“Um mandato francamente positivo”

Fernando Ferreira é presidente da Junta de Freguesia de Gondim. Cumprido o primeiro mandato, que classifica de muito positivo, Aqui anuncia a sua recandidatura e faz um balanço destes quatro anos à frente dos destinos da freguesia.

Primeira Mão – Para começar, que balanço faz deste mandato?

Fernando Ferreira – Faço um balanço muito positivo. Estou satisfeito com muitas das realizações que conseguimos levar a cabo. Lamento que noutras a Câmara Municipal da Maia não nos tenham disponibilizado os recursos para as efectuarmos. No entanto, o balanço final em termos de mandato é francamente positivo.

Em que situações faltaram esses apoios da câmara?

Em concreto, no Centro de Dia, que seria integrado no edifício da Junta de Freguesia de Gondim. Como é óbvio, nós não temos verbas para construir um novo edifício da Junta, e quando uma Junta de Freguesia quer construir uma nova sede, com todas as valências que tem em mente, o normal é recorrer à Câmara, assinam contratos programa e fazem a obra com participação por parte da Câmara. No nosso caso, havia também disponibilidade para avançar com a nova Junta, ainda temos o projecto. A Câmara ficou de transferir, durante o ano de 2008, cerca de 20 mil euros para a Junta de Freguesia de Gondim, exactamente para dar os primeiros passos do projecto, mas acabou por não fazer essa transferência. Para o ano de 2009, tinha previsto no plano de pluri-investimento de cerca de 200 mil euros para a construção do novo edifício da Junta de Gondim. Entretanto essa verba foi revista e a Câmara retirou 150 mil euros desse investimento. O que é certo é que nós não recebemos nem os 20 mil euros de 2008, nem os 50 mil euros de 2009. Tenho pena porque quem paga são os gondinenses.

De qualquer das formas, nunca daria para o projecto ficar pronto neste mandato, tendo em conta os prazos.

Claro que não. No entanto, o que considero importante era a obra ter começado e o presidente da Câmara sabia que este era um dos nosso objectivos para este mandato.

Houve alguma resposta por parte da Câmara Municipal a justificar este atraso?

A resposta que houve, e ao contrário do que às vezes querem fazer passar, é que as verbas são reduzidas. Todos nós entendemos, não estamos num tempo de ‘vacas gordas’ e todos percebemos isso. Só que prefiro que as pessoas tenham uma posição de abertura e franqueza, e não alimentem esperanças e ilusões.

Para além dessa mágoa, o que ficou ainda por concretizar?

Há uma, que já é uma luta muito antiga de Gondim, que é tentar levar os transportes públicos para a freguesia. Eu já faço parte dos órgãos políticos de Gondim desde 1997, nomeadamente da Assembleia da Freguesia, e já na altura era debatido esse assunto. Aliás nós preparamos um dossier sobre o assunto que entregámos à junta da altura, liderada pelo PSD, e pedimos que fossem entregues cópias à Câmara Municipal, à DGV e aos STCP. Era também uma das pretensões que tínhamos em mente para este mandato. A carreira que pretendíamos, e que apresentámos nessa proposta aos STCP, já vai até ao limite da freguesia, entre Gondim e Barca, mas queríamos que ela entrasse no coração da freguesia. Penso que há todas as condições para isso acontecer, tanto em termos da acessibilidade das vias como em termos de viabilidade económica.

Já obtiveram alguma resposta?

Não, esse foi um processo que, na altura, me pareceu que ficou na gaveta dos responsáveis, tanto da Junta de então, como também da Câmara Municipal. A Junta, entretanto, passou do PSD para o PS e não vi vontade da Câmara de tentar, junto dos STCP, trazer os transportes públicos para Gondim. Esse é um dos problemas que detecto na freguesia hoje em dia.

Há forma de resolver esse problema?

É difícil. Nós temos a carreira da Maia Transportes, mas o intervalo de tempo em que ela passa é grande. Uma carreira dos STCP, pela regularidade e pelo intervalo de tempo em que passa, seria muito mais eficaz em termos da mobilidade das pessoas.

Em matéria de vias rodoviárias, a freguesia está adequada àquilo que pretende?

Em termos das vias rodoviárias, está razoável. Existe uma vontade, também de há já algum tempo, de criar um novo arruamento, que ligue os lugares de Vila Verde e Porto Bom. No entanto, não nos podemos precipitar porque é necessário haver ponderação do que devem ser as prioridades, e eu diria que a prioridade para Gondim é o novo edifício da Junta, com o Centro de Dia lá integrado. Mas, no futuro, a construção desse arruamento deve ser tida em conta.

Quanto a escolas, satisfazem as necessidades de Gondim?

