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“Falta-me ver concretizado o novo centro escolar de S. Pedro de Fins”

Presidente da Junta de S. Pedro Fins deve abrir em breve o Centro de Dia

Centro Escolar é a próxima grande prioridade de Marques Gonçalves, que se recandidata em Outubro

Primeira Mão – Estamos a três meses do fim deste seu mandato à frente da Junta de Freguesia de S. Pedro de Fins, que balanço se pode fazer?

Marques Gonçalves – O balanço é necessariamente positivo, se atentarmos ao nível de concretização dos nossos compromissos. Poderei mesmo dizer que em muitas áreas superámos as nossas expectativas. No entanto, em relação a esta matéria, temos sempre uma atitude de pro-actividade, que visa aproveitar algumas oportunidades que vão surgindo. E daí termos superado claramente aquilo que foi o nosso compromisso.

Qual foi o grande trunfo deste mandato?

Foram muitos, mas sei que normalmente as pessoas relacionam isso com uma ou duas obras. Eu poderei citar a obra do Centro de Dia como aquela que me deu mais gozo fazer, até pela dificuldade que esteve subjacente à sua construção. Dificuldades desde logo no financiamento, e depois porque implicou gerir com algum cuidado outro tipo de sensibilidades com outras envolventes. Concretamente uma associação que ocupava a cave desse edifício e que foi necessário realoja-la. Encontrar um local alternativo de uma forma transitória porque eles irão ocupar o mesmo espaço, entretanto renovado. Mesmo com a paróquia que nos cedeu uma parte de modo a permitir que nós tivéssemos um acesso melhor. E depois, o financiamento em si que resultou de uma aposta que fizemos na apresentação da candidatura aos fundos europeus, que teve o mérito de ser contemplada e que nos permitiu, junto da Câmara Municipal, conseguíssemos uma outra parte que possibilitou avançar com a obra e hoje estar quase concluída.

Quanto é que está a custar essa obra?

A obra, depois de estar feita, deve rondar os 200 mil euros. O que não sendo muito dinheiro, nos dias de hoje é uma verba considerável para uma Junta como S. Pedro de Fins.

Qual é a componente comparticipada pelos fundos europeus?

São cerca de 64 mil euros, o que corresponde a menos de 30 por cento. Da parte da Câmara Municipal temos cerca de 60 por cento. Para a Junta de Freguesia restaram cerca de 10 por cento que já conseguimos arranjar. Nós somos uma Junta equilibrada, não temos gastos supérfluos e procuramos investir as poucas poupanças que ainda vamos conseguindo na concretização de alguns sonhos. Eu acho que estar numa Junta de Freguesia sem poder sonhar é demasiado frustrante.

O Centro de Dia vai abrir quando?

Está na fase final. A inauguração está prevista ou para o final do mês de Julho ou durante o mês de Setembro. Ainda vai depender de alguns detalhes relacionados com acabamentos e com o equipamento. Principalmente com o equipamento porque de acabamentos, neste momento, só falta mesmo a pintura. Entretanto, nós já estamos a preparar o programa, os estatutos, toda essa componente administrativa que é preciso tratar previamente para quando abrirmos as instalações, termos tudo no sítio.

Quem vai gerir o Centro de Dia? Será a Junta de Freguesia?

Numa primeira fase, inclino-me para que seja a Junta de Freguesia porque primeiro, pelo que sei, neste momento, a Segurança Social não está a fazer protocolos com nenhuma instituição, depois, porque fazermos um protocolo implicaria que perdêssemos alguma autonomia sobre o equipamento, ou seja, num cenário desses, a Segurança Social poderia lá colocar as pessoas que entendesse, desde que necessitasse. E eu acho que foi um esforço muito grande e que deve, em primeiro lugar, ser dedicado às pessoas da freguesia. Se no futuro viermos a concluir que não temos adesão suficiente para optimizar o espaço, então aí teremos que pensar em soluções alternativas, como alargar a outras entidades. Mas nesta primeira fase não queria fazê-lo porque o exemplo que temos é que facilmente a Segurança Social coloca lá pessoas de outros concelhos.

