Carreira e “sacrifícios” reconhecidos

Cerca de quatro anos depois, repetiu-se a tradição: a homenagem da Câmara Municipal da Maia aos professores do primeiro ciclo do ensino básico e educadores de infância jubilados que leccionaram no concelho.

Este ano, foram distinguidos 115, que se aposentaram entre 2004 e o ano passado. Receberam uma estatueta personalizada e um livro que reúne o percurso de cada um destes professores.

Entre este vasto número de docentes reunidos no almoço de ontem, em S. Pedro de Avioso, estavam Marcelina Ferreira e Maria Helena Freitas. Entre muitas outras escolas, ambas passaram por Currais.

No caso de Marcelina Ferreira, actualmente com 56 anos, aposentou-se em Novembro de 2007, ao fim de 32 anos de serviço. E de muitas viagens. Na sua actividade profissional, passou por escolas de Paredes, Penafiel, Gondomar ou Vila do Conde, antes de vir para a Maia, onde esteve 12 anos a leccionar.

Apesar dos “muitos sacrifícios”, relacionados com as inúmeras viagens e, em muitos casos, por difíceis acessos, confessa guardar ainda hoje “muitas recordações de bons alunos, maus alunos”. Na memória ficam também os casos que os próprios pais recorriam à escola, e à professora em particular, por questões familiares. E não esquece, por exemplo, uma mãe de Penafiel “que foi à escola pedir ajuda porque o marido a queria matar”. Por tudo isto, Marcelina Ferreira congratulou-se com esta distinção da autarquia, por “darem valor aos professores pelos sacrifícios que passaram, por terem educado e ensinado as crianças a crescer”.

Maria Helena Freitas destacou também esse reconhecimento, confessando ser uma “honra”. A carreira de docente, pela qual foi distinguida no sábado, começou nos Carvalhos, passando depois por Santo Tirso, Pedrógão Grande e, só depois, em Currais. E “gostei daquilo que fiz. Fui para professora porque era, exactamente, isso que pretendia ser”, revelou. Não só pela faceta de ensinar, mas por outra que consideram tão importante: comunicar. Sem esquecer que, nestes 32 anos de serviço, também aprendeu com os seus alunos. De conhecimentos novos, cita como exemplo os aspectos tecnológicos como “mais possibilidades de aprendermos, também”.

“Justa homenagem”

Para o vereador do pelouro da Educação da Câmara da Maia, esta foi mais “uma justa homenagem”, feita numa altura em que assumiram novas missões de vida. E esta “profunda gratidão” por parte da autarquia é também uma “forma a premiar esse trabalho e essa missão desenvolvida”, acrescentou Nogueira dos Santos, sublinhando que contribuíram também para que “no concelho da Maia a educação esteja num patamar de eleição”.

Já o presidente da câmara, Bragança Fernandes, classificou esta homenagem como um autêntico “dever” de reconhecimento dos professores e educadores que já passaram pelas escolas da Maia. E que, “por vezes, fazem de pais e de mães”, advertiu o autarca. Ao mesmo tempo, o evento possibilitou reencontros e convívio entre os profissionais distinguidos.

Neste almoço, intercalado com a homenagem aos 115 professores jubilados estavam presentes outros elementos ligados às escolas, mas também presidentes (ou representantes) de juntas de freguesia e até forças de segurança. Todos eles parceiros do Conselho Municipal de Educação.

Marta Costa

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