Por enquanto sim. A nossa escola EB1 de Porto Bom chega para satisfazer as solicitações de que tem sido alvo. Mesmo com o crescimento da área habitacional na freguesia, a escola não atingiu o limite e continua a ser suficiente para as necessidades das crianças.

Para os idosos é que nem por isso…?

O apoio aos idosos, da nossa parte, tem passado fundamentalmente por uma relação de proximidade com eles. Continuamos a promover o passeio sénior. Mas isto só não chega porque o que eles esperam de nós, responsáveis políticos, é que lhes seja dada uma maior dignidade. Por isso é que digo que o Centro de Dia é uma prioridade total.

Para quantas pessoas será esse Centro de Dia?

O que eu gostaria é que tivesse capacidade para responder a todas as solicitações e candidaturas que possam surgir. Também acredito que muitas famílias optem por manter os seus idosos em casa. Mas gostava de ter uma resposta para cerca de 70/80 pessoas, que também tem a ver com a área disponível para fazer a obra. Infelizmente, Gondim é uma freguesia pequena, onde não há terrenos públicos, temos que aproveitar o que há, onde já está implementado o edifício da Junta. Teremos algum espaço para crescer para a parte de trás, em direcção à capela mortuária, e também poderemos crescer em altura, para mais um piso, mas não mais do que isso.

Têm chegado à Junta de Freguesia de Gondim reflexos da crise económica e social que o país atravessa?

Sim, e isso vê-se na quantidade de pessoas que recorre com alguma frequência ao GAIL (Gabinete de Apoio Integrado Local). Também no contacto diário com a população se vê que muitas famílias têm alguém desempregado. Gondim não fugiu à crise, mas não tem estado desatento, e por isso apresentámos uma proposta para criação de um Gabinete de Integração Profissional (GIP), que causou algumas discussões e comentários mais infelizes de pessoas na Assembleia Municipal.

E como está esse Gabinete agora?

O Gabinete está a funcionar, tem tido alguma procura das pessoas. Temos também recebido ofertas de trabalho por parte de algumas empresas da freguesia e de fora da freguesia. Eu diria que nesta fase inicial está a ser um trabalho muito interessante e positivo.

Sente que do ponto de vista social há a possibilidade de fazer mais, tendo em conta as limitações orçamentais?

Do ponto de vista social há sempre muito que podemos e devemos fazer. No que nos é possível colaborar e ajudar, nós fazemos para tentar chegar às pessoas, seja de forma directa ou indirecta, como é o caso da ajuda que damos, por exemplo, à Conferência Vicentina, à Associação de Pais ou à Associação Recreativa de Gondim, que a nossa Junta ajudou como nenhuma outra e que também é ajuda social porque a Associação tem a responsabilidade de promover várias acções, não só desportivas mas também culturais e recreativas. Sem dúvida que temos investido na componente social.

Gondim é uma freguesia segura?

Eu diria que é. Se analisarmos, junto da GNR, vemos que não tem havido delitos nem de grande, nem de pequena dimensão. Salvo raros casos de delinquência juvenil, não tem havido violência nem assaltos na freguesia.

Portanto, é uma freguesia pequena, bastante tranquila, e segura?

É segura, mas também isto acontece por sermos uma freguesia pequena, onde toda a gente se conhece, o que vai ajudando a uma espécie de “patrulhamento” por parte da própria população. Ou seja, o facto de sermos uma freguesia pequena e compacta, onde toda a gente quase que olha pela casa do vizinho, pode ser dissuasor de assaltos. No entanto, a GNR, que agora finalmente está mais perto, sempre que solicitada, nunca tem negado qualquer tipo de ajuda.

Em Outubro, será candidato de novo?

Estou disponível e desde que as condições que propus ao Partido Socialista sejam respeitadas, tudo indica para que seja novamente candidato pelo PS à Junta de Freguesia de Gondim.

Essas condições foram muito severas?

Não, de todo. Uma das condições, uma vez que nós soubemos gerir uma Junta de Freguesia, é que grande parte das propostas saiam das nossas vivências diárias com a população e não da concelhia do PS. Outra das condições é não haver qualquer tipo de veto aos nomes que eu apresente para integrar as listas candidatas à Junta.

No meio de tudo isto, por certo já meditou sobre o programa eleitoral. No caso de ser reeleito, quais são as suas apostas para um novo mandato?

Neste momento a grande aposta passará por continuar a bater na tecla do Centro de Dia e do novo edifício da Junta. Até porque já temos uma série de valências que não permite haver espaço para mais nada. Daí o novo edifício da Junta ser uma necessidade, tanto para melhorar os serviços que já temos, como também para ter outros, principalmente o Centro de Dia.

E será possível, uma vez que é no mesmo local, fazer as obras com a Junta a funcionar lá, ou terá que ser desalojada provisoriamente?

