Opinião Lídia Branco: “PS da Maia em ‘Estado de Sítio’”

Um Senhor Deputado Municipal Socialista, na semana passada e neste mesmo jornal, publicou um artigo de opinião intitulado “PSD Maia em dificuldades” que bem poderia ser um conto de ficção científica baseado numa realidade. Só que essa realidade, repleta de dificuldades, é uma realidade do PS da Maia – e não do PSD – que o autor do citado artigo, num excelente exercício de criatividade literária, pintou na paredes alheias as tintas da sua própria casa.

Dificuldades -e muitíssimo sérias – vive o PS da Maia, senão vejamos: pela primeira vez, em muitos anos, sofreu uma derrota nas eleições europeias no nosso Concelho, não consegue obter unanimidade à volta do seu próprio candidato à Câmara Municipal, não consegue definir nem a lista para a Assembleia Municipal, candidaturas que estão a ser objecto de uma verdadeira “luta de galos e galifões”, cada um querendo ser líder dos demais, transformando o PS da Maia num verdadeiro campo de batalha de uma “guerra de alecrim e manjerona”.

Na verdade, o PS da Maia está sem qualquer projecto político consistente, a não ser os vários projectos de poder pessoal que competem internamente. Todos querem liderar, todos se querem posicionar para o “day after” que será na própria manhã do dia seguinte às próximas eleições autárquicas, contados os votos, e reconfirmada a maioria absoluta do PSD. Esse “day after” vai ser terrível, vai assemelhar-se à germânica “Noite das Facas Longas”.

Em qualquer outro concelho da área metropolitana do Porto – excepto na Maia -as candidaturas socialistas estão bem definidas e estabilizadas. Por cá é um “rega-bofe” de lutas intestinas e de penosas indefinições que nem o azul celestial para os cartazes do candidato consegue disfarçar.

A candidatura autárquica do PS é uma falácia política, destinada apenas a consumo interno, pautada por iniciativas avulsas e por desnorte absoluto próprio das iniciativas sem estratégia. É verdade que não pode haver estratégia. Não há estratégias possíveis quando não existem projectos.

É absolutamente ridículo que vivendo tamanhas dificuldades, o PS se preocupe com o que se passa no PSD, quando no PSD apenas se passa mais do mesmo: obra feita, projecto de futuro e protagonistas perfeitamente definidos. O PS da Maia bem podia utilizar a óbvia criatividade literária de pessoas como citado Senhor Deputado Municipal, autor do artigo em causa, para alinhavar umas ideiazitas públicas para o concelho da Maia, em vez de estar a perder tempo em rendados e floreados politiqueiros em relação aos seus adversários.

Nesta sua perda de tempo o PS da Maia contribuiu para o crescimento, absoluto e à sua custa, de toda a esquerda.

Na verdade, quer nacionalmente quer localmente, o PS é a melhor muleta da esquerda, tal é a inabilidade política do partido rosa.

O PS da Maia não vive apenas momentos de dificuldade, o PS da Maia está em verdadeiro “estado de sítio”. Um “estado de sítio”decretado pelas ambições pessoais, pela ânsia de protagonismos e pela nítida ausência de liderança.

Elemento da Comissão Política do PSD/Maia