"Os piores quatro anos deste concelho"

Álvaro Braga Júnior, do CDS-PP, apresentou na passada segunda-feira a candidatura formal à presidência da Câmara Municipal da Maia, num hotel da cidade. Presentes estiveram Nuno Melo, eurodeputado recém-eleito, o líder da distrital, Álvaro Castello-Branco e David Tavares, presidente da concelhia maiata do CDS-PP.

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O actual executivo, liderado por Bragança Fernandes, não foi poupado. Álvaro Braga Júnior considerou o mandato actual de ser responsável pelos “piores quatro anos” da Maia. O ex-assessor de comunicação da Câmara da Maia acusou o actual executivo de ter "estagnado" a cidade. Forte nas palavras, o candidato do CDS-PP confessou ainda ser "capaz de almoçar com ele (Bragança Fernandes) todos os dias", mas "incapaz de votar nele porque acho que fazemos mais e somos capazes de fazer melhor". Ainda assim, considerou que "o engenheiro Bragança Fernandes já está eleito como futuro presidente da Câmara Municipal da Maia", mas a nota é negativa: "Bragança Fernandes tem que ser penalizado pelo pouco que fez", acrescentou.

Com "os pés assentes na terra", Álvaro Braga Júnior garantiu que a candidatura centrista à Maia é "a alternativa", e disse que vai "trabalhar no sentido de, pelo mínimo, termos um vereador na mesma câmara". Vereador que o CDS-PP perdeu na Maia, após a desfiliação de Mário Nuno Neves, logo após a última eleição da coligação PSD/CDS-PP.

Álvaro Braga Júnior lembrou ainda que o legado do CDS-PP na Maia é significativo. Em alusão ao falecido presidente da Câmara, recordou que "José Vieira de Carvalho nunca deixou de ser democrata-cristão. Mesmo quando nós o ‘emprestámos’ ao PSD, sempre se manteve democrata-cristão". Olhou para trás, relembrou a obra do anterior presidente e foi peremptório: "O que de bom ainda hoje tem a Maia deve-se ao professor Vieira de Carvalho".

As críticas ao actual executivo continuaram. Numa alusão às prolíferas inaugurações dos últimos meses, Álvaro Braga Júnior considerou que "vão sendo inauguradas várias coisas à pressa, como é costume nestas alturas, sobretudo para quem não fez antes". Lembrou, mais uma vez, a "estagnação" dos quatro últimos anos e as "obras longas e falhadas". Confessou não compreender a postura da câmara ao justificar as recentes intervenções como "emendar erros de outros". Para o candidato do CDS-PP, "o PSD está a emendar os seus próprios erros", cometidos ao longo dos últimos quatro anos.

Já perto do final da apresentação da candidatura, as críticas subiram de tom mais uma vez. "Numa câmara onde são os nichos familiares e os compadrios as notas mais marcantes, eu e aqueles que me acompanham não queremos estar nesse papel". Álvaro Braga Júnior garantiu que não aceitará nenhum cargo "que não decorra de uma eleição legítima e democrática. O favor, o compadrio, o clientelismo… não os quero, e estarei completamente fora dessas jogadas". Lançou ainda um alerta para uma campanha limpa e sem incidentes. Preocupado, falou num "PREC laranja" e revelou que "algumas pessoas que estariam disponíveis para nos acompanhar nesta luta sentiram e ouviram alguns recados que consubstanciam algumas ameaças". Restou o apelo ao bom senso: "Espero que tenha sido um mau início e espero que seja uma campanha limpa e que, legitimamente, no direito que é indeclinável, cada um apoie quem entender que deve apoiar".

Álvaro Braga Júnior reclamou o regresso de um vereador para o CDS-PP na Maia, mas Nuno Melo, eurodeputado pelos centristas, considerou o ex-assessor de imprensa da Câmara da Maia "um candidato à altura dos pergaminhos" do partido. Disse também que "é uma oportunidade para a Maia poder escolher o Álvaro Braga Júnior como um dos seus gestores autárquicos". Nuno Melo vai mais longe e acredita que Álvaro Braga Júnior pode ir longe nas eleições de Outubro próximo. "Este projecto autárquico tão grande são, só por si, razões que justificam aquilo que o CDS pode trazer de diferente para a Maia", disse.

A primeira medida

Durante o discurso, Álvaro Braga Júnior mostrou-se preocupado com o clima de insegurança que se vive na cidade da Maia e enumerou vários assaltos violentos cometidos nos últimos meses. A primeira medida do candidato do CDS-PP, se for eleito, será "convocar uma reunião com carácter de urgência com o Ministro da Administração Interna para garantir aos maiatos o fim do sentimento de insegurança que, no momento, eles têm".