Opinião Cláudio Carvalho: “Maia, o nosso futuro hipotecado”

Não o escondo. Sou um jovem cidadão que ama a Maia e que é imensamente feliz por aqui viver. Sou um verdadeiro privilegiado. Sou um privilegiado, no sentido que muitos outros portugueses gostariam de ter a minha (e a sua) sorte. Tal como eu e como o amigo leitor, todos os Maiatos podem e devem ter orgulho no seu concelho. Como qualquer outra comunidade temos as nossas virtudes, os nossos defeitos, as nossas potencialidades, as nossas fragilidades e, também, as nossas diferenças. Todos reconhecemos as diferenças económicas, sociais, religiosas, clubísticas, políticas ou de outra ordem que possam existir entre nós, mas para além de tudo isso, há algo que nos une mais do que nos diferencia e afasta: a Maia.

Portanto, a Maia exige memória, respeito, seriedade, dedicação, sacrifício e trabalho. A história que a Maia transporta desde que D. Manuel I nos concedeu o foral em 1519 e dado o facto de sermos uma terra nobre de valores, sonhos e ambições, com mais de 135 mil privilegiados divididos por 83 Km2 de área, exige o melhor de nós. O melhor de todos nós.

O facto deste mês ser o mês da Maia e a proximidade com as Eleições Autárquicas, exigiam que interviesse. A minha preocupação aqui exposta é a preocupação com o futuro da Maia, um futuro que considero hipotecado. Não estou preocupado com o meu futuro. Estou, sim, preocupado com o nosso futuro. Amigo leitor, as Eleições Autárquicas do próximo dia 11 de Outubro revestem-se de um carácter extraordinário, dada a situação em que a Maia se encontra. Não entrarei em dramatismos, de qualquer das formas, nós Maiatos temos que iniciar uma profunda reflexão sobre o nosso futuro.

Sei reconhecer o enorme e louvável trabalho feito pelo saudoso Vieira de Carvalho. Todavia, “o passado já lá vai” e “para a frente é o caminho”. Estes foram ditos populares que me foram transmitidos pelos meus avós maternos, também eles Maiatos de gema, como você e eu. Não posso, nem vou ficar, na expectativa perante a situação que o nosso concelho entrou desde que Bragança Fernandes assumiu os destinos da Maia. Desde que assumiu os destinos do meu e do seu futuro. Não posso, nem vou ficar, imóvel. Tenho o maior respeito por Bragança Fernandes, tal como por todas as pessoas que servem a Maia, mas julgo que Bragança Fernandes teve a oportunidade de seguir o rumo do seu precedente mas não a aproveitou. A Maia é, neste momento, o 6º município de Portugal mais endividado, com dívidas a ascender aos 105 milhões de euros. Para ser mais concreto: 105 469 708 euros. Mais de cem milhões de dívida que, também, serão herdados pelos futuros Maiatos. Amigo leitor, acredito que partilhe da minha preocupação, igualmente em relação à manutenção de certos edifícios públicos e a falta de soluções para o Bairro de Sobreiro, para o Rio Leça e para o Zoológico da Maia. São problemas sérios e nada foi feito até ao momento. Todas as promessas são em vão, se não são concretizadas.

Défices

Além destes problemas sobejamente conhecidos existem défices que nos preocupam. O défice de mobilidade nas áreas mais recônditas da Maia. Os maiatos das freguesias limítrofes, não podem continuar a esperar mais de uma hora por um transporte, que nem sabem se vai chegar. Verifica-se, também, um enorme défice cultural na Maia. Necessitamos de mais cultura na Maia. Os maiatos não merecem o marasmo cultural a que a Maia chegou. Uma biblioteca em condições e em horário apropriado. Um teatro. Mais galerias de arte. Enfim, um sem número de actividades que, neste momento, se realizam em espaços não apropriados e de forma bastante esporádica. Mas há mais. Os Maiatos merecem mais. Mais acesso à educação e à formação. Mais empreendedorismo. Mais juventude, especialmente nas “freguesias esquecidas” do concelho e mais apoio aos nossos idosos, que residem na outra Maia. Na Maia, que poucos conhecem. Na Maia esquecida.

