Opinião Arminda Moura: Novo ano, Nova vida…

Novo ano, nova vida, este é o sonho que acalenta o coração de muitos porque também sonhar é natural do ser humano.

Deitamos contas á vida e pensamos, “…este ano será melhor..”, será que o é? Pobre do pobre que é rico em falsas esperanças.

Tudo nasce, cresce mas também sabemos que tem um fim. Qual? Não o sabemos, nem Houdini com sua magia se salvou. Mas a miséria que cobre muitos com seu manto tem fim? O sofrimento que passeia em muitos lares acaba? As doenças, sempre em crescente mutação têm desfecho? Estas matam muitos que com elas se cruzam, mas alguns tais quais velocistas a enganam ilusoriamente crentes que cá ficam. Pobre do tolo que não sabe que é tolo! Todos sabemos que da dor alguns fogem mas da morte não se escondem, sua foice colhe crianças, velhos e novos, percorre todos os oceanos e pela terra se passeia e ceifa quem ela quer. Paladina em sua sentença aniquila ricos e pobres, sabichões, intelectuais, ateus, soldados, generais e quem ela quer mais.

Me desola ver recordes vencidos para constarem no livro do Guiness por loucuras e actos caricatos do Homem. Transpor metros no ar dentro de um carro e ter como travão de fundo uma parede suspensa e rodeada de água não me parece digno de louvor. Mas se este feito não tivesse espectadores talvez nem se demarcasse pela diferença mas todos correm a ver tal proeza. Lá vão todos, desde o pé descalço às maiores cadeias televisivas, todos se rendem ao momento que corre mundo rendendo bons momentos de suspense nos noticiários e colocando muitos de boca aberta com tal proeza.

Não sou diferente e também tal espectáculo eu vi, outro nome não podemos dar a tal acto, um novo recorde foi acrescentado no Guiness. Não aplaudi e condenei o dinheiro que se gastou com isto. Ninguém pensa nisto, queimou-se o foguete e a festa acabou! Para quê este recorde, só mesmo para satisfação de egos. Gostaria de ver inscritos neste livro muitos outros recordes, não pelo mau senso ou insensatez de muitos homens nem pela dor mas pela irradicação de tanto mal que assola o mundo. E muitos de nós, para não dizer todos, temos uma janela do mundo que nos entra todos os dias em casa e nos mostra o que se passa em muitos locais. Estes não são recordes bonitos de se ver e não sei se estes estão inscritos no livro dos recordes, talvez sim. Ver que o ser humano ainda se debate, aqui e em muitos sítios, com fome e que é colhido pela morte, constrange. Aflige ver os corpos retorcidos pela fome de quem espera algo, quanto mais não seja a morte, esta asseguro que depois de tanto sofrer muitos a querem ao pé deles e lhe pedem a ela um sinal de bondade. Lhes pedem que os levem com ela pois outros não se recordam deles.

Se gasta tanto dinheiro mal gasto em tontices e heroísmo nada heróicos e tanto bem se podia fazer…Muitos de suas sepulturas se levantariam e diriam com boas falas o podre social em que vivemos.

Vale ao menos na Maia a assistência aos menos afortunados ainda ser uma mais valia e o banco alimentar ter tido uma aumento, embora a crise a todos fustigue. É algo de louvar nos maiatos, por muito que custe todos contribuíram e ajudaram os menos abençoados, e, é sempre bom lembrar ao mais esquecidos: mais vale ajudar que ser ajudado, custa menos! Todos estes bens alimentares são distribuídos por instituições, centros e lares sociais e confortam a quem a eles recorrem. A Cruz Vermelha é outro dos locais que ajuda muitos tendo sempre um agasalho entre os alívios possíveis e lá vemos a carrinha a levar algo que alenta os estômagos aos pedintes de moedinhas. A própria autarquia também colabora e com ajudas do Fundo de apoio social, do Gabinete de Atendimento Integrado Local GAIL e do Projecto Novos Laços ajuda e promove o desenvolvimento e a integração de muitos marginalizados combatendo as fragilidades dos menos favorecidos. E se lembrem que na Maia ainda temos um presidente que tem como lema “ Porque o seu bem-estar é a nossa maior preocupação”.

Não queiramos, aqui, que das cinzas se levante e com sua pena sátira Gil Vicente escreva novamente como se vive em Portugal.

A Maia é diferente, construamos uma Maia à frente do seu Tempo .