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Pedrouços está em festa

"Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria? Vede o para que nasceu. Nasceu para que d’Ela nascesse Deus". Assim disse o Padre António Vieira, em alusão à Imaculada Conceição de Virgem Maria, poupada pelo pecado original. A Nossa Senhora da Natividade é uma celebração que ocorre nove meses depois da Imaculada Conceição. Nove meses é o tempo de gestação de um novo ser. Novos seres que, acredita o povo, estão sob protecção de Nossa Senhora da Natividade. A crença advém daí: acredita-se que a santa protege as futuras mães e os seus rebentos. Em Pedrouços, à semelhança do que acontece noutros locais, festeja-se e honra-se, há muito tempo, a santa das parturientes.

Há menos tempo está em funções a actual comissão de festas de Nossa Senhora da Natividade, em Pedrouços. É o segundo ano que organizam as festas. Em moldes bem diferentes do que aconteceu até 2008, como conta Joaquim Araújo. O presidente da Comissão de Festas lembra que as festividades de anos anteriores se resumiam apenas ao espaço do adro da igreja, que tem "cerca de mil metros quadrados, e assim as festas não podiam ser muito expressivas, porque a área não o permitia".

O ponto de viragem, diz Joaquim Araújo, foi "quando a actual comissão de festas tomou posse durante o ano passado". As festas em honra de Nossa Senhora da Natividade têm agora "outro rumo" e estenderam-se até à Avenida de Nossa Senhora da Natividade, em Pedrouços. A avenida central da freguesia tem cerca de dois quilómetros de extensão e uma largura de 20 metros. Agora, confessa o responsável pelas festas, "os festejos têm a grandeza que merecem".

As diferenças em relação às festas que se celebraram até 2007 são colocadas por Joaquim Araújo numa escala "de cinco a 20". Diz o presidente da Comissão de Festas que "antigamente era cinco, agora é 20". O que não significa que as festividades de anos anteriores não tenham existido. Existiam, "com uma equipa a trabalhar, só que não tinham, penso eu, os mesmos meios humanos para elaborar as festas com esta dimensão", revela Joaquim Araújo.

E quem fala em meios humanos fala também em verbas. Ou na falta delas. A escassez de dinheiro é o denominador comum a várias festas que se celebram por todo o concelho da Maia. Mais uma vez, vem "à baila" a tão falada crise. "Em Pedrouços temos, essencialmente, uma população da classe média-baixa, mas com um bocadinho de engenho, trabalho e várias iniciativas ao longo do ano, como são as janeiras, as vendas de rifas, teatros… vamos conseguindo verbas para fazer estas festas, porque de outra forma era impossível". Os peditórios porta-a-porta foram equacionados, mas Joaquim Araújo confessa que esse método está "ultrapassado", embora se consigam "algumas verbas que não são suficientes". A angariação de dinheiro para as festas é uma actividade que "dura todo o ano". Joaquim Araújo compara a comissão de festas a um "executivo que se reúne todas as semanas para trabalhar e elaborar iniciativas de todo o género".

Um exemplo dessas iniciativas foi um almoço em tons de festa, organizado pela Comissão de Festas na Casa do Alto, durante todo o dia 23 do mês passado. Porco assado no espeto, bebida, bailarico e insufláveis para as crianças. O dia foi animado, mas menos animados estavam os bolsos dos populares. As pessoas eram em número satisfatório mas não abriram os cordões à bolsa. Não se chegou ao prejuízo, mas a receita foi quase inexistente. O tesoureiro da Comissão de Festas da Nossa Senhora da Natividade, António Monteiro, confessou que "quando se chega ao fim o saldo é quase negativo, mas não quer dizer que haja prejuízo, mas o lucro também não é uma coisa abundante". O número de populares que acorreram à Casa do Alto deixou contentes os organizadores da festa, mas faltava o mais importante: o dinheiro. António Monteiro queixou-se do "pouco consumo" feito pelas pessoas durante a angariação de fundos, o que "torna tudo muito mais difícil" para preparar a festa. Além do esforço financeiro, existe também o esforço pessoal e físico por parte da organização. António Monteiro lembrou que "é preciso deixarmos o nosso trabalho, que é por conta própria, para prepararmos as festas". O tesoureiro da comissão de festas adiantou ainda que "há muito trabalho pela frente, nas ruas, na igreja" e impede a realização de novas angariações de fundos, uma das hipóteses para engordar as receitas. Ao balcão improvisado, estavam vários populares que se queixavam, entre eles, da falta de dinheiro. Veio à baila, mais uma vez, a frase de ocasião: "É a crise!". O esforço financeiro da Comissão de Festas de Nossa Senhora da Natividade continua. Para os organizadores, esta foi também uma forma de ocupar o espaço da Casa do Alto que se encontra, dizem, subaproveitado. "Mas tudo é ultrapassado com muito esforço", adianta Joaquim Araújo, a braços com comemorações "maiores do que se fazia em anos anteriores" e, deste modo, mais caras.