Penso que é possível manter o actual edifício em funcionamento. No entanto, se for preciso sair, nós estamos preparados e temos alternativas, como por exemplo o auditório, para a necessidade de transferir algum serviço. Mas, até pelas reuniões que tive com a Gabinete de Arquitectura, penso que não será necessário.

A Junta de Freguesia requalificou o auditório e isso permitiu criar uma nova dinâmica cultural e recreativa?

Exactamente, fizemos a requalificação do auditório e, desde então, passámos a ter um espaço com a dignidade suficiente para promover alguns eventos como espectáculos musicais, exposições de pintura ou peças de teatro. Aliás, as festas de Natal, que são promovidas pela Junta em parceria com várias u9nstituições da freguesia, são feitas no auditório. Foi um espaço que resolvemos requalificar, mas não para ficar parado, e decidimos promover lá eventos de vário ordem. Aliás, houve uma série de requalificações que tivemos que levar a cabo na freguesia de Gondim. Nomeadamente os lavadouros públicos, que já estavam a ficar muito degradados, ou a própria Junta de Freguesia, onde ganhámos salas.

Ainda faz sentido haver lavadouros públicos?

Sim, e eu até pensei que não seria necessário porque hoje em dia já quase toda a gente tem máquina de lavar, mas, se calhar, devido à crise mundial, intensificou-se o uso dos lavadouros públicos. Depois, outra requalificação que permitiu criar uma série de valência na freguesia foi o edifício da Junta, que tinha uma série de salas inutilizadas, e que permitiu ter, por exemplo, o espaço net, local do concelho da Maia que tem maior números de acessos gratuitos à internet, onde até temos vidoeconfrência, a instalação da caixa multibanco, a criação do GAIL e do GIP, ou o funcionamento do programa Novas Oportunidades, que está neste momento a decorrer na Junta de Freguesia e que conta com cerca de 40 alunos. Também já demos outros cursos na freguesia, como um de informática, que foi protocolado com a DREN, que não tinha quaisquer custos para os utilizadores e onde tivemos muitas pessoas. Ou seja, houve alguma obra que a Junta de Freguesia

promoveu, que passou pela requalificação de alguns espaços, e nos permitiu ter outro tipo de valências na freguesia.

Em relação ao cemitério, que é um dos recursos a Junta a nível de receitas, como é que as coisas estão?

Eu diria que não foi um dos principais recursos. Também não estou preocupado se no passado alguma vez o foi ou não, mas neste momento a Junta de Freguesia de Gondim não tem sepulturas que possa vender. Eu não vejo a casa mortuária, o cemitério e tudo o que tenha a ver com os funerais, como uma fonte de rendimentos. Admito que em algumas Juntas o possa ser, mas a situação da morte já é tão complicada de gerir em termos sociais, que vê-la como um negócio não faz parte da minha maneira de estar na política.

Mesmo numa freguesia como Gondim, que é a mais pequena do concelho, ser-se presidente da Junta é uma carga de trabalhos?

Eu acredito que no passado fosse mais porque a Junta funcionava apenas alguns dias da semana, e apenas das 18h30 às 20h00. Um dos objectivos que eu tinha quando tomámos posse da Junta de Freguesia era pôr a Junta a funcionar o dia todo, contratando um colaborador para estar lá durante o dia. Agora temos a Junta aberta o dia inteiro durante toda a semana, muitas vezes está aberta das 9h00 às 23h00. Aliás, as pessoas hoje em dia utilizam a Junta de uma forma muito natural, esquecendo-se que até há pouco tempo ela só estava aberta num horário que já não era condizente com os novos tempos.

É um autarca satisfeito?

A satisfação é relativa. Mas a maior que tenho tido é convívio e o prazer que me dá contactar com as pessoas. Já estou nestas andanças da política há alguns anos e uma das coisas que eu tive oportunidade de sentir de forma mais intensa ao longo deste mandato é o relacionamento com as pessoas. Há também outras situações que me deixam satisfeito, como o relacionamento com as instituições da freguesia, com a Conferência Vicentina, a Associação de Pais, o Corpo Docente da escola, ou as Comissões de Festas. Agora, para além de todo o trabalho e proximidade com as instituições, para além dos projectos que nós implementámos na freguesia, e de outros que estão em vias de se concluir, como o parque infantil do Largo da Liberdade, que conto esteja concluído no decorrer deste mês ou até à primeira semana de Agosto, as pessoas é que nos dão satisfação. É muito gratificante ver pessoas, algumas que até têm dificuldades financeiras, terem conversas de desabafo connosco. É de facto a maior satisfação que eu levo da freguesia de Gondim neste mandato, e que gostaria de poder continuar no período 2009-2013.