Opinião Miguel Ângelo Rodrigues: Uma salada russa – Em politica, não há coincidências!

A experiência de muitos anos ensinou-me que, na vida politica, nada acontece por acaso. Quanto mais estranhos são os factos, quanto mais aberrante for a situação, maior é a necessidade de percebermos o que se esconde por detrás dessa aparente realidade.

De facto, em Vila Nova da Telha, vive-se uma das mais estranhas e aberrantes situações políticas, caso único no País e arredores europeus, com uma candidatura, dita independente, a recolher o apoio público de partidos antagónicos como PSD, o CDS e o Bloco de Esquerda unidos para tentar derrotar a candidatura do Partido Socialista liderada pelo jovem Eng. Paulo Rodrigues. Além do PS, apenas a CDU teve espinha dorsal e dignidade politica para apresentar uma candidatura própria, mesmo admitindo que não é para ganhar, mas honrando uma tradição que eu acompanho há muitos anos e que traduz respeito pelos eleitores Vilanovenses.

O PSD, com medo de perder, não teve esse respeito nem pelos eleitores, nem pelos seus militantes que até são muitos, na freguesia. Deve ser também caso único no País, um partido que tem maiorias absolutas no Concelho há trinta anos, que pretende renovar essa maioria e não consegue apresentar listas em todas as freguesias. O Partido Socialista não só apresenta candidaturas em todas as freguesias como, em Gueifães, até apresentou duas.

Comecei a minha vida autárquica na Assembleia de Freguesia de Vila Nova da Telha em 1983 sendo Presidente da Junta o senhor José Reis eleito pelo PSD e de quem guardo boa memória. Depois, anos mais tarde, o PSD voltou a ser poder em dois mandatos através da eleição do senhor Fernando Cunha, homem de grande carácter. Isto é, nesta sequência de eleições autárquicas e até Pinho Gonçalves despir a casaca socialista com que foi eleito e se tornar independente, o PSD teve, na freguesia, tantos mandatos quantos o PS. Então qual foi agora a causa desta súbita impotência? O PSD da Maia deve explicar aos eleitores de Vila Nova da Telha porque faz tanta questão de ganhar a Câmara e a Assembleia Municipal e despreza as eleições para a sua Junta de Freguesia. Foi com medo de perder? Não conseguiu reunir candidatos para formar uma lista? Porque a freguesia de Vila Nova não lhes diz nada? Ou então… deverá explicar o estranho cambalacho que foi denunciado na última Assembleia Municipal pelo secretário da mesa e deputado do PSD senhor Domingos Sousa.

Afinal porque preferem, o PSD e os independentes de Vila Nova da Telha, a promiscuidade dos actos à clareza das intenções? De facto, a política é um palco privilegiado onde a ética dos comportamentos define a postura na vida das pessoas.

Aliás e a propósito, estas candidaturas ditas independentes são, na generalidade, um embuste e uma mentira. Ou são fruto de zangas e ressabiamentos ou são o reflexo do mais descarado oportunismo.

Há oito anos (2001) o Presidente da Junta fez a apresentação da sua candidatura "dita independente", ladeado pelo Dr. Vieira de Carvalho e pelo Eng. Bragança Fernandes. Os próprios outdoors da sua candidatura tinham o formato, a apresentação gráfica e as cores das do PSD. Qual é a seriedade disto? Agora, em 2009 repete que tem o apoio do Presidente e, pasme-se… da

Câmara. Então, se é assim, porque fazem ambos esta figura que, em nada os abona, nem prestigia a política e a democracia? Porque não assume Pinho Gonçalves uma candidatura pelo PSD, preferindo iludir as pessoas, se em representação da Junta está na Assembleia Municipal há oito anos a votar, mesmo nas coisas mais insignificantes, ao lado do PSD? Que independência é esta?

Uma coisa séria

A democracia faz-se com os partidos, com a defesa coerente de valores e de princípios. E por isso, mesmo nas coisas mais simples…ninguém é, na verdade, independente.

