“Em nove épocas fomos campeões por nove vezes”

José Carlos Ribas é presidente do Maiastars, único clube de andebol feminino no concelho da Maia. Em entrevista ao Primeira Mão, falou das captações de novas jogadoras para as camadas jovens, dos objectivos para esta época e da falta de apoios ao clube.

PM – Já se iniciaram as captações para as camadas jovens do Maiastars? Com estão a correr?

JCR – Estamos no início desse projecto. Começamos esta semana, até porque as aulas estão a começar agora e dificilmente conseguíamos fazer uma captação sem as aulas terem começado. Em termos de iniciação, queremos raparigas entre os 6 e os 12 anos.

Já fazem estas captações há alguns anos. As raparigas da Maia têm aderido ao andebol?

Todos os anos fazemos captações. As bases, ao nível de praticantes de tenra idade, são fundamentais para um clube assegurar o seu futuro em termos de formação. Há anos em que as coisas correm bem, há outros que correm menos bem, mas tentamos sempre ajustar as cosas de forma a que o ano seguinte seja melhor.

É isso que esperam este ano? Que seja melhor que no ano passado?

Sim, sem dúvida. O Maiastars, neste momento, é a primeira referência em termos nacionais ao nível da formação no andebol feminino, que é modalidade colectiva mais praticada pela mulher portuguesa em termos federados. Temos atletas que são cobiçadas no estrangeiro, onde podem ter contratos de milhares de euros, mesmo sendo ainda das camadas jovens. Portanto, a implantação do Maiastars no país começa a ser um caso único relativamente ao “produto” que apresentamos. Em nove épocas fomos campeões nacionais nos escalões de formação por nove vezes, e na história do andebol português estamos a apenas um título nos escalões de formação de equipas que andam cá há 40 anos. Esperamos que seja já este ano.

No final da época passada disse que, exceptuando a Câmara da Maia, faltavam apoios por parte das empresas da Maia. Que tipo de apoios é que podem ser dados ao Maiastars?

A câmara municipal tem um papel fantástico na formação destas atletas. Seria impossível desenvolver este projecto sem o apoio da Câmara da Maia. A nossa frustração é vivermos num tecido industrial enorme, mas “morto” no sentido de se virar para a sociedade e para os bons projectos que a Maia tem. Tentámos, de diversas maneiras, que as empresas da Maia se tornassem nossas parceiras, mas umas porque não atravessa um bom momento, outras porque se refugiam nesse argumento. Na maioria dos casos nem feedback temos por parte das empresas. O facto é que os apoios não aparecem para um projecto que já tem dimensão internacional. Desde há dois anos que não temos um único patrocinador aqui da Maia e isso é um pouco preocupante.

É difícil gerir um clube com recursos tão reduzidos e objectivos tão ambiciosos?

Não. Se nós conseguirmos planear sempre como temos feito até aqui, com tempo e conscientes das nossas capacidades, o trabalho surge e com índices de qualidade elevados. Eu pergunto-me: se nós tivéssemos outra dimensão orçamental, onde é que estaríamos? Com certeza que estaríamos numa relaidad4e melhor, para nós, para a Maia e para as pessoas. Refira-se também que o nosso projecto é virado para todas as camadas sociais e as atletas não pagam absolutamente nada.

Em relação à equipa sénior, começaram bem o campeonato com um empate em casa das vice-campeãs nacionais, o Colégio de Gaia, e uma vitória sobre o Académico do Porto. É importante começar bem?

Julgo que sim. A nossa equipa sénior, de sénior tem muito pouco. São as atletas que foram juvenis o ano passado que constituem mais de metade da equipa, e vão ainda fazer o campeonato júnior. Que é a prioridade Por isso, com uma equipa tão jovem não podemos perspectivar o sucesso máximo. Mas pela juventude também sabemos que podemos ir crescendo mais os que os outros. Daí o nosso objectivo ser jogo a jogo, mas se este grupo se mantiver unido e fizermos um bom planeamento, podemos ter bons resultados a curto, médio prazo, quem sabe ainda este ano.

Horários das Captações

Os horários das captações são os horários dos treinos das equipas. Nos bambis, raparigas nascidas em 2001, 2002, 2003, às 4ª feiras no Pavilhão da Escola E B 2,3 da Maia, das 19h30 às 21h00 e aos Sábados no Pavilhão Municipal da Maia, das 11h00 às 13h00. Nas minis, raparigas nascidas em 1999 e 2000, à 2ª feira no Pavilhão Municipal de Ardegães, das 19h00 às 20h30, à 4ª feira no Pavilhão da Escola E B 2,3 da Maia, das 19h30 às 21h00, e aos Sábados no Pavilhão Municipal da Maia, das 1h00às 13h00. Finalmente as infantis, raparigas nascidas em 1997e 1998, À 2ª feira no Pavilhão Municipal do Corim, das 19h00 às 20h30, à 3ª feira no Pavilhão da Escola E B 2,3 da Maia, das 18h30 às 20h00, à 5ª feira no Pavilhão Municipal da Maia, das 18h30 às 20h00, e à 6ª feira no Pavilhão Municipal de Ardegães, das 19h00 às 20h30.

André Cordeiro