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Skaters invadiram a Maia

A Maia foi invadida por skaters. No sábado passado, ao longo da tarde, mais de meia centena de praticantes da modalidade ocuparam o skate park maiato no âmbito do evento “Emerica Wild in the Streets”, à semelhança do que acontece um pouco por todo o mundo. A juntar-se aos já habituais frequentantes do espaço, vieram de todo o norte do país skaters para disputar, pelo segundo ano consecutivo, o Maia Skate Challenge. Mas desta vez, um pouco diferente.

O Skate Parque da Maia tem dois anos. Em 2008, o evento realizou-se mas só numa vertente demonstrativa. Este ano, introduziu-se a competição. A responsável pelo Radical Skate Clube, Dulce Pereira, reconhece que sem a ajuda da Câmara Municipal da Maia e o investimento no Skate Parque maiato, o evento não teria sido possível. Dulce Pereira lembra que a modalidade é "muito divulgada a sul do país, mas é complicado trazer as coisas para o norte". O nível das competições "não pode ser de âmbito europeu", reconhece Dulce Pereira, mas salienta a "localidade" do evento, que pode assim receber "os jovens das redondezas".

O evento serviu também para quebrar tabus e "credibilizar" a imagem do skater. A responsável pelo Radical Skate Clube reconhece que a sociedade "não dá valor" aos skaters, ao discriminar os praticantes "pela forma de vestir e pela forma de estar". Estereotipos que, para Dulce Pereira, estão a perder-se. "Cada vez mais essas ideias pré-concebidas estão a perder força e, nas grandes cidades, a parte urbana já se identifica com esta vida e com esta maneira de estar". Acrescenta ainda que "há skaters que são arquitectos, engenheiros, médicos, fisioterapeutas…".

Com os dedos

Skate sem usar os pés, mas outra extremidade do corpo: os dedos. A pratica tem um nome: fingerboarding. Um dos praticantes, Filipe de Goya, explica, de forma simples, em que consiste esta modalidade: "É como o skate grande, mas só se usam os dedos. É um skate em miniatura". A prática tem tanto de perícia como de insólito. Ao lado dos "skates grandes", pequenos e graúdos "davam corda aos dedos" e simulavam manobras equivalentes às praticadas pelos skaters "maiores". Os obstáculos, como rampas e escadas, também são construídas à escala. Os objectos diminuem, mas o grau de dificuldade não. Filipe de Goya revela que "é preciso muita persistência, muita técnica, muito treino e muita prática. É tentar, tentar, tentar até conseguir acertar". Em relação à divulgação, o praticante só reconhece vantagens ao fingerboarding. "É pequenino, anda sempre connosco no bolso, podemos praticar fingerboarding em qualquer lugar". Vai mais longe: "Fingerboarding é um estilo de vida", confessa.

Resultados

Miguel Tenreiro foi o vencedor desta edição do “Emerica Wild in the Streets”, na categoria principal. Miguel Tenreiro deixou André Pereira, de Braga, na 2ª posição e Pedro Mano, de Aveiro, na derradeira posição do pódio. A categoria dedicada aos mais novos, iniciados, também foi bastante disputada. Ao pódio subiram Pedro Machado, de Vila do Conde, para receber os prémios da Emerica destinados ao 3º lugar. Em segundo ficou Fábio Pereira e o vencedor da categoria foi João Rocha, do Porto.