Maia produziu menos resíduos devido à crise

Entre Janeiro e Junho deste ano, a Maia produziu menos resíduos indiferenciados do que em igual período do ano passado. É o que revelam os dados disponibilizados pela Maiambiente. De acordo com a empresa municipal, que recolheu 20 mil 913 tonelas de resíduos, registou-se uma redução de 2,65 por cento no total de resíduos recolhidos, com uma redução de 4,69 por cento nos resíduos indiferenciados e um aumento de 4,26 por cento nos resíduos valorizáveis por reciclagem e compostagem, incluindo RC&D e objectos volumosos.

O director geral da Maiambiente, Carlos Mendes, gostava que essa diminuição fosse reflexo de uma melhor reciclagem. “Uma contribuição resultará de uma maior consciência dos munícipes e a produção de resíduos tenderá a ser menor”. Contudo, isso não será de todo verdade, assume. Receia que a diminuição esteja ligada à própria crise. “Será indissociável da crise económica que vivemos e que se traduz num menor consumo e também numa menor produção de resíduos. As pessoas fazem alguma contracção quando fazem compras”, justifica.

Segundo os mesmos números, os resíduos valorizáveis representaram 24,4 por cento do total de resíduos recolhidos. Recorde-se que em 2008 o rácio era de 22,8 por cento.

De acordo com Carlos Mendes, os resíduos enviados para reciclagem ou compostagem continuam a aumentar, no entanto, esse aumento é inferior ao que aconteceu em 2008. Entre as fracções que mais cresceram, diz a Maiambiente, registo para os RC&D, REEE, Embalagens, Plástico, Resíduos Orgânicos, Metal e Madeira. As fracções objectos volumosos, vidro e papel tiveram variações positivas marginais. Em sentido oposto, registo para a redução da fracção Resíduos de Jardim, Pilhas e Baterias. O papel, o vidro, e os resíduos verdes e de jardim no seu conjunto, continuam a ocupar as posições cimeiras entre os matérias recicláveis.

Os resultados agora divulgados evidenciam a crescente sensibilidade da população para com a temática dos resíduos e a sustentabilidade dos recursos, indutora de comportamentos ambientalmente mais responsáveis. Ao longo do tempo, a Maiambiente tem-se preocupado em criar as condições que melhor respondam a estes novos requisitos e necessidades, através do alargando de serviços existentes e da criação novos serviços, estratégia esta que se manterá.

Numa análise mais global, Carlos Mendes sublinha que a reciclagem, no seu todo, “cresceu”. As fracções que têm mais peso nas quantidades recolhidas “todas elas cresceram”, excepção para os resíduos de jardim e esse factor “pode estar ligados a questões climatéricas”. “Foi de facto de todas as fracções mais relevantes a única que não teve um crescimento”. O responsável realça ainda alguns crescimentos “importantes”. Aponta o caso das embalagens cujo crescimento já era elevado e “mantém-se com taxas de dois dígitos de crescimento, o que é assinalável”, acrescenta.

Em 2009, um dos objectivos da empresa passava por aumentar “consideravelmente” os resíduos enviados para valorização por reciclagem e compostagem mas o director geral reconhece que a empresa não pode continuar a crescer à taxa que vinha a crescer, inclusive, “há fracções que estão próximas da saturação”. A título de exemplo aponta vidro “onde já não será possível crescer muito mais”. Internamente a ideia passava por chegar aos 25 por cento do total de resíduos recolhidos e enviados para reciclagem face ao total de resíduos produzidos. No primeiro semestres ficaram nos 24.4 por cento e está convencido que, entretanto, os projectos que foram implementados e ainda poderão vir a ser implementados até final do ano podem contribuir para cumprirem os objectivos previsto.

Continuar a crescer

Mas o objectivo, acrescenta, não é ficar pelos 25 por cento. “Queremos continuar a crescer até que seja possível encontrar nos resíduos que são enviados para incineração algum material que possa ser desviado e encaminhado para outro tipo de tratamento designadamente estes da reciclagem e da compostagem”, explica.

Carlos Mendes recorda que quando fizeram os orçamentos e definiram cenários para o presente ano, estavam com alguma expectativa de, tendo em conta o crescimento histórico, tendo em conta aquilo que eram os projectos que tinham pensado implementar, “os resultados em 2009 seriam melhores do que aqueles que realmente se verificaram”. Carlos Mendes reitera que, em 2008, não conseguiam prever que a crise económica pudesse ter tal efeito ao nível do consumo e quando foram feitas as previsões para 2009 também não sabiam em que momento seria possível implementar os projectos que estavam definidos para 2009. E a verdade “é que houve alguma derrapagem temporal, o que fez com que os resultados que verificamos no primeiro semestre poderiam ter acontecido mais cedo e, portanto, o crescimento poderia ter sido ligeiramente superior”.

Em todo o caso, e por comparação com aquilo que o administrador conhece de outros municípios vizinhos da Maia, “a situação é semelhante, também se verifica alguma contracção no consumo a produção de resíduos”, conclui.

Isabel Fernandes Moreira