APPACDM vai ter novo edifício com lar residencial

Tudo aponta para que no dia 3 de Dezembro deste ano, Dia Mundial do Deficiente, seja lançada a primeira pedra para a construção do novo edifício da APPACDM – Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental da Maia. O desafio foi lançado pela presidente da instituição, Laura Gonçalves, na sexta-feira da semana passada, à empresa construtora e à autarquia, por altura da apresentação do projecto.

 

O novo edifício, que vai ficar instalado no lugar da Prozela, em Vila Nova da Telha, junto às instalações de A Causa da Criança, terá um lar residencial para 24 utentes, centro de actividades ocupacionais, “numa segunda fase,” e serviço de apoio domiciliário para 30 utentes e familiares.

De acordo com Laura Gonçalves, a APPACDM sentiu necessidade de criar o serviço de apoio domiciliário porque têm conhecimento que alguns utentes da instituição “infelizmente” não têm um suporte familiar. “Seis deles estão a viver em três residências da APP do Porto”, conta. Por isso, pensaram nos que estão e naqueles que virão e chegaram à conclusão que poderiam prestar esse serviço. Esta responsável acredita que se todos ajudaram “a nossa Maia poderá ficar mais rica e haverá menos pessoas a passar fome ou então a não terem os cuidados básicos de higiene”.

Por isso, no dia da apresentação, Laura Gonçalves dizia tratar-se de uma dia “profundamente marcante” porque “a lona era já um sinal visível daquilo que vai nascer”. E todo o projecto foi desenvolvido com a ajuda dos técnicos da APPACDM, tendo em conta as necessidades daqueles que vão ser os utentes, realçou a arquitecta Elodie Machado.

A nova infra-estrutura destina-se a servir mais de duas dezenas de pessoas portadoras de deficiência mental e outras a ela associadas, e será implantada num terreno com quase quatro mil metros quadrados, cedido pela Câmara Municipal da Maia, em regime de comodato. A obra, orçada em um milhão e 700 mil euro, será financiado a 75 por cento pelo Programa Operacional Potencial Humano (POPH), e a presidente da APPACDM aproveitou o momento da apresentação para pedir apoio à autarquia da Maia para comparticipar os restantes 25 por cento. “Temos a certeza que a nossa câmara vai dizer que os 25 por cento vão chegar”.

O presidente da Câmara, Bragança Fernandes, que aceitou o convite para ir conhecer o projecto, fez questão de realçar que a sua presença se prendia com o convite de Laura Gonçalves e que não se tratava de nenhuma iniciativa da autarquia. Depois, adiantou que vai “com certeza” apoiar a instituição. Aliás, já o faz mensalmente com mil euros. Em relação à obra “vamos fazer as ligações de água e saneamento, os arranjos exteriores, isentar de taxas municipais à semelhança do que fizemos com outras instituições e com certeza iremos suportar os 25 por cento que faltam porque eles não têm fonte de rendimento nenhuma”.

Laura Gonçalves referiu ainda que sempre teve “esperança” que na Maia se ia fazer algo pelos deficientes. E se não se edificou a estrutura mais cedo não foi por culpa da edilidade, mas sim “pelas exigências da Segurança Social, que muitas vezes não se compreendem e só com uma construção de raiz é possível”. Daí ter reiterado o agradecimento à Câmara da Maia o facto de ter cedido o terreno.

Isabel Fernandes Moreira