Deolinda e Cristina Branco no Festival de Música da Maia

Deolinda foi a maior revelação musical do ano de 2008. Com o lançamento, em Abril, do CD de estreia, “Canção ao lado”, o quarteto lisboeta tornou global aquilo que alguns privilegiados já conheciam das primeiras actuações do grupo. Deixaram um círculo restrito de fãs para ganharam muitos apreciadores em todo o país. Não tardou ao disco chegar ao top dos mais vendidos, onde permaneceu durante mais de quatro dezenas de semanas nos 10 mais vendidos. Para um mercado como o português, é obra.

O quarteto apresenta-se amanhã à noite no Fórum da Maia.

Há um mês atrás ocupavam o oitavo lugar na tabela europeia (mensal) de world music europe charts, resultado da soma de uma selecção individual de especialistas do género musical de 23 países europeus. Neste mês de Maio subiram ao quarto lugar.

Para o espectáculo desta noite aguarda-se o habitual. Com grande à-vontade em palco, onde se sentem como se estivessem, de facto, numa sala de estar de uma qualquer quarentona, e solteirona, lisboeta dos nossos dias, Deolinda não se limita a percorrer as canções do disco que quase todos conhecem.

Pedro da Silva Martins (composição, textos, guitarra clássica e voz), Luís José Martins (guitarra clássica, ukelele, cavaco, guitalele, viola braguesa e voz), Zé Pedro Leitão (contrabaixo e voz), e Ana Bacalhau (voz) interagem com o público, apresenta as canções, antecipando a história de cada tema, uns com mais detalhe, outros com menos. Puxa de uma cadeira para cantar um tema cuja história se passa nos transportes públicos, pula quando o ritmo assim aconselha, transforma em momentos intimistas as palavras mais suaves. Não está ali, em palco, só para cantar. Naquele momento, ela é Deolinda, a cantora lisboeta que já deixou a camisa branca de folhos e a saia vermelha à moda antiga, mas ainda continua a estimar os seus naperões, cuidadosamente espalhados pelos móveis da sala (aqui são as colunas de som junto ao palco).

No sábado, será a vez de Cristina Branco, com um concerto que apresentará algumas das suas melhores facetas de intérprete, incluindo uma homenagem a Amália, além de um conjunto de belas canções escritas por alguns dos melhores compositores portugueses, no domínio da música pop e ligeira portuguesa, como Jorge Palma, Mário Laginha, Sérgio Godinho, Zeca Afonso, entre outros.

É digno de nota, o facto da cantora ter ganho um prémio, atribuído já há vários anos, pela revista francesa – Le Monde de la Musique -, a cantora revelação desse ano, distinção conferida por um júri internacional, constituído por especialistas de vários países que colaboram, como críticos, na sua secção dedicada à World Music (Musique du Monde).