Opinião José Filipe Soares: “Um exercício de memória que termina em nada”

Tenho efectuado um exercício de memória sobre os últimos quatro anos no concelho da Maia, sobre obras estruturantes para o concelho, sobre eventos que tenham colocado a Maia no mapa Nacional, sobre tomadas de posição da câmara ou até mesmo do próprio PSD.

E, sinceramente falando, foi o exercício de memória mais fácil que já tive! Pois o resultado desse mesmo exercício é zero, nada! A Maia, cidade avançada, reconhecida pela sua modernidade, pela qualidade de vida que prestava aos que nela habitavam, pela mobilidade que lhes proporcionava, pela sua riqueza patrimonial e histórica; A Maia, conhecida outrora como a capital do Desporto, onde tínhamos uma importante equipa de ciclismo, um clube que militava na Liga de Honra sempre com aspirações de subida, torneios de ténis a contar para o ranking ATP, equipas de voleibol a ganhar campeonatos primodivisionários; A Maia, onde se pedia para os habitantes sorrirem, essa Maia não passa de uma miragem do que foi, volvidos quatro anos de gestão camarária Social-democrata.

Analisando todas as promessas que nos foram feitas há quatro anos, veremos que praticamente todas falharam. E as que não falharam deixaram de fazer parte dos planos dos Maiatos, como é o caso, por exemplo, das Finanças de Águas Santas.

Mas eu ainda serei mais ambicioso que isso, peço mais a quem nos governar a partir das próximas eleições. Peço que tenham de facto em atenção as gentes da Maia, as suas expectativas, o que as faz querer, ainda hoje, escolher a Maia como seu lar!

Peço que, em primeiro lugar, se pense seriamente na requalificação dos acessos Sul à cidade da Maia, nomeadamente, pedindo a especialistas que estudem a hipótese de melhorar as acessibilidades pela Via Norte e a melhorar os acessos em Moreira da Maia, Alto da Maia e Castêlo da Maia. Que se pense também na abertura de uma estação de passageiros em Águas Santas para o actual ramal de Leixões, integrando assim a lista de estações disponíveis nessa cintura ferroviária. E a segunda linha de Metro para a Maia que seja uma realidade. O concelho a nascente precisa das suas acessibilidades melhoradas, precisa de ter fluxo fácil para pessoas e bens a fim do seu desenvolvimento enquanto pólo habitacional de excelência.

Gostaria ainda de ver a taxa de IRS e IRC ser alterada para baixo na Maia. Gostaria que, a exemplo de outros concelhos, como por exemplo a nossa vizinha Trofa, que a Maia baixasse aos seus habitantes a taxa de IRS e IRC que reverte a favor do município. Estaríamos dessa forma a tornar o concelho mais competitivo e a aumentar o potencial de fixação de novas gentes e novos negócios no concelho.

A saúde é algo muito importante para a definição de qualidade de vida e a Maia necessita de depender de si própria neste campo. Necessita de criar um Hospital com múltiplas valências, para atendimento aos seus munícipes. Mas acima das valências de urgência, esse Hospital deverá especializar-se, deverá ser uma referência a nível nacional num determinado tipo de intervenções. Atrair conhecimento à Maia é importante para o seu desenvolvimento. Reconhecer a Maia por ter esse conhecimento é sinal de desenvolvimento.

No que a políticas de juventude diz respeito, depois do Parque Radical (criado após a Juventude Popular o ter sugerido em Conselho Municipal de Juventude), nada mais foi feito. A juventude na Maia não pára, é interessada, movimenta-se e informa-se. Mesmo sem o município a apoiar como deveria. Não basta construir infra-estruturas se não temos os técnicos e munícipes para as ocupar. Temos que ter o cuidado de tomar decisões que vão de encontro às expectativas quer dos munícipes quer da própria autarquia. Não basta fazer uma feira anual com um concerto no fim e um punhado de escolas e institutos. É preciso mais para fixar os jovens no concelho!

Ao nível da habitação é possível aí também fazer mais. É possível baixar a taxa de IMI que os maiatos pagam, e não digo fazer uma baixa tímida como a que foi feita no último orçamento camarário. Desta forma estaremos a enriquecer (ainda que indirectamente) os cofres da autarquia, pois mais habitantes, ainda que a pagar menos, traduz-se num aumento de receita.

Seria assim tão difícil a um executivo camarário por algumas destas ideias em prática? Não, não seria se houvesse a vontade política de continuar a fazer da Maia um lugar onde se possa sorrir! Infelizmente estes últimos quatro anos foram de uma assustadora estagnação. Lamentamos isso e lutaremos para devolver aos maiatos o sorriso que um dia foi deles!

http://abjcdsmaia2009.blogspot.com/