Fazer a Festa na Maia foi um “êxito”

 

Chegou ao final a 28ª edição do “Fazer a Festa – Festival Internacional de Teatro”.

O evento organizado pelo Teatro Art’ Imagem decorreu entre 25 de Abril e 3 de Maio, na Quinta da Caverneira, em Águas Santas, Maia. Foi a primeira vez, em 28 anos de vida, que o festival saiu da cidade do Porto. Um facto que marcou a edição de 2009. As razões são mais que conhecidas – a falta de apoio por parte da Câmara Municipal do Porto.  Em comunicado, o grupo de teatro refere que “a política cultural do executivo da cidade do Porto não tem dignificado nem respeitado os agentes culturais e artistas, nem procurado dinamizar ou solidificar a oferta cultural para os seus munícipes”. Daí, ter tomado a “dolorosa” decisão de mudar de local a edição deste ano do Fazer a Festa, deixando para o próximo ano o regresso à aquela que é considerada a casa deste festival, os jardins do Palácio de Cristal, no Porto.

Assim, na Maia e durante os oito dias do Fazer a Festa foram apresentados 19 espectáculos, seis dos quais ao ar livre, 29 representações que tiveram cerca de quatro mil pessoas a assistir. Os espectáculos estiveram distribuídos pelo grande auditório do Fórum da Maia, auditório da Quinta da Caverneira e pela tenda Café-Teatro montada no exterior do palacete da Caverneira.

Pelo palco do festival passaram 20 companhias de teatro de Portugal, Itália e Brasil. Agora que chegou ao fim, a ideia que fica é que o festival foi um “êxito”, de acordo com o director do Teatro Art’ Imagem, José Leitão. E chega mesmo a dizer que o Fazer a Festa até poderia ficar para sempre na Maia, “mas acontece que este festival nasceu no Palácio de Cristal, no Porto, e este é um festival do Porto, e que só este ano, por razões de todos conhecidas é que veio para a Maia”.

A mudança de local não impediu que o evento fosse um êxito. “Conseguiu captar muita gente das redondezas, tivemos também muito público que veio do Porto. Quatro mil pessoas passaram pelo festival. Isto quase que nos obriga a pensar a Quinta da Caverneira num outro contexto. As pessoas vão ficar à espera de novas coisas”, diz José Leitão. Refira-se que o grupo de teatro estabeleceu com a autarquia um protocolo de cinco anos, renovável, que lhe permite usar a Quinta da Caverneira como palco das suas iniciativas. E tendo em conta a procura que o festival teve, José Leitão diz que vai ser necessário apostar em novas iniciativas, na Maia. Para já, estão já programadas acções para os fins-de-semana de Junho. “Estamos a pensar numa programação que potencie aqueles belíssimos jardins e que dê resposta não só à Maia mas também a toda a zona envolvente da Quinta da Caverneira”, adianta.

A experiência na Maia veio mostrar, na opinião de José Leitão, a “maturidade” do grupo de teatro, que em apenas 15 dias transferiu o festival para um espaço diferente do inicialmente previsto.

O apoio da Câmara Municipal da Maia foi “fundamental” para a realização do evento, “e quem ficou a ganhar foi o público da Maia e também nós que acabamos por conquistar outros públicos”. José Leitão salienta ainda o apoio recebido por parte das escolas que já tinham programadas as deslocações à Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no âmbito do Fazer a Festa. “Quando os informamos que o festival ia mudar e lhe explicamos a situação, todas elas aceitaram vir à Maia ver os espectáculos e disseram que uma coisa como estas não podia morrer”, salienta. Os espectáculos para as escolas decorreram no grande auditório do Fórum da Maia.

Mais de 100 pessoas no MAD

Em paralelo ao Fazer a Festa a Quinta da Caverneira recebeu a 1ª edição da MAD – Mostra Anual de Dramaturgia. Um fórum teatral cujo objectivo principal é incentivar a nova dramaturgia portuguesa e que consistia na apresentação, sob a forma de leituras encenadas, de peças inéditas. Passaram mais de 100 pessoas pela mostra, entre actores, autores e dramaturgos. “Utilizamos vários espaços da Quinta da Caverneira, desde o ar-livre até às diversas salas do palacete. Foi uma nova vertente que abrimos, uma espécie de novo festival mais ligados aos homens que escrevem e encenam”, explicou José Leitão. Uma iniciativa que deverá ser repetida no próximo ano, com mais algumas novidades, de acordo com o director do Teatro Art’ Imagem.

Regresso às origens

Para o ano, com ou sem apoios da Câmara Municipal do Porto, o Teatro Art’ Imagem garante que o festival vai regressar aos jardins do Palácio de Cristal, no Porto, onde tudo começou. “É vidente que reivindicamos para nós os apoios que um festival deste tipo determina, mas se o próximo executivo da câmara do Porto achar que não deve dar subsídios, tem todo o direito democrático de não dar, o que não tem é dizer que dá e depois não dar. É isso que nós contestamos”, refere o director, José Leitão. É óbvio que, com apoios do município, o festival terá outro tipo de dimensão. “É um festival que permite fazer uma programação mais alargada. Mas se não tivermos apoios, teremos de fazer um festival mais pequeno. Temos vindo a trabalhar ao longo de 28 anos em diversos contextos e sabemos o que poderemos fazer”, assegura o director da companhia de teatro.

Fernanda Alves