Opinião – Nelson Ferraz: O PSD na Maia

As instituições, tal como as pessoas, são, em cada momento, o culminar de toda a história que as antecedeu, por isso, é legítimo dizer que a identidade de um povo é a sua história. Aqui, versarei, concretamente, na do povo Social Democrata da Maia.

Quero, assim, prestar homenagem àqueles que, no dia 15 de Fevereiro de 1975, tomaram posse, constituindo a Comissão Administrativa do partido, na Maia, e iniciando, desse modo, a aventura Social-democrata, em terras do Lidador. Esta Comissão veio a ser reconhecida pela distrital do partido, em Março desse mesmo ano.

É com saudade que recordo o citado momento histórico, uma vez que era parte integrante desse movimento, pese embora a minha precoce idade para tais labutas. Então com 16 anos, fui indicado como representante da JSD.

É meu intento lembrar e saudar, por este meio, aqueles que ousaram desafiar o poder instalado pelas forças da extrema-esquerda, as quais a coberto da revolução democrática tentavam encaminhar o nosso povo e o nosso País para outra forma de ditadura. Aprendi com estes homens e mulheres que “querer é poder” e assim, rapidamente se iniciou a luta politica, que levou a todas as freguesias o ideal da Social-democracia.

Retive na memória as célebres sessões de esclarecimento levadas a cabo na totalidade das freguesias do concelho. O combate ideológico não poucas vezes rasou a violência, a ameaça e o insulto. Que nostalgia me trazem as intervenções da nossa gente! Recordo, entre outros, e perdoem-me não referir os demais, os companheiros Elísio Costa, Bernardino Costa Pereira e Faustino de Andrade, sempre dispostos a esclarecer e divulgar pelas nossas terras o Ideal Social-democrata. Também o nosso saudoso Agostinho da farmácia, era um apaixonado da causa, sempre presente nas inúmeras actividades, assim como, o não menos saudoso, Serafim Lopes que nunca negava um bom combate, sem nunca olvidar o Joaquim Costa, no apoio logístico e o João Fortunato, constantemente atento e preocupado.

Tantos companheiros podia enumerar, que, ao longo do tempo, engrossaram as nossas fileiras, completadas por tantos outros que, ainda hoje, permanecem anónimos. É para todos eles esta singela homenagem. Sinto que, nesta data, cada um deles está connosco, uns física e outros espiritualmente.

A nossa luta não foi em vão! Foram estes bravos que permitiram, com o seu esforço, que autarcas da grandeza de Vieira de Carvalho que, embora oriundo do CDS, ingressou nas nossas fileiras em 1989, colocassem a Maia no topo de desenvolvimento dos municípios Portugueses. Vieira de Carvalho afirmou-se como modelo de referência entre todos os autarcas.

Os nossos autarcas eram, indiscutivelmente, os mais populares, competentes e, como tal, venciam eleições consecutivamente, sempre apoiados por inúmeros militantes anónimos. Mais uma vez a abnegação destes valorosos pioneiros deu o seu fruto junto das populações e o ideal de Sá Carneiro ficou bem enraizado na nossa terra.

Brotaram assim tantos e bons nomes que foram tornando cada vez maior o nosso partido.

Permitam, caros companheiros, que lembre mais alguns: Ferreira dos Santos, Luciano Gomes, David Branco, Carlos Teixeira, José Torres, Ilídio Carneiro, Manuel Antonio… A nível nacional afirmava-se a Maia com Silva Peneda, Arlindo Cunha o prestígio de Vieira de Carvalho e a sua inigualável obra, sempre associada ao PSD da Maia.

E quantas foram as infra-estruturas: de água e saneamento, com as precursoras estações de tratamento, a rede viária, os espaços culturais, como o Fórum da Maia com os seus concertos, exposições e festivais, o Fórum Jovem, com as suas iniciativas dianteiras para os mais novos, os edifícios sede das juntas de freguesia, as construções de forte apoio ao Associativismo, a maior e melhor estruturada zona industrial do País, o edifício sede dos paços do Concelho e a nova centralidade, o Metro e, ainda, os edifícios, pré-escolares, escolares, de apoio à terceira idade e complexos desportivos, palcos de inúmeras conquistas. Como exemplo, os títulos de voleibol, andebol, ciclismo ou atletismo…

Há um sem número de outras obras que poderia referir, mas que o tempo não me permite.

Assim, companheiros, está viva a nossa essência Social-democrata, com a presença de múltiplos Vereadores que ao lado do, então, Presidente, afirmavam a sua qualidade. Permitam-me referir dois em especial: o actual Presidente Bragança Fernandes e o Vice-presidente Silva Tiago, que, num momento trágico, souberam, superiormente, manter o rumo do nosso concelho.

E, quando todos julgavam que o reinado Social-democrata chegara ao fim, o PSD cerrou fileiras e a sua Comissão Política esbateu as suas diferenças em torno de Bragança Fernandes e manteve-se firme e solidário com Paulo Ramalho. A JSD uniu-se ainda mais e reforçou a sua acção, reflectindo-se em nomes como Hernâni Ribeiro, Nuno Silva, Emanuel Martins, Alexandra Torres, Rui Meneses, Orlando Leal, Paulo Resende entre muitos outros. A sempre combativa bancada do PSD, na Assembleia Municipal, mostrou a sua capacidade de intervenção, com as brilhantes participações dos seus elementos, com especial relevo para António Fernando, Marques Gonçalves, Cândido Graça, Aloísio Nogueira, Luís Miguel e, mais recentemente, Rui Monteiro e Mário Duarte, membros de um grupo coeso, composto por outros militantes, não menos importantes e que espero não ver sentidos por injustamente não os referir.

Enfim, foram tantos e tão bons, que indubitavelmente dignificaram o legado dos nossos companheiros e companheiras, que deram o pontapé inicial deste interminável jogo da Democracia.

Caros Companheiros e Companheiras, vou terminar, com orgulho no nosso passado, certeza pelo presente e com a firme convicção, e basta observar ao nosso redor, que os mais novos vão, inteligentemente, preparando o futuro.

A todos o meu Bem Hajam.

Viva a Maia, a nossa pequena Pátria!

Viva o PSD!

Militante Fundador do PSD Maia