Opinião Paulo Ribeiro: “Também na Maia, o clima está farto de nós”

O Bloco de Esquerda está preocupado com as questões ambientais e continua com debates para responder a todas estas perguntas: O que se passa com o planeta? Por que assistimos cada vez mais a catástrofes naturais? O aquecimento global provoca Invernos mais frios?
É mais que provável que o aquecimento global nos obrigue a “mudar de vida”. A questão é como e para onde. Que sociedade queremos construir e como reinventar o trabalho e o consumo à luz de uma perspectiva ecológica?

Estas são algumas das perguntas mais comuns que as pessoas colocam quando se fala de Alterações Climáticas. Os líderes mundiais não estão a enfrentar com coragem as medidas necessárias para ultrapassar a crise ecológica. Em Copenhaga falharam redondamente. A acção cidadã é, por isso, indispensável.

A nível local e no que respeita a acção cidadã, há uma grande passividade. E até se podem lembrar os casos da Siderurgia Nacional, em São Pedro de Fins, as ribeiras/afluentes do Rio Leça e as promessas de mais espaços verdes numa arquitectura paisagística coerente. Tudo na mesma, tudo esquecido.

Neste aspecto, tanto as entidades públicas como as empresas e cidadãos mantêm “velhos hábitos”. Os transportes públicos são pouco atractivos, senão inexistentes. Grande parte dos edifícios ainda não adoptou equipamentos solares ou sequer lâmpadas economizadoras.

É necessária uma consciencialização de todos nós para este problema. A diferença está em cada um e é necessário apelar ao nosso sentido cívico e evolutivo. É preciso fazer mais que participar em iniciativas como “Limpar Portugal”,”A Hora do Planeta”, “Projecto Rio Leça” ou “Agenda 21” enquanto se mantêm as atitudes erradas no dia-a-dia. É preciso reciclar mais, optimizar saneamentos e drenagens, tratar as águas.

São precisas boas práticas na movimentação de entulhos e resíduos industriais e um racionamento nas embalagens dos produtos comercializados. É imprescindível exigir mais e melhor de todos aqueles que, com poder de decisão, se limitam ao “deixar andar”.
Por tudo isto é que no passado fim-de-semana, em Lisboa, o Bloco de Esquerda promoveu um diálogo sobre Clima e Ecologia. Cidadãos, activistas, deputados e cientistas apresentaram novas propostas e projectos de investigação. Para que algo se faça pelo Clima.

Discutiram-se pontos tais como a criação movimentos locais de modo a politizar a discussão sobre as alterações climáticas e como educar as populações a reduzirem a sua pegada ecológica. Para tal é essencial a manutenção da democracia, e apoiar o processo de formação de grupos com autonomia e independência política, assim como grande capacidade de divulgação de informação.

Foi também aprofundada a discussão sobre a independência do Bloco de Esquerda na sua relação com os movimentos ambientalistas e sobre a intervenção local dos seus aderentes, tendo sido proposta a constituição, nos locais em que tal seja possível, de grupos locais de Ambiente do Bloco de Esquerda focados num modelo de activismo presente nas ruas que integre todos os interessados, de forma a desenvolver uma agenda própria.

Bloco de Esquerda, Concelhia da Maia

1 responder
  1. Ana Bessa
    Ana Bessa says:

    Deveriam ser destribuidos contentores separadores de lixo reciclável em todos os prédios equativamente e não à vontade do Maia Ambiente.

    O Paulo Ribeiro escreveu um artigo de muito interesse com grande capacidade de ordenação e boa síntese de informação variada.

    Auguro-lhe um bom futuro.

    Parabéns

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