PS com listas “com muita competência, representatividade e disponibilidade”

O Partido Socialista entregou, na sexta-feira, no Tribunal Judicial da Comarca da Maia, as listas candidatas do partido às eleições autárquicas. Os socialistas concorrem a todos os órgãos e no caso das freguesias, concorre a todas as assembleias de freguesia do concelho. Listas que o presidente da Comissão Política da Maia do PS, Mário Gouveia, considera vencedoras a todos os níveis.

No caso das Juntas de Freguesia, Gouveia adianta que o PS apresenta quatro mulheres a encabeçar listas às Assembleias de Freguesia. Carla Dias lidera a lista a Folgosa, Maria Manuela Nunes a lista a Gemunde, Susana Pinheiro a Milheirós e Isabel Quelhas a Santa Maria de Avioso. Mário Gouveia aponta o adversário mais directo do PS, “onde não há nenhuma mulher a encabeçar as listas, o que quer dizer que será histórico nestas eleições autárquicas que, pela primeira vez, haverá uma mulher a conduzir os destinos de uma freguesia e essas mulheres serão socialistas”, acredita.

Por outro lado, o líder socialista da Maia também acredita que conseguiram uma boa composição das listas com pessoas “com muita competência, com muita representatividade dentro das freguesias e essencialmente com muita disponibilidade para servir as comunidades e isso é fundamental. Não basta ter pessoas a encabeçar listas que depois não têm tempo para se dedicar aos problemas das freguesias muitas vezes por ocupações profissionais”.

Afirma ainda que os candidatos do PS têm “disponibilidade” para servir as comunidades e que isso é uma vantagem para o partido. “Acho que as nossas listas são listas para competir para a vitória”. É nesse pressuposto que se apresentam ao eleitorado maiato para ganhar. “E só esse é o nosso objectivo”. “Queremos conquistar o maior número de juntas e também conquistar a Câmara Municipal e conseguir a maioria na Assembleia Municipal. Acho que é o objectivo de um partido de poder que quando concorre para ganhar que é o caso do PS”.

Só com a entrega das listas no Tribunal é que passou a ser conhecido o candidato à Assembleia de Freguesia de S. Pedro Fins. Mário Gouveia assume que existem sempre dificuldades em encontrar candidatos “com a exigência e o rigor que nós pretendemos”. Reitera que é fácil encontrar pessoas para encabeçar listas, o difícil “é encontrar pessoas que tenham aquilo que nós consideramos essencial, competência, responsabilidade e disponibilidade e em S. Pedro Fins encontrar essa figura não foi fácil e o PS, enquanto não encontrou o perfil ideal para representar os interesses do PS e foi só isso que aconteceu”, explica.

Quanto aos acontecimentos relacionados com Gueifães, Mário Gouveia adianta que enquanto presidente da concelhia socialista sempre entendeu que Alberto Monteiro era quem melhor defendia os interesses do PS. “Sempre foi para mim claro que o PS tinha que apresentar a candidatura de Alberto Monteiro, seguindo as orientações que tinha sido apresentadas pelo secretário-geral logo no início do processo eleitoral autárquico, em que os presidentes de junta e de câmara iriam ser todos reconduzidos e, portanto, Alberto Monteiro não podia ser uma excepção. O Partido tem que estar acima dos interesses pessoais e foi essa a decisão que tomamos”.

O caso de Gueifães

O também primeiro candidato à Câmara Municipal acredita que estas questões internas não irão prejudicar os resultados eleitorais em Gueifães. “Penso que o partido na freguesia vai unir-se à volta da candidatura de Alberto Monteiro, que foi isso que já aconteceu ao longo de 20 anos. Em todas as eleições, nos últimos 20 anos, Alberto Monteiro foi um candidato vencedor com maiorias absolutas e, portanto, acho que todos os militantes vão juntar-se à volta da sua candidatura e os gueifanenses não terão dúvidas em manter Alberto Monteiro como presidente da Junta de Freguesia de Gueifães porque ele tem realizado um trabalho brilhante na defesa dos interesses dos gueifanenses e no investimento que tem feito na sua freguesia”.

Questionado sobre as medidas que irá tomar em relação à secção de Gueifães do partido e a um grupo de militantes que alinhou ao lado de Hélder Ribeiro, Mário Gouveia garante que agora só importa pensar na campanha eleitoral. “É com isso que nos vamos preocupar”. Até porque “já vimos que estamos em desvantagem em relação ao PSD, pelo menos, no que toca ao número de outdoors, em que se vê o poderio financeiro de quem está no poder e de quem não está no poder e, portanto, nós iremos ter que fazer um tipo de trabalho e estratégia diferente da maioria que está neste momento no poder, que nos obrigará a um empenhamento muito grande junto das populações para fazer passar a nossa mensagem, ao contrário da maioria que como todos vemos nas ruas da Maia, praticamente todas as ruas estão proliferadas de outdoors e de outros meios que a maioria vai tendo, que quem está na oposição não consegue”, afirmou.

