GNR deve estar mais próxima das áreas de intervenção

 

Nestes quatro anos, S. Pedro de Avioso ganhou um novo espaço de lazer, o Parque de Avioso e a linha de metro. Foram valências positivas para a freguesia?

Começando pelo Parque de Avioso, é e não é. Não quer dizer que algumas pessoas de S. Pedro ou da Maia não vão para lá, mas a maior parte do pessoal que vem é de fora. E o que me custa muito é ver alguém que não é da casa, a estragar a casa do outro. Não me dá para estar lá muito tempo, porque vejo a fazerem lá dentro coisas que não se deve.

Veio favorecer a freguesia, mas não se justifica que as pessoas de S. Pedro tenham de dar a volta para entrar pelo portão de cima. Podiam entrar logo pelo portão de baixo, porque é o acesso mais directo pela freguesia. Até podiam entrar a pé, deixando de ocupar os lugares de estacionamento do parque. Agora em Junho, sei que vão abrir, mas acho que, pelo menos aos fins-de-semana deviam abrir o portão de baixo.

E já transmitiu essa ideia aos responsáveis da Câmara da Maia?

Já, e penso que isso se vai conseguir. Mas também tem sempre custos. Implicava ter mais um segurança naquele portão. O que eu também não vejo com bons olhos é o restaurante estar aberto até às 23h00, porque o parque encerra às 21h00. Mas se alguém disser que quer ir ao restaurante, o segurança tem de deixar entrar. Devia haver outro tipo de segurança, porque qualquer pessoa pode dizer que vai para o restaurante e não vai. Depois do mal feito, vamos pôr trancas à porta?

E o metro?

O metro traz sempre vantagens, basta ser de 15 em 15 minutos, enquanto que antes o comboio era de hora em hora. Mas há pessoas que preferem entrar no Castelo do que na estação do Ismai, quando se deslocam de carro ou a pé, em dias de chuva ou à noite. A estação do Ismai, para mim, está desabrigada e desprotegida. Mas será ainda mais uma mais valia para S. Pedro quando tivermos lá as outras duas estações da linha da Trofa. Porque, de resto, S. Pedro continua muito mal em termos de transportes.

Por exemplo, quem vive no cimo de Quirás não tem transporte. Tem de ir a pé ou de carro particular. Temos uma empresa de transportes, mas fico um bocado envergonhado quando as pessoas me perguntam a que horas é que passa a camioneta, porque não consigo responder. Não há um horário certo. Estamos piores do que estávamos antigamente.

São situações que prejudicam a população e também o seu trabalho. Gostava de puder oferecer melhores condições à população?

Sim. Ainda agora fizemos um protocolo com o Centro Social, porque eles têm uma carrinha, para levarem os doentes ao centro de saúde ou para fazerem análises. Mas mais do que isso, não.

Na área da segurança, há muito que a Vila do Castelo reivindica a instalação da GNR. O quartel já está construído, mas a sua abertura tem sido constantemente adiada. Já sabe quando é que, finalmente, vai abrir?

Não sei. O Governo é que poderá dizer alguma coisa. Aquilo que sei é que da parte da câmara, está tudo pronto. Não tem lógica a GNR estar no centro da Maia, que é da área de intervenção da PSP. Não está lá a fazer nada. A lógica é ter um posto numa das suas áreas de intervenção, como é o caso da Vila do Castelo. Ao menos, podem actuar mais rápido, em caso de necessidade.

Tem sentido um aumento da insegurança em S. Pedro de Avioso?

Alguma. Não tem havido grandes assaltos, há um certo receio de sair à noite, e às vezes vê-se certas coisas que dá para ficar desconfiado. Se tivéssemos a guarda à beira, podíamos fazer uma chamada a pedir para ver o que se passa. Ainda há poucos dias, de sexta para sábado, alguém disse-me no café que estavam uns tipos à porta de casa dele a meter uns carapuços dentro da cabeça e que se meteram dentro do carro. E depois, vimos no jornal que nessa noite houve para lá uns assaltos.

