“Deixem passar os andores!”

Um mar de gente… e de andores. A Maia recebeu, no passado domingo, mais uma procissão em honra de Nossa Senhora do Bom Despacho, o ponto alto das festas da cidade. Milhares de romeiros marcaram presença nas ruas da Maia logo ao início da tarde, em busca do melhor lugar para assistir à procissão.

Em frente à igreja antiga da Maia, também santuário da Nossa Senhora do Bom Despacho, a população maiata (e não só) aguardava, ansiosa, a saída dos andores. A correria era imensa: Polícia de Segurança Pública, Polícia Municipal, Protecção Civil, escuteiros, acólitos e anónimos ocupavam posições. A procissão estava quase a arrancar. O Padre Domingos Jorge, pároco da Maia, não se poupava a esforços na organização: tudo tinha que estar perfeito.

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E ao som dos sinos da igreja, a procissão começava a avançar, de forma lenta. A tomar a dianteira do desfile religioso, várias figuras e andores da responsabilidade das muitas freguesias do concelho. Enquanto os andores mais pequenos desciam a Rua da Igreja, em direcção à Avenida Visconde de Barreiros, a Nossa Senhora do Bom Despacho, imponente, esperava no adro da igreja, religiosamente guardada e observada pela população. Era tempo de avançar. A "figura principal" da procissão deixou o adro da principal igreja maiata e, de um momento para o outro, já não havia mais espaço para a população. Tanto a Rua da Igreja como a Avenida Visconde de Barreiros estavam repletas de gente, um bom sinal para os vendedores ambulantes. "Isto hoje é que está a ser", exclamava um deles, responsável por uma barraquinha de gelados. O elevado consumo de alimentos mais frescos era resultado do sol ténue mas quente que se fazia sentir durante a tarde de domingo. E a Nossa Senhora do Bom Despacho continuava a avançar, de forma lenta, em direcção à Avenida Visconde de Barreiros. Atrás do principal andor, seguia o bispo de Leiria e Fátima, D. Serafim Ferreira e Silva. E logo atrás, o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes, o presidente da Junta de Freguesia da Maia, Carlos Teixeira, o vice-presidente da autarquia maiata, Silva Tiago e o presidente da Assembleia Municipal da Maia, Luciano Gomes.

A procissão ficou marcada pela dimensão e pelo grande número de pessoas que estavam a assistir. Já perto da Praça Dr. Vieira de Carvalho, em frente à Câmara Municipal, quem lucrava eram as esplanadas dos estabelecimentos de restauração fronteiros ao edifício da autarquia maiata. E também os vendedores de bancos. "Aqui sentadinha até dá gosto", confessava uma idosa, enquanto esperava pelo principal andor.

O ponto alto da tarde é, à semelhança de anos anteriores, a passagem do andor de Nossa Senhora do Bom Despacho em frente à Câmara Municipal da Maia. Perto deste momento, um contratempo: a circulação do Metro do Porto foi interrompida, de forma involuntária, pelo mar de gente que assistia à procissão. Vários elementos da empresa transportadora prontificaram-se a resolver a situação, com o metro a "furar" – de forma quase literal – a população. Ouviu-se, ao fundo, uma voz exaltada a dizer: “É para parar o metro! Deixem passar os andores!”. Já perto do momento alto da procissão, uma local estava com dúvidas: "Então as sirenes tocam ou não tocam? É para hoje?", em alusão à habitual homenagem prestada pelas corporações de bombeiros da cidade que, à passagem do andor principal, ligam as sirenes de forma simultânea, considerado por muitos como o momento mais emocionante do desfile religioso.

As sirenes começaram a tocar. Um ruído que, em situações normais, incomodaria. Não foi o caso, e o silêncio dos populares é avassalador, em absoluto contraste com as estridentes sirenes. Durante um minuto, as conversas pararam, as mudanças de lugar das pessoas pararam, e todos os olhos estavam postos na Nossa Senhora do Bom Despacho. "Isto é muito intenso, muito intenso", dizia, emocionado, um dos presentes. As sirenes ainda tocaram uma segunda vez, à passagem de D. Serafim Ferreira e Silva e dos elementos da autarquia maiata. De seguida, a procissão voltou ao ponto de partida: o santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho.

A procissão em honra da padroeira maiata, o ponto alto das festas da cidade, antecedeu o feriado municipal, que se comemorou na passada segunda-feira.

1 responder
  1. Eduardo Silva
    Eduardo Silva says:

    A população em geral e neste caso em particular os jornalistas, tem que começar a perceber que tudo que tenha sirenes e diga ambulancia na frente não pertence aos bombeiros. Nao que tenha alguma coisa contra eles e aqui no concelho da Maia, ao contrário de algumas localidades damo-nos todos bem e trabalhamos bem em equipa. Nesta reportagem e artigo esqueceram-se mais uma vez de mencionar o nome da Cruz Vermelha Portuguesa Delegação da Maia, que tambem esteve presente na procissão e na formatura. É muito triste nao ser reconhecida a instituiçao que represento por negligencia ou falta de atenção! A Cruz Vermelha da Maia tambem serve muito esta cidade, com os seus actos de voluntariado, embora, muitas vezes, se esqueçam disso!!!

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