Câmara da Maia contesta critérios dos GIP

Foram conhecidos em Abril os resultados das candidaturas à criação de Gabinetes de Inserção Profissional (GIP). A Maia foi contemplada com alguns, mas o número fica aquém do desejado pela Câmara Municipal da Maia, que reagiu de imediato com “enorme espanto e profunda indignação”. Sobretudo porque as candidaturas deferidas deixam “a descoberto o território respeitante a dez freguesias, ou seja, a mais de 50 por cento do total de freguesias” do concelho, pode ler-se num comunicado emitido no último dia do mês de Abril, subscrito pelo presidente Bragança Fernandes.

O documento analisa os resultados, lamentando que tenha sido indeferida a candidatura à criação de um GIP em Pedrouços, apresentada pela câmara e pela junta, para uma freguesia que é “das mais populosas do concelho e que maiores índices de pobreza e de exclusão social apresenta”.

O mesmo desfecho tiveram as candidaturas apresentadas pela Câmara da Maia e pelas respectivas juntas para as freguesias de Nogueira, Santa Maria de Avioso, S. Pedro de Avioso, Barca, Gemunde, Folgosa, S. Pedro Fins e Silva Escura, assim como a candidatura da Junta de Freguesia de Moreira para uma faixa do concelho que “apresenta uma elevada taxa de desemprego”, alerta a edilidade. Bragança Fernandes junta-lhe, ainda, a candidatura para a freguesia de Vermoim e de Vila Nova da Telha.

O que mais espantou a câmara municipal foi o facto de terem recebido luz verde as candidaturas para a abertura de GIP apresentadas pelas juntas de freguesia de Milheirós, Gueifães e Gondim, “por casualidade três freguesias afectas ao Partido Socialista, quando as duas primeiras confrontam entre si e dispõem de boas acessibilidades ao Centro de Emprego da Maia e a freguesia de Gondim é a que apresenta, ao nível do concelho, o segundo menor número de desempregados”, argumenta a autarquia no comunicado.

Isto a somar ao deferimento da candidatura da Socialis – Associação de Solidariedade Social, pela proximidade desta instituição com o Centro de Emprego da Maia, concluindo que está “afastada menos de 500 metros”. Isto quando a portaria que define a criação dos GIP inclui nos critérios de análise e hierarquização das candidaturas “a menor acessibilidade aos centros de emprego”.

A PRIMEIRA MÃO, o presidente da Câmara da Maia esclarece não se opor à existência dos GIP acima referidos. Pelo contrário, “eu aplaudo que todas as juntas tenham Gabinetes de Inserção Profissional”, sublinhou Bragança Fernandes, embora defendendo que “todas as juntas de freguesia sejam tratadas de igual forma”.

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Importa ainda recordar que a visão da autarquia era diferente há cerca de um mês. No final de Março, questionado sobre a intenção da Câmara Municipal da Maia de avançar, ou não, com alguma candidatura à criação de um Gabinete de Inserção Profissional, o presidente considerava não ser necessário, sublinhando a criação de postos de trabalho no concelho ao mesmo tempo que outras empresas fechavam as portas. Isto numa altura em que “o Governo está a escolher os concelhos em que o desemprego é mais abundante”, considerou Bragança Fernandes. Confrontado agora com estas declarações, o autarca  responde usando a expressão “O futuro a Deus pertence”, assumindo a criação dos GIP como uma forma de “acautelar o futuro”.

Marta Costa