Disse no início desta entrevista que, neste mandato, já conseguiu fazer algumas coisas. Nomeadamente o quê?

Aquilo que prometi, foi um recreio coberto na escola EB1 do Ferronho. Foi a única promessa que fiz, mas tudo o que possamos fazer, fazemos sem estar a olhar para o manifesto. Na escola, não se fez só o coberto. Fez-se mais duas salas, uma de informática e uma sala polivalente. E aproveitamos para colocar um piso novo no recreio. Era em saibro solto, que encharcava muito nos dias de Inverno. Foi uma mais valia que dará para uns anos.

Recandidatura

Foi eleito com maioria absoluta. Conseguiu seis mandatos que lhe permitiu governar a freguesia de forma tranquila. Acredita que vai ser possível obter o mesmo resultado, nas eleições de Outubro?

Ora bem, eu ainda não disse se vou recandidatar-me.

Então, vai recandidatar-se?

Daqui por 15 dias já poderei dar a certeza se vou candidatar-me. Não quer dizer que esteja desiludido ou que não vou candidatar-me. Há uns certos factores que terei de analisar e ponderar, mesmo a nível pessoal.

É complicado estar no papel de presidente de junta, tendo em conta as limitações financeiras das freguesias e de nem sempre conseguir fazer o que queria?

Torna-se muito difícil. Mas eu já sabia das dificuldades que ia ter de enfrentar, quando aceitei candidatar-me para este mandato. No tempo do senhor Jaime Pinho, eu era o tesoureiro, mas era eu que tratava de quase tudo. Era eu que estava mais próximo da população. Tratava das questões do cemitério, dos buracos nas ruas. O senhor Jaime Pinho tinha confiança em mim. Desde o nosso primeiro mandato, todas essas responsabilidades ficavam comigo.

Por isso, agora, sinto-me mais à vontade nas funções de presidente. Sou eu que trato pessoalmente de todos os problemas que aparecem.

Sente-se frustrado quando não consegue ir de encontro aos desejos da população?

Sim, mas quando me pedem alguma coisa, eu digo logo às pessoas que, da minha parte, o que puder fazer, faço logo de um dia para o outro. Aquilo que não puder fazer, que seja da responsabilidade da câmara, não prometo nada. Eu estou na política, mas ao mesmo tempo, digo que não sou político, porque não gosto de mentir. E para mim, os políticos que me perdoem, mas muitas das vezes mentem às pessoas.

Mas também a câmara, penso que muitas das vezes quer fazer mais, mas também não pode. Nós somos pequeninos ao pé da câmara, mas a câmara também é pequenina ao pé do poder central. Por muita boa vontade que tenha, às vezes também leva com um não.

É praticamente um filho da terra. Foi para S. Pedro de Avioso com apenas dois meses de idade. Agora que é presidente, sente o apoio da população? Sente que da parte deles, pelo menos daqueles com quem se relaciona há mais anos, há vontade de o apoiarem para um novo mandato?

Ora bem, penso que sim. Mas prefiro não falar nisso.

Está mais inclinado para se candidatar ou para não se candidatar?

Mais para me candidatar.

E gostava que fosse com a mesma maioria absoluta?

Com certeza. Toda a pessoa que se candidata tenta fazer o seu melhor para conseguir vencer com a maior percentagem de votos possível.

Caso seja eleito, a sua grande prioridade será a construção do Centro Cívico?

Sim, o Centro Cívico e o alargamento do cemitério, porque neste momento, temos o cemitério praticamente superlotado. Neste momento, não temos espaço para vender jazigos.

Fernanda Alves

FRASE

“Eu estou na política, mas ao mesmo tempo, digo que não sou político, porque não gosto de mentir. E para mim, os políticos que me perdoem, mas muitas das vezes mentem às pessoas”