Plataforma Logística Maia / Trofa fica na gaveta

A Plataforma Logística Maia/Trofa, anunciada pelo Governo, não se irá concretizar “enquanto o preços dos terrenos, que a construtora interessada – SOMAGUE – tem que pagar, não vier a descer para níveis mais baixos”. A denúncia foi feita esta semana pelo PCP (Partido Comunista Português), na sequência de uma resposta enviada pelo Ministério das Obras Públicas e Transportes ao Grupo Parlamentar do PCP.

 

De acordo com uma nota de imprensa do DORP, o ministério de António Mendonça esclarece ainda que “não há qualquer localização alternativa que esteja a ser encarada, nem está prevista qualquer data para construção desta Plataforma, evidenciando assim o abandono deste projecto que o próprio governo classificou como prioritário”.

A DORP do PCP considera ainda “ser escandaloso” que um projecto de tal importância “esteja submetido” à especulação imobiliária e ao interesse das construtoras. Lamenta “que o interesse nacional” seja “submetido ao interesse dos privados”.

Diz ainda o Partido Comunista que depois de “vários” investimentos adiados no distrito, de que são exemplo “o Metro do Porto, o Hospital Póvoa/Vila do Conde ou o Centro Hospitalar de Gaia”, o Governo desta forma “aprofunda-se a discriminação” da região ao deixar que a construção da Plataforma Logística Maia/Trofa deixe de fazer parte dos seus objectivos.

Os comunistas consideram que a construção desta Plataforma Logística seria “uma importante alavanca” para o desenvolvimento económico da região, “potenciador da manutenção e atracção de investimentos”, considerados particularmente importantes “quando se fala de concelhos com taxas de desemprego superiores à média nacional (Trofa 18 por cento, Maia 12 por cento, Santo Tirso 18 por cento) e que há anos carecem de investimentos centrais”.

O presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes, adianta que não tem conhecimento de qualquer decisão, no entanto, sublinha que “nunca” acreditou nas plataformas logísticas. Aliás, referiu, “todas elas estão paradas, a não ser a do Poceirão porque, julgo eu, a propriedade em questão pertence a dois proprietários”.

Para o edil da Maia tudo não passou de “show off” do Governo, “com a secretária de Estado a ir à Alfândega do Porto anunciar, com pompa e circunstância, as quatro ou cinco Plataformas Logísticas mas nenhuma arrancou”. Portanto, “não estou nada surpreso”, confessa.

Recordou ainda o PIDDAC (Programa de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central), onde o Governo anunciou vários investimentos, incluindo para a Maia “que depois não levou a cabo”. É o caso, recorda, “da variante à Estrada Nacional 14, que foi retirada do PIDDAC, mas que o presidente espera que este ano regresse.

A verdade, “é que eu já não acredito no PIDDAC nem nas Plataformas Logísticas, nem nas promessas do Governo”, reitera. E aponta como exemplo o Metro. Segundo Bragança Fernandes no protocolo de entendimento estava previsto começarem determinadas obras que também não começaram. Portanto, “eu já não acredito e não sei se se trata de uma perseguição política por sermos câmara do PSD”, confessa.

No caso da plataforma logística Maia / Trofa Bragança Fernandes recorda que está parada, depois da edilidade ter andado a fazer projectos e a tentar desviar a localização inicial da plataforma para não ocupar os terrenos de produção agrícola. “Tivemos os proprietários contra nós e agora não há plataforma nenhuma, mas eu também nunca acreditei que ela viesse”, acrescenta o edil da Maia.

Bragança Fernandes aproveitou ainda a ocasião para criticar o Governo por causa da Plataforma logística construída junto ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, em Pedras Rubras, que foi feita para servir o aeroporto mas que não tem qualquer acesso à A41. “O acesso que tem é uma via camarária, sem condições nenhumas de receber trânsito pesado. Nós já solicitamos várias vezes ao secretário de Estado para que fosse feito um acesso à A28 ou à A41, nem um nem outro foi feito”, explica Bragança Fernandes.

O edil da Maia acrescenta ainda que a autarquia nunca foi ouvida no processo nem sobre as ligações que seriam necessárias. “Mas estamos fartos de pedir que esta ligação seja feita e nunca fomos ouvidos“.

Isabel Fernandes Moreira