Opinião Victor Dias: “A maior corrida contra o tempo que a Humanidade enfrenta”

É minha convicção que todos nós temos o dever de fazer tudo quanto está ao nosso alcance para não sermos responsáveis pelo efeito estufa e pelo lançamento descontrolado de CO2 na atmosfera, e na verdade há muitos gestos e atitudes que podemos adoptar para melhorar a situação actual, basta que queiramos realmente participar da mudança e não nos acomodemos ao fatalismo e à inércia

Todos os cidadãos do Mundo têm hoje consciência da gravidade e dos riscos que a poluição representa para a preservação da biodiversidade e, principalmente, para a sobrevivência da espécie humana, totalmente dependente do equilíbrio dos ecossistemas que a Natureza oferece.

Esta causa não pode excluir ninguém, ela tem de ser encarada como uma missão humanitária à escala do Planeta que, ao contrário de tantas outras, não tem como beneficiárias exclusivas as populações dos países do terceiro Mundo, ou de regiões afectadas por conflitos ou catástrofes, bem pelo contrário, esta é uma causa de toda a Humanidade, porque é a sua existência que está em risco.

Com a eleição do Presidente Barak Obama, acendeu-se uma luz, numa das nações com maior responsabilidade no agravamento dos problemas relacionados com as excessivas e descontroladas emissões de CO2 na atmosfera. O novo Presidente parece ser um homem mais sensato e mais consciente, quer da situação alarmante do estado actual da camada de ozono e das consequências nefastas dos gases de efeito estufa, quer da sua quota-parte de responsabilidade no problema, tanto mais que o seu país e, mormente, o seu antecessor se comportou como uma avestruz teimosa, prepotente e arrogante, dando ao Mundo, uma imagem muito negativa da América do século XXI. Este comportamento do ex-presidente americano de muito má memória, além de ter prejudicado a imagem da América, até perante os seus aliados, deu os argumentos ideais para que outros gigantes da poluição, se recusassem também a assinar o protocolo de Quioto, assumindo um compromisso internacional para uma redução gradual, mas efectiva, das emissões avassaladoras de gases de efeito estufa.

As consequências não se fizeram esperar e têm sido bem notórias, quer em perda de vidas humanas, como em prejuízos materiais, decorrentes das catástrofes naturais, como os furacões, sismos e tsunami’s, inundações, alterações climáticas severas e destemperamento das estações do ano, tornando o Planeta cada vez mais irreconhecível.

Um outro efeito, altamente preocupante, é o das calotas polares que graças ao aumento gradual da temperatura média da Terra, estão a desagregar-se e a transformar o seu volume sólido em líquido, o que está a provocar uma alarmante subida do nível da água dos mares. Se nada for feito para travar este fenómeno, poderemos ver, ainda neste século, algumas zonas costeiras e ribeirinhas dos rios, serem literalmente engolidas, para não falarmos das imensas ilhas que, pura e simplesmente, desaparecerão do mapa.

Os líderes políticos, nos governos das nações, nas estruturas de poder internacional e regional, nas autarquias e pequenas comunidades, mas igualmente, os cidadãos individualmente, em família, nas colectividades e instituições em que se integram, nas forças políticas, sociais e culturais, nas empresas ou em qualquer género de organização humana, têm a obrigação ética e moral de agir a favor desta causa que é, porventura, a maior missão à escala planetária que alguma vez se impôs à Humanidade.

A situação, em face da sua amplitude, das consequências sentidas e já amplamente visíveis e tendo em conta os riscos futuros, é claramente uma situação de emergência que requer de todas as pessoas de boa vontade que se alistem num combate sem tréguas, começando por um exame íntimo de consciência que responda a uma pergunta inevitável – O que devo fazer para ajudar a mudar esta situação de emergência ambiental?

É minha convicção que todos nós temos o dever de fazer tudo quanto está ao nosso alcance para não sermos responsáveis pelo efeito estufa e pelo lançamento descontrolado de CO2 na atmosfera, e na verdade há muitos gestos e atitudes que podemos adoptar para melhorar a situação actual, basta que queiramos realmente participar da mudança e não nos acomodemos ao fatalismo e à inércia.

A minha grande esperança reside nas crianças, jovens e gerações vindouras, a quem devem ser dadas novas chaves para um pensamento mais amigo e respeitador do Planeta, com conceitos, atitudes e comportamentos que ajudarão a inculcar valores e princípios éticos e morais que serão os pilares de uma educação para o desenvolvimento sustentável.

Operar uma mudança nas mentalidades, sobretudo das novas e vindouras gerações, é a melhor forma de procurar inverter o rumo desastroso da Humanidade, tentando salvar um Planeta, que se encontra em grande perigo de vida e que, a meu ver e não querendo ser tremendista, só se salvará se houver um plano de emergência que comprometa todos os povos, governos e cidadãos do Mundo que queiram correr para tentar ganhar a maior corrida, de sempre, contra o tempo.