Qual a capacidade que calcula ser adequada?

Entre 15 a 20 pessoas. Pela área disponível, pelo que a legislação impõe e o equipamento será também para esse número.

Já está a pensar em como será o funcionamento diário do Centro de Dia?

Já tenho essas coisas mais ou menos alinhavadas. Nós já temos um projecto-piloto que funciona na Junta de Freguesia há quatro anos com um grupo de idosos, onde são desenvolvidas várias actividades como por exemplo ateliers, ginástica ou passeios culturais. É um bocado assente nesse modelo que pretendemos que seja. Só que em vez de um dia por semana, como é agora na Junta, passe a ser cinco dias por semana.

Portanto, vai funcionar somente nos dias úteis?

Em princípio, somente em dias úteis. Só se houver alguma razão excepcional que se justifique é que não será assim, mas como isso se traduz em custos teremos que, naturalmente, equacionar essas questões.

Que equipa vai constituir o núcleo de funcionamento do Centro?

A equipa vai ter uma pessoa a dirigir, que já está pensada, vai ter uma pessoa administrativa e terá um técnico com formação na área de ocupação de tempos livres. Vai funcionar com três pessoas. Isto porque nós sabemos que os tempos estão difíceis e temos que estabelecer uma mensalidade que simultaneamente cubra os custos mas que também permita que as pessoas tenham disponibilidade financeira para aderir. Dai criarmos uma estrutura o mais leve possível, de forma a que os custos fixos sejam baixos e para podermos praticar uma mensalidade atractiva às pessoas.

Já há algum valor previsto?

Já. São valores que não têm nada a ver com o que se pratica no mercado. Mas, dependendo de ter ou não refeição, os valores vão variar entre 75 e 150 euros.

As refeições serão fornecidas por uma entidade externa?

Sim. Inicialmente essa foi uma questão que nós estudámos, mas entendemos que ter uma cantina e uma cozinha num equipamento daqueles englobaria um conjunto de custos e responsabilidades que acho que não compensa. Por isso, é preferível contratarmos fora e servirmos a um preço acessível.

O Centro de Dia vai ficar nas instalações da antiga Junta de Freguesia?

Exactamente. É um edifício que teve de ser melhorado, porque estava a cair, aliás o próprio telhado já estava ameaçar ruína. Foi uma oportunidade de requalificar o edifício, alargá-lo, hoje tem uma dimensão totalmente diferente, passou a ter uma área três vezes superior à que tinha. Foram feitas outras alterações, o acesso deixa de ser frontal e passa a ser lateral, para permitir que as pessoas circulem com maior segurança, não saiam directamente para a rua. Foram também criadas outras valências, como duas salas para ateliers, uma sala para cuidados médicos, que é um serviço que queremos prestar e fazer uma parceria com uma clínica ou com outra entidade médica que possa prestar cuidados médicos primários aos utentes, e depois tem a sala de convívio que será o espaço fundamental do próprio equipamento.

Saúde

Vemos falar então de saúde. É uma batalha perdida, aquela que a junta protagonizou há uns anos, de querer criar uma unidade de saúde na freguesia?

Não sou pessoas de baixar os braços. Portanto, lutarei sempre para que isso se concretize. Tenho consciência das dificuldades, sabemos hoje que esse modelo foi alterado, entretanto, o próprio concelho sofreu uma profunda alteração em termos de equipamentos e que se traduziu numa melhoria clara no serviço à população. Mas eu continuo a achar que aquela zona do concelho continua desprotegida e enquanto isso acontecer eu não vou deixar de lutar. Tenho pensado em soluções, propostas que atempadamente serão apresentadas à Administração Regional de Saúde (ARS), no sentido de continuar a sonhar com a possibilidade de podermos ter naquela zona uma unidade de saúde que sirva uma população que se estima já em alguns milhares de pessoas.

Portanto, não é uma batalha perdida, é uma guerra que se está a adiar?

