Opinião – Victor Dias: Três em um seria o ideal…

Hoje é o dia D para a liderança do PSD, um dia decisivo para o futuro de Portugal. Todos temos consciência que é já quase uma inevitabilidade que o Partido Social-democrata venha a governar o país, talvez bem mais cedo do que se possa pensar e o Presidente Cavaco Silva deseja.

Tenho acompanhado com todo o interesse, a campanha eleitoral interna, na esperança de ver cabalmente esclarecidas as minhas dúvidas, nuns casos de natureza mais ideológica e programática, noutros, mais do carácter pessoal.

Vejo como um sinal de vitalidade e riqueza, o facto de se terem abalançado na corrida à liderança, candidatos com potencial para disputar, taco a taco, as eleições internas e não sou nada partidário das desistências a meio do caminho, bem pelo contrário, entendo que a desistência é sempre um sinal de fraqueza, por oposição à derrota e à sua aceitação democrática que é, a meu ver, sempre uma lição de cidadania e serviço à Democracia, de quem arrisca, em nome de causas e de ideais, sem se deixar intimidar por lógicas calculistas ou receio de retaliações futuras, vindas dos vencedores, até porque isso não é compaginável com o ideário social democrata.

Confesso que reconheço virtudes e defeitos em todos os candidatos, especialmente nos três com maior visibilidade pública.

Para mim, muito mais do que a imagem, a capacidade discursiva e a habilidade para contornar as perguntas e questões difíceis, durante os debates, frente aos militantes ou às câmaras de televisão, importa sobretudo perceber como, cada um deles, enfrentaria os gravíssimos problemas do país, uma vez eleito Primeiro Ministro. Que ideias tem, que soluções e políticas preconiza e que programa apresentaria?…

Para além de todas estas respostas que eu gostaria de obter, com clareza e total objectividade, penso que é fundamental que o próximo Chefe do Governo seja uma pessoa serena, dialogante e capaz de construir consensos consistentes que pacifiquem a sociedade portuguesa, para que nos possamos todos, sem excepção, concentrar na “salvação” do país, na recuperação da economia e da credibilidade interna e externa.

Para levar a bom termo essa missão, precisamos de alguém que não seja neoliberal, que não esteja demasiado agrilhoado a compromissos e conexões, do meu ponto de vista, muito pouco social democratas e, sobretudo, precisamos de não ter dúvidas de carácter sobre o sentido da ética e da lealdade que cada candidato aporta consigo.

Não vou apelar explicitamente ao voto em ninguém, mas convido os militantes do PSD a reflectir, segundo a minha proposta de análise, acerca destes valores fundamentais, sobre os quais se edifica a nossa confiança pessoal, sentimento imprescindível à doação do nosso voto, em acto individual e intransmissível, secreto e livre.

Amanhã, seja qual for o resultado, cada militante deve aceitar a decisão da maioria, por mais ténue que seja, e alistar-se em combate. Um combate político duro, exigente, mesmo muito exigente, mas absolutamente necessário para salvar Portugal da banca rota e do ridículo internacional, como está a acontecer com a pobre Grécia que, agora estende a mão a uma Europa, em que os mais fortes e poderosos, não contentes com a negação de solidariedade europeia, ainda escarnecem e fazem da miséria dos helénicos, motivo de comédia e humor negro…

Já que não é possível fundir o melhor dos três candidatos com maior probabilidade de vitória, que vença o melhor, mais bem preparado e intelectualmente mais honesto, porque mais do que o PSD é disso que Portugal precisa – urgentemente!…