Alunos de percursos curriculares alternativos recebem diplomas

Começaram por ser 23, mas só chegaram ao fim 11 alunos. Problemáticos, mas com direito a diploma. Na biblioteca da Escola EB 2,3 de Nogueira da Maia, foram entregues, na terça-feira, os certificados de conclusão à turma de percursos curriculares alternativos. Ao fim de três anos de escolaridade e com este diploma, os alunos têm agora equivalência ao 9.º ano de escolaridade.

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"Alunos complicados e que deram muito trabalho", segundo a directora de turma, Ana Maria Garrido. Mesmo assim, a docente não traça um cenário negro da turma e adianta que "são pessoas carentes e que gostam das pessoas". Os problemas surgem no plano académico, onde se revelaram "irrequietos e desmotivados". Revela também que "os alunos pouco ligavam à escola". Tornou-se desde logo necessário contrariar esta tendência e foram criadas turmas de percursos curriculares alternativos, para tornar possível a conclusão do 9.º ano a alunos mais problemáticos. Objectivos "que não foram atingidos na totalidade", já que muitos alunos não chegaram a concluir os três anos de plano educativo "por motivos vários". Alunos que desistiram e um caso mais grave, como confessa Ana Maria Garrido. "Apenas um aluno revelou um comportamento desviante e trouxe muitos incómodos à escola. Só esse aluno é que é da nossa responsabilidade. Os outros abandonaram a escola e foram para o mercado de trabalho". Divididos por duas turmas, começaram por ser 23 alunos, e ao fim do segundo ano de percurso alternativo, já só restavam 17. Três desses alunos que abandonaram a escola "foram para cursos de formação de empregados de mesa, porque o currículo deles assim o justificava", acrescenta Ana Maria Garrido.

Os percursos curriculares alternativos contaram com o apoio da Câmara Municipal da Maia, através da contratação de um engenheiro agrónomo que ministrou aulas de jardinagem aos alunos. Protocolo possível graças à estreita colaboração entre o conselho executivo da EB 2, 3 de Nogueira da Maia e a edilidade maiata. O vereador da Educação da Câmara da Maia, Nogueira dos Santos, diz que "para o curso se desenvolver adequadamente, a Câmara contribuiu para a contratação de dois técnicos, numa primeira fase, e de um engenheiro agrónomo num período posterior". Desta forma, "todos os alunos puderam receber os conceitos certos para a prática da jardinagem".

Uma taxa de sucesso relativo num conceito que procura despertar o interesse pela escola em alunos mais problemáticos.