Não. É um trabalho que está a ser feito nos bastidores. Atempadamente, será apresentada uma proposta que acho ser interessante. A proposta tem a ver com o plano de desenvolvimento que a ARS tem pensado para aquela zona e para o qual nós temos soluções e possibilidades de ajudar a ARS a concretizar esse objectivo.

O apeadeiro de Leandro está como quer?

O apeadeiro de Leandro, em termos de frequência de transporte público, melhorou significativamente com a dinamização da linha de Guimarães, o número de comboios aumentou e com isso aumentou a frequência no apeadeiro. Continuo a achar que é um meio de transporte excelente, em muitos períodos do dia as pessoas têm comboios de meia em meia hora para o centro do Porto e é uma mais valia importante. Em relação ao estado de conservação, infelizmente, e a exemplo do que aconteceu com muitos outros, foi alvo de acções de vandalismo grandes, porque o apeadeiro estava lindíssimo, mas tem sido vítima de acções de vandalismo como vidros partidos.

Não há forma de resolver isso?

A forma é que o patrulhamento da nossa polícia seja maior e, acima de tudo, seja mais eficaz. Porque, às vezes, o patrulhamento até vai existindo mas depois não há eficácia naquilo que deve ser a punição para este tipo de actos. Espero que com a abertura da nova unidade da GNR no Castelo, e com o aumento do número de efectivos que vai acontecer, estas questões melhorem significativamente, porque as áreas mais interiores do concelho, por terem pouca vigilância, acabam por ser vítimas de algumas acções que no passado não existiam. As pessoas antes iam para a periferia porque tinham mais segurança, maior sossego, mas hoje isso está um pouco invertido, ou seja, actualmente a periferia das cidades é o espaço onde esses vândalos se sentem mais à vontade, porque o fazem com maior liberdade.

Vamos olhar agora para um projecto que a Câmara Municipal da Maia pensou há uns anos e que, ao que tudo indica, continua a ser alimentado: a componente do Parque Millenuim. Previa-se um campus de saúde para a zona de Maia Leste, área onde S. Pedro de Fins se insere. Tem pena que esse projecto ainda não tenha avançado?

Obviamente tenho pena porque acreditei que o projecto pudesse avançar, até porque tinha excelentes condições para isso, tanto em termos de espaço, como de ligação às principais vias rodoviárias e até ao próprio aeroporto. Porém, às vezes, isto só não chega. Estou convencido que é um projecto que ainda não está morto. Aliás, tenho conhecimento que estão entidades no terreno a tratar do assunto. O que prova que continua a ser um projecto interessante e resolvida a questão da aquisição de terrenos, que é o aspecto mais complicado, não irão faltar parceiros interessados, porque uma zona de excelência por poder ter uma ligação fácil à A3 e ao aeroporto. Aliás, a área da saúde será, no futuro, uma área de grande desenvolvimento.

S. Pedro de Fins é uma freguesia que ainda tem uma acentuada componente rural, o que já não é muito comum no concelho da Maia nos dias de hoje. É positivo ter essa ruralidade?

É francamente positivo. Só espero que essa matriz possa ser conservada. Estou convencido que a aprovação do novo PDM veio, de alguma forma, disciplinar algumas áreas no sentido de preservar essa matriz, porque quer para os habitantes, quer para a própria rede social do concelho era importante manter estes núcleos.

Mas isso faz com que S. Pedro de Fins seja uma freguesia com núcleos habitacionais muito dispersos. Isso acaba por ser pernicioso ou não?

