CDU denuncia "promiscuidade preocupante" do PSD

"Todos os meios servem para atingir os fins. Há inclusive visitas repetidas aos mesmos locais. Num dia como presidente, e depois como candidato do PSD". O alvo de António Neto, durante o concerto promovido pela CDU, em Pedrouços, no passado sábado à noite, que contou com a presença de Jorge Palma, foi o actual presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes. A meteorologia previa chuva para a noite de sábado, mas acabou por poupar a comitiva comunista que se juntou na Rua Francisco Dantas.

Houve sim uma chuva de críticas ao executivo. António Neto considerou que "a falta de vergonha, a arrogância, a preocupação pela força crescente da CDU faz com que Bragança Fernandes leve longe demais a sua propaganda e afirmações". E uma das afirmações que António Neto condenou prende-se com o facto de Bragança Fernandes ter considerado a Maia "um paraíso", algo que para o candidato comunista é impossível com "o desemprego a crescer, a exclusão social a aumentar e o concelho com problemas gravíssimos de mobilidade por resolver”.

As críticas não ficaram por aqui e estenderam-se ao CDS-PP. António Neto disse também que "a maioria PSD/PP afectada pelo desgaste, pelos erros, pelas promessas por cumprir e pela inércia dos últimos quatro anos, preenche o concelho de outdoors". Tocou novamente na "promiscuidade entre campanha do PSD e acções da câmara" ao falar nas "visitas e visitinhas que vai doseando", referindo-se, aqui, a Bragança Fernandes na dupla condição de presidente e recandidato. E rematou: "ainda diz que não precisa de fazer campanha".

A candidata da CDU à Assembleia Municipal da Maia, Márcia Silva, também contrariou a "Maia paradisíaca" de Bragança Fernandes, ao dizer que a cidade “não é um paraíso para os moradores do Bairro do Sobreiro, não é um paraíso para quem não tem transportes públicos, não é um paraíso para trabalhadores de várias empresas maiatas e não é um paraíso para cidadãos portadores de deficiência, que nem sequer podem assistir às assembleias municipais nem exercer o direito de voto".

Depois das intervenções, a lua não estava lá fora para além do firmamento, mas o senhor que se seguiu tratou de se encostar aos pedroucenses. Jorge Palma conduziu as vozes da comitiva comunista durante o resto da noite.