Pais-Em-Rede reúne-se na Maia

O Fórum Jovem da Maia é hoje palco de um encontro Pais-Em-Rede. Trata-se de um movimento cívico nacional sem fins lucrativos, formalizado a 5 de Novembro de 2008, que visa a integração das chamadas “famílias especiais” na sociedade portuguesa. Nasceu em Lisboa, mas já conta com mais de uma dezena de núcleos, incluindo o do Porto, que promove este primeiro encontro na Maia. Juntam-se os núcleos do Algarve, Aveiro, Évora, Coimbra, Peniche, Portimão, Santarém, Setúbal, Tavira, Torres Vedras e Vila Real. Actualmente, são cerca de 800 os associados, mas a meta é chegar aos dez mil até ao final deste ano.

A associação teve na sua génese as estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS) que apontam para dez por cento da população portadora de limitações que impedem uma integração plena na sociedade. Somam-se os dados da realidade portuguesa. Com base nos Censos 2001, do Instituto Nacional de Estatística (INE), cerca de 6,1 por cento da população portuguesa tem alguma incapacidade ou limitação (seja sensorial, intelectual, paralisia cerebral ou outro tipo de incapacidade).

Porque a maioria destes dados são apenas estimativas, uma das missões do movimento é fazer um diagnóstico da situação. Para contabilizar o número deficientes em Portugal, saber em que situação se encontram, quais as suas preocupações e os problemas que os afectam. Esse diagnóstico passará, inclusive, pela recolha de testemunhos que poderão vir, depois, a ser publicados. Mas já com uma certeza: a de que “a deficiência tem sido completamente ignorada no nosso país, apesar do Governo ter um programa excelente, mas nunca posto em prática”, lamenta Ilda Taborda, do Núcleo do Porto do Pais-Em-Rede:

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No site da Internet pode ler-se que o projecto pretende reunir “famílias e cidadãos solidários, de todas as regiões do país, com o objectivo de definir a complexa rede de carências e abrir caminhos para as resolver”. Seja na área da educação, como na saúde, na formação e ao nível da integração sócio-profissional. Mas não a actuar sozinho. Este movimento assume o desígnio de actuar “de forma dinâmica e transversal, em colaboração com as estruturas existentes, de modo a definir a complexa rede de carências e abrir caminhos para as resolver”. E assim “dar voz às pessoas que não têm tido possibilidade ou oportunidade de o fazer”. Sejam deficientes, familiares ou até amigos.

Ajude a tornar Portugal um lugar melhor para as pessoas com necessidades especiais” é um dos lemas deste movimento Pais-Em-Rede. Na Maia, quem quiser colaborar com o projecto, pode comparecer no encontro marcado para esta noite, a partir das 21h30, no auditório do Fórum Jovem da Maia, também divulgado através do portal da FAPEMAIA – Federação das Associações de Pais e Encarregados de Educação do Concelho da Maia. Podem participar pais, professores, profissionais de saúde, advogados, artistas, arquitectos ou até empresários. Em suma, diz Ilda Taborda, “qualquer pessoa poderá, e deverá, participar”. Porque a deficiência “é um problema de todos”:

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Marta Costa