A seriedade dos Maiatos não se compadece com a actual estratégia da “máquina de campanha” do PSD de Bragança Fernandes, na Maia. O actual executivo camarário, do bloco liderado pelo PSD de Bragança Fernandes, tem aproveitado para fazer com obra do governo português. O PSD Maia tem-se aproveitado da obra do governo português e dos fundos comunitários, no âmbito do QREN, para se vangloriar da renovação do parque escolar. O vazio de ideias é tão vasto, que o actual executivo municipal atribui, quase diariamente, homenagens a cidadãos da terra. Ninguém escapa: funcionários, professores e até crianças têm sido objectos da campanha do PSD Maia. E que dizer da escolha de candidatos, do PSD, ligados a instituições desportivas a certas juntas de freguesias. A esta altura, se não tinha percebido ainda, já deverá começar a perceber a minha crença de que o futuro dos Maiatos está em jogo. Bragança Fernandes não tem um projecto político para a Maia. Já todos lemos e ouvimos as seguintes expressões de Bragança Fernandes: “Não respondo”. “Não Comento”. “Não divulgo”. “Não digo”. “Não falo”. “Não me pronuncio”. A isto junta-se um “Não faço nem farei”.

Não podem continuar a existir duas Maias: a Maia relativamente desenvolvida e a Maia subdesenvolvida, afastada de tudo e de todos, a Maia esquecida. Um Maiato de Silva Escura tem o mesmo valor que um Maiato de Vermoim. Um Maiato de Santa Maria de Avioso e São Pedro de Avioso não tem menos valor que um Maiato de Gueifães ou de Moreira. Sou Maiato e quero mais e melhor para toda a Maia. Sou jovem e quero um futuro para a nossa Maia. Quero novas ideias. Quero mais trabalho. Renego à inacção e ao discurso de negação do PSD Maia. Esta é a minha mensagem para os aqua-santenses e milheiroenses. Esta é a minha mensagem para quem vive em Folgosa, Gemunde, Gondim mas, também no Castelo. Esta é a minha vontade e espero que seja a vontade do amigo leitor. A vontade de uma Maia a uma só voz e não uma Maia sustentada por desigualdades graves. Esta é a minha mensagem, que espero que chegue de Barca a Pedrouços, de Vila Nova da Telha a São Pedro de Fins, sem esquecer Nogueira. Esta é a minha mensagem, que já vai longa, mas que é vital reter. Mais ideias, mais trabalho e… mais igualdade. Por uma Maia desenvolvida, mais moderna, mais justa e una. Para bem da Minha Maia, da Sua Maia, da Nossa Maia, votarei Mário Gouveia dia 11 de Outubro, porque prezo o nosso futuro. Amigo leitor, deixo a questão no ar, é esta a Maia que quer para si? É esta a Maia que quer para nós?

2 respostas
  1. Rui Vaz Teixeira
    Rui Vaz Teixeira says:

    Gostei de ler e subscrevo.

    Gostava de ver, ainda este ano, a Maia a tomar um novo rumo. É bom que nos lembremos que já fomos (eu gosto de acreditar que ainda somos) uma referência, em vários aspectos, para o resto do país. Esta presidência da Câmara Municipal parece estar esquecida disso e, claramente, não vai ao encontro dos melhores interesses da nossa comunidade, a da Maia! Basta de freguesias caídas no esquecimento, queremos uma Maia descentralizada, uma Maia que se veja em todas as localidades… Para isso precisamos de alguém competente, e o Sr. Bragança Fernandes não me parece ser essa pessoa.

    Um abraço aqui de Águas Santas!

  2. Miguel Inglês
    Miguel Inglês says:

    Pena é que o autor dos escritos, de tão maiato que se diz, não saiba que Gemunde e Gondim são Castêlo, referenciando as duas freguesias como se fossem alheias à terra que viu nascer a Maia! Ou então é mais um maiato invejoso a querer menosprezar o Castêlo, essa sim, terra de Lidadores, de tradição e história!

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