O dia da procissão

E para não fugir à tradição, o momento alto que a Comissão de Festas destaca é, à semelhanças de outras que se celebram por todo o concelho (e por todo o país), o dia de domingo. Ou seja, o dia de procissão. "É o dia em que se honra como deve ser a Nossa Senhora da Natividade", avança Joaquim Araújo. Uma procissão com dois quilómetros de extensão, que conta com 16 andores, menos um que em 2008. E à semelhança do que acontece noutros locais, também em Pedrouços há uma espécie de "lista de espera" para segurar andores. Os fiéis querem, desta forma, pagar promessas feitas aos santos. Para quem não se interessa muito pelo lado religioso da festa, há sempre a vertente profana. E para esses há programa de sobra, para todos os gostos. E por falar em gostos, ou no apuro dos mesmos, o porco no espeto vai estar, mais uma vez, em destaque. Desta vez na "tasquinha" da Comissão de Festas durante o dia de amanhã.

Pedrouços é uma freguesia jovem e está colada aos concelhos de Valongo, Matosinhos e Porto. A característica de freguesia suburbana e o rótulo de dormitório podiam comprometer as festas que são, acima de tudo, uma tradição enraizada. Tal não acontece, avança Joaquim Araújo. Aliás, é essa proximidade com os três concelhos do Grande Porto que trás às festas "milhares de pessoas, num número que não consigo estimar", acrescenta. O que o presidente da Comissão de Festas pode avançar é aquilo que a retina regista. "Vejo sempre um enorme aglomerado de gente ao longo de toda a procissão que, recorde-se, tem dois quilómetros de extensão". Enorme aglomerado de gente que foi o pretexto para o tesoureiro da Comissão de Festas, António Monteiro, considerar as celebrações como um "mini São João" em terras pedroucenses. Mas um "mini São João" mais comedido, já que a Comissão de Festas "tem o cuidado de cumprir horários tanto nos espectáculos como no fogo-de-artifício". As festas não se arrastam para além da uma hora da madrugada, "para permitir à população o descanso merecido", garante Joaquim Araújo. Mesmo com muita gente a assistir, a actual comissão está "com os pés assentes na terra", consciente de que Pedrouços é uma freguesia jovem. "Sabemos muito bem até onde podemos ir, e não podemos continuar assim numa escalada constante. Neste momento as festas são apropriadas à dimensão da freguesia, e mesmo com as dificuldades que estamos a passar, sente-se que a população faz um esforço para dar donativos porque gostam de ver coisas boas na nossa terra". A generosidade da população pedroucense chega a ser intensa: "Até nos comove e dá-nos uma certa força para continuar o trabalho… que não é nada fácil". Prova disso foi a iniciativa, tomada pela população, de angariar verbas por vontade própria. "Fizeram uma caixinha e todos os meses recolhiam dinheiro. Algumas pessoas davam nem que fosse um euro ou assim… resultou muito bem".

A aposta na promoção das festas é uma das linhas que guiam a actual Comissão de Festas, assente em quatro vectores: "a nossa paróquia, a nossa igreja, a nossa padroeira e a nossa freguesia". Para dar a Pedrouços "o melhor", a actual Comissão de Festas "quer engrandecer a freguesia em si e a Maia no geral", conclui Joaquim Araújo.

Programa das Festas

Dia 11 – Sexta-feira

9h00 – Alvorada com salva de morteiros

20h30 – Missa com homilia

Dia 12 – Sábado

9h00 – Alvorada com salva de morteiros

9h15 – Entrada do grupo de bombos na freguesia

20h30 – Missa vespertina com sermão solenizada pelo grupo coral de Nª Srª da Natividade

21h30 – Actuação do grupo “Zona Norte”

23h45 – Fogo-de-artifício

Dia 13 – Domingo

8h00 – Missa com homilia solenizada pelo grupo coral Santa Leonor

8h30 – Grande salva de morteiros

8h30 – Entrada da Banda Marcial de Gueifães e da Banda Musical Bombeiros Voluntários de Arrifana

11h00 – Missa solene

16h30 – Saída do quartel da fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Pedrouços

17h00 – Procissão

21h30 – Festival folclórico

Dia 14 – Segunda-feira

9h00 – Alvorada com salva de morteiros

21h30 – Actuação do grupo “Hi-Fi”

23h45 – Encerramento das festas e fogo de artifício

2 respostas
  1. Joaquim do Norte
    Joaquim do Norte says:

    O Joaquim Araujo da comissão de festas é o mesmo Quim que é candidato por um partido á Junta de freguesia?Bem se engana quem não se cuida, mas não os vou misturar os sicários da politica por que a actual comissão das festas do povo ao que pareçe está a querer dar o “melhor” (juro!)para a festa do povo.E o povo vai agradeçer banhado em lágrimas pelo gesto ternurento, eu arriscar-meia a dizer pela vivência que delas tenho a chamada da revista Vanity Fair ainda era pouco para a retratar o enfadonho e deprimente espectáculo de caciques antes das autarquicas…é só esperar pela procissão.Façam o favor de ter vergonha e não integrem a procissão!Já existem lá andores que chegue.Nobless oblige.

  2. qwerty
    qwerty says:

    Vergonhoso! Simplesmente vergonhoso! Ruído a rodos até à 1h35 da manhã de dia 15! Não têm o mínimo de respeito por quem tem o direito ao descanso a estas horas da noite. Pena que não sejam processados … Por cá vale tudo …

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