o dia em que ia participar não na qualidade de espectadora, mas sim como parte activa dos espectáculos. E o momento chegou. Por isso, Renata Portas não esconde que a expectativa é “enorme”. “Voltar como criadora é muito bom”.

Até domingo, ainda vão passar muitas peças de teatro pelo Monte da Caverneira. Os espectáculos das 15h30 e das 19h00 são de entrada gratuita. Para todos os outros o preço do bilhete custa três euros.

Isabel Fernandes Moreira

Agenda

Quinta-feira, 30 Abril

19h00 “Uma Carta a Cassandra”

21h30 “Más de Mil Jueves”

23h30, “Trinspira”.

Sexta-feira, 1 de Maio

15h30 “O Capuchinho, a avozinha, o lobo mau e talvez o caçador”

19h00 “A minha mulher”

21h30 “Memórias de Branca Dias”

23h30 “Invasão”.

Sábado , 2 de Maio

15h30 “Marionetas na Quinta”

21h30 “Candim”

23h30 “Começo de um dia de Verão muito bonito”

Domingo, 3 de Maio

15h30 “Puppetologia”

16h30 “Ice Box”

21h30 “Soltando os Cachorros”

23h30 “Photo Theatro”