Clube dos Pensadores em livro

"Isto aqui não é para dizer bem de mim, podem dizer mal que eu faço questão". A frase é do fundador do Clube dos Pensadores, Joaquim Jorge, durante a apresentação do livro com o nome do clube, que aconteceu no Fórum Jovem da Maia, durante a noite da passada sexta-feira. Ladeado pelo antigo vereador do urbanismo da Câmara Municipal do Porto, Lino Ferreira, e pelo professor universitário Mário Russo, também membros do clube, Joaquim Jorge garantiu que não foi ao Fórum Jovem "para vender livros" e que a apresentação foi "simbólica, já que foi na Maia que os debates do clube começaram". A obra retrata quatro anos de debates que, ao todo, já chegam aos 40.

O livro tem prefácio de Pedro Santana Lopes, posfácio de Manuel Maria Carrilho e o "mesofácio" de Manuel Alegre. Em declarações anteriores à apresentação do livro, Joaquim Jorge justificou as escolhas: "Pedro Santana Lopes foi um excelente secretário de Estado da Cultura, Manuel Maria Carrilho, para mim, foi o melhor ministro da Cultura, com uma intervenção em todas as bibliotecas do país. As pessoas em política têm que ter memória. Manuel Alegre é meu amigo pessoal e é um rosto visível da sociedade e a nível da cidadania, goste-se ou não".

Informal, rigoroso com o tempo e num espírito de debate que faz falta à cidadania. Foi desta maneira que os vários convidados na sala definiram Joaquim Jorge e o Clube dos Pensadores durante a apresentação do livro que, afinal, mais não foi do que mais uma reunião do CdP. Como prova do rigor, tanto Lino Ferreira como Mário Russo tiveram dez minutos para usar da palavra. Coube ao antigo vereador de Rui Rio a confissão partilhada por vários membros da audiência. Lino Ferreira disse ter "saudades dos tempos de tertúlias", papel que "o CdP veio colmatar". Já Mário Russo mostrou-se surpreendido com "a vivacidade do debate", sublinhou também os métodos rigorosos de Joaquim Jorge e considerou "salutar" o facto de "o clube ser quase anarquista". Frisou também a "mudança do conceito de participação dos cidadãos" e a "lufada de ar fresco" que são as reuniões do clube. "O país precisa de mais coisas assim", acrescentou o professor universitário.

Depois das intervenções, a voz passou para a plateia. Uma ideia repetiu-se: "Isto dá para fazer um partido. O clube é um lóbi de pensamento", dizia Joaquim Jorge, ao referir-se às pessoas que estavam na sala. E as que não estavam também tiveram direito a "recado": "Há quem venha a uma reunião do clube e depois não apareça mais. Ou é porque está doente ou isto ou aquilo… o clube é um espelho da sociedade". Como consequência, Joaquim Jorge considerou ainda que "Portugal é um país muito mal frequentado". O fundador do Clube dos Pensadores também não esqueceu os que o atacam, principalmente através de comentários anónimos colocados na blogosfera. "Até gosto e faço questão que se vejam esses ataques", sublinhou Joaquim Jorge.

E quando a noite já ia longa e faltava pouco mais de meia hora para a meia-noite, um dos membros da plateia inquiriu os oradores sobre a ausência de garrafas de água nos palanques. Joaquim Jorge foi peremptório, e adiantou, sem hesitar, que "se queremos água temos que pagar".