Não. Eles são dispersos, mas dentro dessa dispersão há alguma concentração. Defendo que hoje em dia para as pessoas terem qualidade de vida têm que ter espaços para habitar, para lazer ou para caminhar à noite. O que eu verifico é que em muitos desses núcleos urbanos, que foram construídos nos últimos anos, essas situações não foram acauteladas e hoje as pessoas chegam a casa à noite e ficam em casa, só saindo de manhã para ir trabalhar. Depois entram neste ciclo e acho que têm pouco espaço para respirar. Sendo um território com muitos espaços verdes, acho essencial preservar esse equilíbrio entre o verde e o crescimento urbano, que naturalmente acontece. Mas ao longo dos últimos anos esse crescimento tem sido feito de maneira totalmente desproporcionada. Nós hoje temos habitação construída para gente que se calhar ainda nem nasceu. Esse é um aspecto que tem de ser repensado até porque o país necessita de aproveitar os poucos recursos que tem.

Em termos de equipamentos desportivos, há quanto baste na freguesia?

Sim, nessa, como noutras matérias, a freguesia está bem equipada. Se pensarmos que uma freguesia como a nossa dispõe de um polidesportivo, que está principalmente ao serviço da escola básica, dispõe também de um pavilhão gimnodesportivo, de um campo de futebol devidamente equipado, e em termos de apoio aos jovens ainda dispõe de uma loja da juventude que é das que melhor funciona no concelho. Nessa matéria a freguesia está bem dotada.

Centro escolar

O que é que lhe falta fazer?

Além do projecto da saúde que já falamos, falta-me ver concretizado o novo centro escolar de S. Pedro de Fins, que irá ter início dentro de dois meses, e que é uma obra que tinha como muito importante até pelo que isso pode determinar em termos de infra-estrutura escolar na freguesia. Essa obra irá duplicar o número de salas de aula, o que duplica também a capacidade, que será de 250 alunos, o que é excelente. Esta obra é importante porque se não acontecesse agora seria muito difícil de concretizar no futuro. Gostaria também de ver concluída a redefinição da matriz viária da freguesia. Neste mandato, numa colaboração entre a Câmara Municipal e a REFER, e que teve a participação da Junta de Freguesia, foi possível criar um viaduto sobre a via ferroviária, e, com a criação desse viaduto, foi possível definir de forma muito clara a nova matriz viária da freguesia, preservando o núcleo mais urbano de tráfego que ainda hoje, embora já em menor escala, ainda fustiga as ruas interiores da freguesia. Em termos de rede viária, com o fecho desse anel a freguesia fica devidamente equipada. E depois, como comecei por dizer, às vezes é preciso estar no sítio certo, na hora certa porque as oportunidades surgem sempre.

A Siderurgia ainda é uma preocupação ou já está mais atenuado o problema?

É um assunto que, neste momento, está entregue às autoridades competentes. Sobre essa matéria, a Junta de Freguesia já fez muito mais do que lhe competia, ou seja, alertou para os problemas. Há dias li uma notícia que me deixou satisfeito, que foi o facto de se ter encontrado uma solução para se remover aquele pó histórico, que já tem 30 anos, e que continua amontoado nos terrenos da Siderurgia, embora seja da responsabilidade do Estado português. Há cerca de oito anos parte desse pó foi transferido para S. Pedro da Cova, em Gondomar, só que essa transferência foi suspensa e o restante ficou lá. Depois, há cerca de seis meses, numa resolução do Conselho de Ministros e do Ministério do Ambiente determinou-se uma solução para aquele subproduto. Espero que se concretize rapidamente porque aquilo é nocivo para o subsolo, para os lençóis freáticos, e há coisas que quando estão feitas dificilmente se conseguem recuperar. Paralelamente, a Siderurgia continua num processo de concessão de licença ambiental porque é uma exigência legal para laborarem. Espero que no âmbito da concessão dessa licença as autoridades competentes obriguem a Siderurgia a cumprir aquilo que é obrigatório. Tive a oportunidade de visitar uma unidade dessa empresa em Ferrol, Espanha, e sei bem quais são as diferenças. Se é possível fazer de uma forma num sítio, nós também podemos ter o mesmo tratamento.

Para terminar, vai-se recandidatar em Outubro?

Neste momento tudo aponta para que seja candidato novamente. Será o meu último mandato e será aquele em que eu irei procurar dar corpo a estas e ideias e sonhos que continuo a ter para S. Pedro de Fins.