CDU denuncia situação “muito preocupante” na Maia

 

Três candidatos da CDU à Assembleia da República, pelo círculo eleitoral do Porto, reuniram-se na semana passada à entrada para o Sector VIII da Zona Industrial da Maia, para uma conferência de imprensa sobre o emprego, o desemprego e as condições de trabalho no concelho. No âmbito da campanha para as legislativas de domingo, Luís Pinto, Marisa Ribeiro e Márcia Silva manifestaram-se preocupados com as pequenas empresas do concelho, tendo em conta os casos de falências, de “lay-off”, salários em atraso e desrespeito pelos trabalhadores.

Entre os exemplos de encerramentos estão a serralharia Novavida (Gemunde), a Cosval Candeeiros (Moreira), a Resideta (Zona Industrial da Maia), Candeeiros Lino e Incoalves (Milheirós) e ainda as empresas Serafim Ribeiro Candeeiros e Silva Dias e Dias (Águas Santas). Fecharam entre Fevereiro e Junho deste ano. Juntam-se as Bombas Valério (Pedrouços), onde os nove trabalhadores suspenderam os contratos ao abrigo dos salários em atraso. Também com salários em atraso, desde Junho, estão os cerca de oito funcionários da empresa Manuel Augusto Graça e Silva (Gueifães).

Outro exemplo de incumprimento salarial é a serralharia Metlóbajouca (Gemunde), onde até ao dia da conferência de imprensa (17 de Setembro) os funcionários ainda não tinham recebido o salário de Agosto. Uma situação que se arrasta desde Setembro do ano passado. Daí a escolha deste sector da zona industrial, aproveitando a hora de almoço para falar com alguns dos funcionários que almoçavam no passeio, à porta da fábrica. A CDU deu este cenário como exemplo da falta de condições, mas os operários sublinharam que existe cantina dentro da empresa. Sobre os salários, os trabalhadores lamentaram que a administração nada diga sobre os atrasos, atribuindo o cenário ao investimento que a empresa está a fazer na construção de outra fábrica. Ao mesmo tempo, acrescentou Luís Pinto, “eles compram carros”.

Mas não ficaram por aqui as denúncias. O tão falado “lay-off” é também uma realidade na Maia, sendo exemplo a Spirel (Milheirós), com redução do período normal de um dia por semana. Para mostrar a “precariedade” existente no concelho, citaram o recurso ao trabalho temporário e aos bancos de horas, na Ficocables (Vermoim). Já depois da referida conferência de imprensa, a CDU foi informada de outra irregularidade, na Confecções Andrade Unipessoal (Gueifães), onde está em curso o “lay-off” mas os funcionários estão a ser chamados para trabalhar as oito horas diárias e ainda mais uma.

Aposta na fiscalização

Apesar de serem quase todos casos de pequenas empresas, Luís Pinto concluiu, na conferência de imprensa, que a situação do concelho “é muito preocupante”. Outra candidata da CDU à Assembleia da República, Marisa Ribeiro, chamou a atenção para os grandes grupos económicos a operar na Maia, por exemplo, com hipermercados, onde “os trabalhadores têm que aguardar horas para ir à casa de banho”. Nos mesmos locais, é habitual fazerem contratos por um período de seis meses, daí resultando que os trabalhadores “não têm direito ao fundo de desemprego”, findo esse contrato.

A candidata a deputada manifestou também as preocupações da CDU com o cenário a que se assiste no Centro Comercial Venepor, onde “as lojas estão todas encerradas”. As que resistem, “ou é o patrão que lá está ou um funcionário completamente precário”.

Para responder a estes problemas e tentar inverter o cenário, a CDU propõe nesta campanha para as legislativas de domingo medidas que têm como principais destinatárias as micro e pequenas empresas. Márcia Silva deu como exemplo a suspensão do Pagamento Especial por Conta (PEC), “considerando que para estas empresas é demasiado oneroso”. Mas também a aposta na fiscalização, para evitar os casos de precariedade laboral que persistem no concelho, na região e no país.

A pensar nos desempregados que não recebem qualquer apoio, Márcia Silva deu voz à intenção da CDU de alargar os critérios de atribuição do subsídio de desemprego, a par da duração deste apoio. Outra questão que definiu como “central” passa pelo aumento dos salários, “de forma a aumentar o poder de compra e dinamizar a economia”.

Marta Costa

2 respostas
  1. João Manuek Tavares de Miranda
    João Manuek Tavares de Miranda says:

    Para além de 6 meses por liquidar ( Junho – Julho – Agosto – Setembro/2009 – Subsidio de Natal/2009 e Férias e Subsido de Férias/2009 ) não recebi qq indemnização pelos 21 anos de dedicação, pois a empresa ( MANUEL AUGUSTO GRAÇA E SILVA,LDA. ) foi considerada insolvente e com insuficiência de massa.
    Eu, continuo a tentar sem qq. meio financeiro de suporte TENTAR relançar a minha vida profissional ( aos 48 anos ), apesar de um grande currillum académico ( penso eu ) e a ex entidade empregadora aliviada!!!!
    O CRIME COMPENSA ( não pagar salários ) ……………………………………
    CONTINUO A AGUARDAR QQ COMPENSAÇÃO ..

  2. João Manuek Tavares de Miranda
    João Manuek Tavares de Miranda says:

    Apesar de ser decretada “insuficiência de Massa”, haverá ( pergunto eu ) alguma forma legal de receber a compensação de 21 anos de dedicação à entidade empregadora ” MANUEL AUGUSTO GRAÇA E SILVA, LDA ”
    DEVE HAVER TB PARA QUEM TRABALHA EM EMPRESAS/MICRO EMPRESAS forma legal de ser ressarcido pelos salários não pagos bem como pelas indemnizações devidas ….
    Sinto-me injustiçado pela dualidade …….

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