JP assinala 25 Novembro de 1975

À semelhança do que já tinha feito no ano passado, a Juventude Popular (JP) da Maia assinalou, na semana passada, o 25 de Novembro de 1975. A estrutura partidária esteve, na quarta-feira da semana passada em vários pontos do concelho da Maia, nomeadamente no centro da cidade, na Escola Secundárias de Águas Santas e em Vermoim. O objectivo era relembrar aos jovens maiatos a importância da data. “A JP da Maia foi junto dos jovens explicar aquilo que não vem, por claro oportunismo político, nos manuais de História do ensino básico e secundário”, refere a estrutura em nota de imprensa.

Recorde-se que a 25 de Novembro de 1975 deu-se o golpe militar que pôs fim à “influência da esquerda militar radical no período revolucionário” que começou em Portugal com o 25 de Abril de 1974. A acção militar constituiu uma resposta à resolução do Conselho da Revolução de desmantelar a base aérea de Tancos e de substituir alguns comandantes militares. Os partidários do designado "Poder Popular" ocupavam, na altura, várias bases militares, bem como meios de comunicação social. O contra-golpe foi desencadeado pelos militares da ala moderada, na qual se enquadrava Vasco Lourenço, Jaime Neves e Ramalho Eanes. Em consequência, o almirante Pinheiro de Azevedo permaneceu no poder enquanto primeiro-ministro do VI Governo Provisório e demitiram-se alguns militares entre os quais Otelo Saraiva de Carvalho.

O 25 de Novembro traduziu militarmente aquilo que a nível político se vivera no Verão Quente de 1975, dando origem a uma crescente estabilidade permitida pelo reforço do pluripartidarismo e da Assembleia Constituinte, que se tornou visível com a redacção da Primeira Constituição verdadeiramente democrática: a Constituição da República de 1976.

Os jovens populares da Maia consideram que se trata de “um ataque violento à consciência histórica” a forma “leviana” com que se trata a data que dizem ter sido da “verdadeira implantação do espírito democrático em Portugal”. A verdade, acrescenta a mesma nota, é que no contacto com os jovens maiatos constataram que grande parte não sabe o significado do 25 de Abril de 1974 e quase nenhuns sabem a importância do 25 de Novembro de 1975 como culminar da primeira data. “Quando confrontados com o significado do 25 de Novembro de 1975 como a data que terminou com o vergonhoso “Verão Quente de 75” e que colocou um ponto final na tentativa do Partido Comunista Português de tornar Portugal num regime autoritário de perfil soviético, os jovens pouco sabem e esclarecem que absolutamente nada deste assunto é abordado na disciplina de História”, acrescenta a nota de imprensa.

A estrutura da Maia acrescenta ainda que as campanhas que têm realizado anualmente, por altura da data, representa um “esforço” de aproximar os jovens aos factos históricos que acreditam que todos deviam reconhecer como “fundamentais” para o espírito democrático do país. “Alertamos todos os jovens e também as escolas de que é preciso passar a mensagem de que a Liberdade se conquistou efectivamente no dia 25 de Novembro de 1975 quando o Major General Jaime Neves e outros bravos conseguiram impedir a progressão da extrema-esquerda no aparelho político português”. A JP acrescenta, em jeito de conclusão que uma vez que se movem pela Liberdade, não deixarão “nunca” de comemorar a data como sendo “a da verdadeira revolução democrática”.

Isabel Fernandes Moreira