Mário Gouveia também não se mostra preocupado com a campanha eleitoral na maior freguesia do concelho, Águas Santas, cujo autarca faleceu no decorrer deste mandato. Considera que se trata de uma freguesia “tradicionalmente” socialista, neste momento liderada por António Teixeira, “que tem feito um trabalho muito interessante, dando continuidade” ao trabalho que foi realizado por Manuel Correia. “Penso que a população de Águas Santas irá continuar a apoiar a política que tem sido seguida pelo PS na Junta de Freguesia de Águas Santas”.

Garante que a campanha irá ser igual em todas as freguesias, por onde vão andar a conversar com as pessoas “ouvindo as suas preocupações e as suas necessidades. Será essa a campanha que iremos realizar em todo o concelho”, concluiu.

Hélder Ribeiro recorre ao Tribunal

Afinal o braço-de-ferro entre a secção de Gueifães do PS e a Concelhia ainda não chegou ao fim. Esta segunda-feira de manhã, o secretário coordenador da secção entregou no Tribunal Judicial da Comarca da Maia a lista candidata à freguesia. No entanto, na terça-feira, o tribunal tornou pública a lista liderada por Alberto Monteiro. Nada satisfeito com o desfecho, um grupo de cidadãos entregou um requerimento em tribunal solicitando a intervenção do juiz no processo.

Na segunda-feira, à porta do tribunal, Hélder Ribeiro dizia ter ido entregar “a lista oficial do PS concorrente à assembleia de freguesia de Gueifães”. A existir um braço-de-ferro, dizia, este seria “entre a ilegalidade e a legalidade”. “Eu acredito na justiça e acredito que quem tente algum ilícito não tenha sucesso e mesmo que o tenha circunstancialmente tudo faremos do ponto de vista político e jurídico para que a legalidade seja reposta”.

Adiantou também que o mandatário concelhio do PS, Rui Novais de Oliveira tinha sido notificado judicialmente, através de uma acção de notificação judicial avulsa, de manhã, através de um oficial de justiça de que a lista estava disponível para ser entregue no tribunal. “Esse mandatário ficou sabedor, oficialmente, de que a lista oficial é a lista encabeçada por mim”, referia.

No fundo, caberia ao juiz a decisão final. Hélder Ribeiro diz desconhecer se o mandatário concelhio entregou uma lista encabeçada por Alberto Monteiro. Mas “se tiver entrado uma lista que não a minha, ela é uma lista fraudulenta e tudo faremos civil e criminalmente para repor a legalidade. Não quero acreditar que o juiz possa aceitar porque isso era inverter toda a legalidade e era um atropelo grotesco à legalidade”.

Esta quarta-feira acabou por cumprir o prometido e entrou com um processo no Tribunal. No documento contam todo o processo ao juiz e solicitam que seja indicado um novo mandatário do PS para o concelho da Maia uma vez que o actual “não tem legitimidade para o efeito, não se encontra recenseado no concelho da Maia nem neste reside.”

Querem também que a lista apresentada pelos requerentes “seja considerada como a lista indicada pelo Partido Socialista para a Assembleia de Freguesia de Gueifães” e que a lista apresentada pelo mandatário seja “considerada nula por não ser a que corresponde à decisão dos órgãos estatutariamente competentes no Partido Socialista”.

Processo disciplinar

Na semana passada, a PRIMEIRA MÃO, Hélder Ribeiro mostrou parte do Acórdão da Comissão Federativa de Jurisdição, que declarava válidos todos os actos realizados no dia 18 de Julho de 2009, a saber, a Assembleia-Geral de militantes da secção de Gueifães, a votação realizada e o escrutínio efectuado.

No entanto, esta semana, PRIMEIRA MÃO teve acesso ao acórdão na íntegra. Neste, e tomados os factos assentes, ficou também decidido prosseguir disciplinarmente contra Hélder Ribeiro e Francisco Cunha, acusando-os da “prática de actos ofensivos da imagem do Partido Socialista, violação do dever de zelo e lealdade no exercício de cargo político, desrespeito pelos estatutos do Partido Socialista, designadamente ao impedir o regular funcionamento de órgão político como era o caso da Assembleia-geral de militantes de 11 de Julho supra referida”. No que diz respeito a Hélder Ribeiro, o documento diz ainda que, “por ignorar deliberadamente a orientação política emanada da direcção nacional do PS, no sentido de criar condições para a recandidatura dos autarcas actualmente em exercício”. E acrescenta ainda que Hélder Ribeiro, enquanto secretário-coordenador da secção de Gueifães tem, de acordo com os estatutos, “a responsabilidade de executar a linha política do Partido definida pelos órgãos competentes, desde logo e em primeiro lugar, as orientações da direcção nacional e do secretário-geral do PS”. Mais, “durante as diligências instrutórias não foi possível vislumbrar nenhum esforço sério para dar seguimento à orientação definida pela direcção nacional no que toca às candidaturas autárquicas”. E ainda relacionado com o secretário-coordenador de Gueifães, o acórdão refere que a sua conduta “violou” os estatutos do Partido Socialista “ao tentar impedir” a participação do presidente da concelhia na “frustrada” assembleia marcada para 11 de Julho, participação a que este tinha direito por força dos estatutos, reforçada pelo convite que lhe havia sido dirigido pelo presidente da mesa”.

Isabel Fernandes Moreira