É evidente que, quando falo em partidos, em que sou um velho militante do Partido Socialista, estou a falar de uma coisa séria. Esta situação que ocorre em Vila Nova da Telha, caso único no País, diz bem do estado pantanoso a que chegou a política na Maia. Quando os extremos se tocam, quando CDS e Bloco de Esquerda se unem também no apoio aos ditos independentes temos de concluir que realmente isto está a ficar politicamente muito pobre.

Poder-se-á questionar se é uma questão de mérito especial dessa candidatura mas honestamente as pessoas sabem que não, pois Vila Nova da Telha não é nem mais nem menos, que as outras Freguesias da Maia.

É a Câmara quem faz todas as obras, grandes ou pequenas, quem desenvolve quase toda a acção escolar, social e até desportiva. As Juntas são, sobretudo, um centro de iniciativas e de capacidade criativa dos seus autarcas. Tanto o CDS como o BE sabem isto. Então, se para as eleições à Câmara e Assembleia Municipal apresentam cada um o seu projecto, o seu programa próprio e são candidaturas que se opõem, como podem ser convergentes para uma freguesia? Com que seriedade se propaga " é preciso mudar para que a Maia volte a sorrir" quando se constata que em causa estão apenas projectos pessoais?

São partidos com uma visão da sociedade completamente diferente, das políticas de imigração ao código do trabalho; da violência social e do desemprego, à questão penal; da politica agrícola e ambiental, à carga fiscal. Mas também sobre questões muito concretas em Vila Nova da Telha como a segurança, a habitação social e o rendimento mínimo, as politicas de apoio à infância, aos jovens e aos idosos.

Pelos vistos, para os líderes locais, na Maia não há diferenças entre o CDS e o BE o que significa que os seus programas políticos não são para levar a sério.

A coerência ideológica, a diferença dos princípios básicos e de valores sociais, entre CDS e BE é tão abismal que, mesmo no plano autárquico, só pode ser convergente no que respeita a tapar os buracos das ruas!

Sobretudo o buraco democrático de, ao não conseguirem obter pessoas disponíveis para formar uma lista e protagonizar uma candidatura em Vila Nova da Telha terem caído, ainda assim, na tentação caciquista de tratar os seus simpatizantes por idiotas dizendo-lhes em quem votar. Porque é nisso que se traduz o dito apoio. Quem pode levar esta gente a sério?

Esta autêntica salada russa de interesses retira toda a credibilidade á candidatura do IVNT – Independentes por V.N. Telha, retira poder reivindicativo à Freguesia e não enobrece a Maia, no plano eleitoral autárquico.

Não posso terminar esta abordagem sem fazer uma declaração de interesses,

para dizer que, o Eng. Paulo Jorge Rocha Rodrigues, candidato do PS a Vila Nova da Telha, é meu filho e tenho nele um enorme orgulho pelas suas qualidades e pelo seu valor. Talvez assim fique explicada muita coisa e tanta oposição. Se ganhar, como espero, vai ser um grande Presidente da Junta de Vila Nova da Telha. O facto do seu site www.maisvilanova.com já ter recebido mais de 7.000 visitas e de 30.000 downloads de textos está a assustar muita gente.

Só alguém, com muita coragem e muita confiança, estaria no terreno a lutar contra esta santa aliança IVNT + PSD + CDS + BE!

1 responder
  1. Paulo Ribeiro
    Paulo Ribeiro says:

    Se alguém representa bem a sua freguesia nos diversos orgãos autárquicos, é natural que tenha merecido o respeito e apoio de várias forças políticas, mesmo que opostas.

    Desejo boa sorte para a candidatura do PS e espero que se concentre no trabalho que tem pela frente no apoio ao seu filho e deixe as outras forças partidárias fazerem o seu papel.

    Parece-me também que se o BE concorresse em Vila Nova teria tendência para “roubar” votos ao PS ao invés da já instalada lista independente.

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